Copa do Brasil

O gol da homenagem, as lágrimas da lembrança e a explosão de sentimentos de Biteco

Guilherme Biteco ainda não havia marcado este ano. Onze jogos em branco. Começou o ano na reserva e apenas quatro deles foram como titular. Guilherme Biteco ainda não havia marcado desde que Matheus, seu irmão mais novo, companheiro de Grêmio, companheiro de vida, cruzou com o destino nas montanhas de Medellín. Guilherme Biteco ainda não havia marcado desde que o seu irmãozinho morreu no desastre aéreo da Chapecoense.

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E aí, Diego Tavares fez a jogada pelo lado direito da grande área e cruzou, ou chutou, tanto faz, e Guilherme Biteco conseguiu direcionar a bola para as redes. E Guilherme Biteco conseguiu marcar pela primeira vez desde que perdeu Matheus, seu irmão mais novo, seu irmãozinho, companheiro de Grêmio, companheiro de vida. E Guilherme Biteco explodiu de emoção.

biteco camisa

Por baixo da camisa do Paraná estava outra, em homenagem ao seu irmão mais novo, seu irmãozinho, com fotos dos dois juntos, de Matheus com o uniforme da Chapecoense, com o nome de Matheus, com as lembranças que o mantêm vivo. Provavelmente usou essa camisa em todos os seus onze jogos este ano, em todos os onze jogos em que passou em branco, aguardando o momento em que marcaria, não apenas porque essa é sua profissão, mas por que precisava explodir de emoção.

 

(Vamos abrir um parênteses: eu não poderia me importar menos com a regra. Dar cartão amarelo para Biteco por tirar a camisa é um absurdo colossal. Sim, é a orientação. Sim, o árbitro pode se complicar se não segui-la. Mas será que esta não é uma situação em que a exceção está escancarada? Será que não seria bem fácil se justificar para os patrões, que seriam triturados pela opinião pública se punissem o árbitro? Será que algum patrocinador do Paraná reclamaria? Wagner Reway poderia ter feito como o árbitro holandês que não advertiu Nathan por tirar a camisa em homenagem à Chapecoense, ano passado. Seria aplaudido em todo lugar. Preferiu seguir a robotização da arbitragem brasileira).

Depois da vitória do Paraná por 2 a 0 sobre o Vitória, Guilherme Biteco contou ao SporTV o quanto os últimos meses têm sido difíceis para ele. Está difícil treinar, está difícil lidar com as responsabilidade de, em suas palavras, “ser o pilar” das duas famílias. Da família dele e da família de Matheus, seu irmão mais novo, seu irmãozinho, companheiro de Grêmio, companheiro de vida, que emergiu do coração de Guilherme e fez uma aparição especial no Barradão para mais uma vez nos lembrarmos da dor das famílias que perderam entes queridos no desastre aéreo da Chapecoense. Para nos lembrarmos do quão trágico e triste foi tudo aquilo. Porque as famílias nunca esquecerão.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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