Copa do Brasil

Flamengo: jogadores lamentam, enquanto diretoria se cala após vice da Copa do Brasil

Ayrton Lucas, Everton Ribeiro, Arrascaeta e Gabigol falaram após vice do Flamengo diante do São Paulo no Morumbi

O pós do vice do Flamengo na Copa do Brasil foi de sentimentos misturados. Enquanto Jorge Sampaoli classificou o resultado da decisão diante do São Paulo como injusto, alguns jogadores pararam para falar com a imprensa. Ayrton Lucas e Everton Ribeiro, por exemplo, lamentaram a derrota e fizeram um balanço do ano do clube. Enquanto isso, a diretoria deixou o Morumbi em silêncio.

Ayrton Lucas admite erros na decisão

Protagonista, mas de maneira negativa na final diante do São Paulo, Ayrton Lucas lamentou os erros e pediu desculpas à torcida do Flamengo. O lateral esquerdo tentou cavar falta no lance que ocasionou o gol de Calleri, na ida, enquanto fez falta boba na origem do tento que culminou no título, marcado por Rodrigo Nestor, já no Morumbi.

— Tive um começo de temporada muito bom, nunca tinha passado por isso. Depois tive uma queda de rendimento. Não é só o treinador, a gente precisa estar preparado para tudo. A minha maior tristeza é que eu tenha errado na final. Espero que eu possa ter forças para conseguir dar a volta por cima no Flamengo — analisou.

Ribeiro não vê fatores externos como única razão para os fracassos

O capitão Everton Ribeiro foi outro que colocou a cara e falou sobre a derrota. Ao ser perguntado sobre quanto os fatores externos atrapalharam o ambiente do Flamengo, Everton minimizou e falou que os jogadores também devem assumir responsabilidade pelos fracassos.

— Lógico que atrapalha, mas não dá para jogar tudo na conta disso. Quando chega dentro de campo, temos que fazer a nossa parte. Defendemos uma camisa gigante como a do Flamengo. Temos que seguir dividindo essa responsabilidade e seguir colocando a cara. Deixamos tudo em campo, infelizmente não foi o resultado que a gente queria, que a torcida merece. Levantar a cabeça e pensar na sequência da temporada — disse.

Arrascaeta também falou rapidamente com a imprensa e comentou sobre a frustração pela derrota na final da Copa do Brasil. O uruguaio, que jogou no sacrifício, ainda sem estar 100% recuperado de uma lesão na coxa esquerda, viu o Flamengo bem, mas confirmou que a decisão é feita de detalhes.

— A gente sai muito frustrado, queríamos muito ser campeões. Fizemos um bom jogo, tivemos muitas situações de gol, mas não conseguimos ganhar do time deles. São momentos que fazem uma decisão, o deles foi melhor nessa final. Agora temos que erguer a cabeça e seguir, a nossa luta é no Campeonato Brasileiro — confirmou.

Gabigol foi quem mais falou do Flamengo, inclusive sobre a renovação

Mesmo que diversos jogadores tenham falado com a imprensa, Gabigol foi quem mais deu declarações. Entre as diversas perguntas, o atacante respondeu sobre a possível renovação com o clube e foi direto. Gabi espera um final feliz, e quer o melhor para o Rubro-Negro e para si.

— Sobre a minha renovação, é algo que estamos discutindo tem muito tempo, desde o Mundial. Estamos sem pressa nenhuma, quero o bem para mim e para o Flamengo. Se houver uma coisa certa entre as duas partes, vai ser muito bom. Eu amo o Flamengo, amo morar no Rio, amo a torcida do Flamengo, estou feliz onde estou. Tomara que tenha um final feliz.

Veja outros pontos abordados por Gabigol

Carinho por Dorival
— Fiz domingo e fiz hoje de novo (o beijo para Dorival). É um cara que eu gosto muito, conheço desde os meus 17 anos, sou muito grato a ele. Enviei uma camisa para ele no jogo do Maracanã, hoje também. Sempre vou falar com ele quando encontrar.

Justiça na decisão?
— Justo nunca é. Se falar por justiça, a nossa campanha na Copa do Brasil foi incrível. Num jogo de quatro tempos, talvez tenhamos sido melhor do que o São Paulo. Creio que justo não, a gente tenta trabalhar para colher títulos. Dessa vez não foi possível, mas também não quer dizer que está tudo errado, como quando ganha também não quer dizer que tudo está certo. Temos que trabalhar para voltar a disputar títulos. Se a gente chegou onde chegou, é por mérito nosso.

Sampaoli é a cara do Flamengo?
— Eu acho que sim. Um estilo ofensivo, algo que a gente tem tentado diariamente aprender mais e mais com ele. Também estamos dando o máximo para que dê certo.

Crescer no individual para melhorar o coletivo
— Acho que quando perde, as pessoas criticam muito. Se chegamos aqui, foi por mérito nosso. Queremos ganhar todos os campeonatos, é o que esse time faz, vencer tudo. As vezes não é possível. Precisamos sim fazer um balanço de tudo que aconteceu na temporada. Nós como jogadores precisamos pensar individualmente e coletivamente para voltar a vencer.

Oscilação na temporada
— Todo mundo oscila. Quem não está oscilando é o Botafogo. Em 2019, tivemos um primeiro turno abaixo, oscilar é normal. Temos que tentar ao máximo vencer jogos para poder chegar ao máximo alto possível. É normal do Campeonato, são 38 rodadas. Como equipe, temos que oscilar menos. Eu acho que as críticas, entre aspas, são justas. Eu faço parte de uma engrenagem, quando ela não funciona, eu também não. Eu faço parte de uma equipe, realmente quando a equipe vai bem, as realidades aparecem. A gente precisa melhorar coletivamente para melhorar individualmente.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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