O Botafogo de Textor precisa se preocupar com o Bahia do Grupo City?
Adversários nas oitavas de final da Copa do Brasil, Botafogo e Bahia foram o centro de uma recente polêmica levantada por John Textor
O sorteio das oitavas de final da Copa do Brasil colocou frente a frente duas das principais SAFs do futebol brasileiro. Nesta terça-feira (30), Botafogo e Bahia começam, às 21h30 (horário de Brasília), no Nilton Santos, a disputa por uma vaga nas quartas de final da competição. E o jogo vai acontecer poucas semanas depois de uma polêmica levantada por John Textor, dono do Botafogo, contra o Grupo City, dono do Bahia.
A fala de Textor levantou debates sobre teto salarial e fair play financeiro no futebol brasileiro. No entanto, qual a situação financeira dos dois clubes? Como os dois clubes se movimentaram na janela de transferências? E como isso tem se refletido em campo? A Trivela mostra.
🔥 #DiaDeFogo 🔥
📅 Hoje
⌚️ 21h30
🏟 Nilton Santos
🇧🇷 Copa do Brasil
🆚 Botafogo x Bahia
📺 SporTV e Premiere
🎙️Pré-jogo, narração e pós-jogo na Botafogo TVApresentado por @ParimatchBrasil pic.twitter.com/SVn4RMV3XY
— Botafogo F.R. (@Botafogo) July 30, 2024
O que John Textor falou sobre o Bahia o Grupo City?
Em recente entrevista ao GE, ao falar sobre a regulação de grupos multi-clubes, John Textor criticou o fato do Bahia e o Grupo City pertenceram, majoritariamente, a um sheik dos Emirados Árabes Unidos. Para ele, o Bahia trouxe “dinheiro do petróleo para o Brasil“.
Além disso, Textor sugeriu a criação de um fair play financeiro, com teto salarial, para o futebol brasileiro. De acordo com o dono do Botafogo, caso isso não aconteça, o Bahia vai dominar o futebol nacional.
— Se não fizermos alguma coisa sobre o Fair Play financeiro aqui, deveria ser um teto salarial, porque não tem os problemas que a Europa tem com teto salarial. Seria um limite contido internamente. Você não poderia gastar mais do que essa quantidade de dinheiro e garantiria que o fluxo ajudasse os jogadores ao longo de todos os níveis. É possível fazer isso de forma bem saudável – afirmou Jhon Textor.
— Se você fizer isso ou nada, e esse é meu aviso para Corinthians, Palmeiras, Flamengo… Se não fizermos algo, vamos acordar daqui a 70 anos, sob a atual estrutura administrativa, com as pessoas que estão aqui hoje, o Bahia vai ganhar o Campeonato Brasileiro em 17 de cada 20 anos – completou o dono do Botafogo.
Textor também citou o fato de, na França, onde ele controla o Lyon, ter que disputar com o PSG, que recebe dinheiro do Catar.
— Eu amo as pessoas no Manchester City, as pessoas que trabalham lá são incríveis. Mas o fato é que o Brasil trouxe dinheiro do petróleo para casa. Se não fizermos algo agora sobre um teto salarial, o Bahia vai comer nosso almoço. Aquela cidade maravilhosa [Salvador], ótimo hotel, ótima comida, perfeita. Eles vão ganhar todos os campeonatos por 20 anos consecutivos. Lamento dizer isso para os torcedores do Flamengo aí fora. Esqueçam, acabou, acabou. Precisamos consertar isso agora. A Liga tem que ser feita agora, o teto salarial também – disse Textor, antes de completar.
— Eles são Abu Dhabi. Nós temos que competir contra o Catar (PSG) na França. Eu estou disputando com um país, não com um dono. Um modelo de gasto desenfreado, sem restrições – finalizou o americano.
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Como estão as receitas de Bahia e Botafogo?
Bahia e Botafogo vivem momentos diferentes na estruturação do futebol. O time carioca virou SAF e foi vendido para John Textor no começo de 2022, enquanto o Tricolor só passou a pertencer ao Grupo City em maio de 2023.
Assim, é difícil comparar as receitas dos dois clubes em 2023. Na última temporada, o Glorioso teve um faturamento de R$ 322 milhões. O Bahia teve uma receita de R$ 158 milhões.
A dívida do Tricolor chegou, em 2023, a R$ 366 milhões. Já o Botafogo terminou a última temporada com uma dívida de R$ 1,3 bilhões. Os números foram retirados de relatório Convocados, do economista Cesar Grafietti.
🌧️ Palco da decisão desta noite, o Rio de Janeiro tem tempo chuvoso nesta terça. Previsão para o momento da partida é de céu nublado e 19º nos termômetros. #BBMP #BrocaiPorNós pic.twitter.com/CHmZGJRcEQ
— Esporte Clube Bahia (@ecbahia) July 30, 2024
Quanto Bahia e Botafogo investiram na janela?
Na primeira janela de transferências de 2023, Bahia e Botafogo ficaram entre os clubes que vai investiram no futebol brasileiro. No entanto, a diferença entre os dois clubes foi muito grande.
O Botafogo investiu R$ 131,7 milhões na contratação de dez jogadores. O time de Textor comprou, por exemplo, o atacante Luiz Henrique, que virou a contratação mais cara da história do Botafogo – agora superada por Thiago Almada -, e outros nomes como Savarino, Gregore, Lucas Halter e John.
Agora, com a janela do meio do ano aberta, o Botafogo já investiu, no total, mais de R$ 260 milhões. E este número, em breve, vai passar os R$ 300 milhões com a chegada do atacante Matheus Martins, da Udinese.
O Bahia, por sua vez, investiu R$ 51,5 milhões na contratação de sete jogadores na primeira janela do ano. Entre eles, os meias Caio Alexandre e Jean Lucas.
Na atual janela de transferências, o Bahia acertou a compra do cobiçado atacante Luciano Rodríguez. O Tricolor pagou US$ 12 milhões (R$ 65,3 milhões) pela promessa uruguaia, que estava no Liverpool-URU.
Como está o desempenho de Bahia e Botafogo em 2024?
Adversários nas oitavas de final da Copa do Brasil, Bahia e Botafogo têm objetivos diferentes na atual temporada. E começaram 2024 de maneiras distintas.
Enquanto o Bahia fracassou no Campeonato Baiano, perdendo a final para o rival Vitória, e foi eliminado na semifinal da Copa do Nordeste pelo CRB, que disputa a Série B do Brasileiro, o Botafogo alcançou suas principais metas do primeiro semestre.
O Botafogo passou pelas fases prévias da Copa Libertadores para chegar na fase de grupos da competição continental pela primeira vez desde 2017. O clube deixou o Campeonato Carioca de lado e ficou fora até das semifinais do Estadual.
No Campeonato Brasileiro, as esquipes estão separadas por oito pontos. O Botafogo é o segundo colocado, com 40 pontos, enquanto o Bahia é o 7º, com 32.



