‘É um desperdício ver os mesmos times disputando Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão’
Durante participação no programa Trivela FC, Tim Vickery aponta solução para extrair máximo potencial das competições
Em clima de oitavas de final da Copa do Brasil, cabe a pergunta: esse é o torneio mais democrático do país, assim como defendido pela CBF? Para Tim Vickery, é possível democratizar ainda mais a competição graças a mudanças no formato.
Durante participação no episódio desta terça-feira (29) do programa Trivela FC no YouTube, o comentarista apontou que “é um desperdício ver os mesmos times disputando Copa do Brasil, Copa Libertadores e Brasileirão”. Para Tim, esse problema seria resolvido com a adoção de eliminatórias em partida única em todo o torneio.
— O problema da Copa do Brasil é que acaba duplicando a Libertadores, gostaria de ver um diferencial. A minha solução é, desde o início, fazer um jogo só, eliminando ida e volta.
Copa do Brasil replica Brasileirão e Libertadores?

A opinião de Tim Vickery vai ao encontro do atual cenário do futebol sul-americano. Desde 2019, apenas brasileiros foram campeões da Copa Libertadores. Em apenas duas finais (2019 e 2023), um clube de fora do país teve a chance de ser campeão, mas acabou com o vice — River Plate e Boca Juniors, respectivamente.
Portanto, não é exagero dizer que a maior competição do continente tem sido dominada pelo Brasil. O Brasileirão, desde que adotou o modelo de pontos corridos em 2003, premia os times mais regulares do país, cujo fortalecimento do projeto esportivo e financeiro tem feito a diferença nas últimas temporadas.
Mais do que nunca, a Copa do Brasil é o único torneio do calendário nacional com potencial para surpresas. Só que, na prática, isso não tem acontecido com tanta frequência. As zebras têm tido cada vez menos espaço para seguir adiante no mata-mata.
Em 2025, por exemplo, cinco dos seis brasileiros que estão nas oitavas da Libertadores — São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Internacional e Botafogo — também seguem vivos na Copa do Brasil. Apenas o Fortaleza foi eliminado no torneio nacional para o Retrô, nos pênaltis.
Ao todo, dos 16 classificados no torneio, apenas três deles (Retrô, Athletico-PR e CRB) não disputam a Série A.
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Modelo da FA Cup pode trazer mais aleatoriedade

O regulamento da Copa do Brasil prevê que, a partir da terceira fase, os confrontos são de ida e volta. Como consequência, os gigantes nacionais têm chance de reverter um placar desfavorável contra os desafiantes de divisões inferiores.
Para Tim Vickery, a CBF poderia se inspirar na FA Cup. Na Inglaterra, a copa é disputada em partida única desde o início. Em caso de empate no tempo regulamentar, a decisão vai para os pênaltis, o que abre brecha para eliminações surpreendentes.
“Eu vejo grandes vantagens para a Copa do Brasil com um jogo só. Ajuda o calendário com o excesso de jogos. Mais do que isso, está adicionando o fator sorte. É um jogo só, então equilibra”, começou o comentarista.
— Não acho necessário todos os grandes clubes chegando na fase final. Para mim, é um desperdício, pois já tem um campeonato para premiar os melhores com ida e volta, que é a Libertadores. A Copa do Brasil seria mais democrática com esse fator sorte, com um jogo só definido por sorteio — argumentou Tim.
As quartas de final da Copa da Inglaterra de 2024/25 contaram apenas com o Manchester City como representante do Big Six. Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester United e Tottenham ficaram pelo caminho.
No lugar dos tradicionais ingleses, times como Fulham, Crystal Palace, Brighton, Nottingham Forest, Preston North End, Aston Villa e Bournemouth ficaram entre os oito melhores times da FA Cup. Na grande decisão, os Eagles foram campeões inéditos.
— Numa copa assim, eu não quero uma zebra aqui e ali. Eu quero uma manada de zebras.



