Brasil

Um pouco de Carpini, um pouco de Dorival: como foi a estreia do novo técnico do São Paulo

Carpini aproveita o legado de Dorival Júnior para fazer o São Paulo jogar ao seu estilo na estreia

Em longos 40 minutos de uma concorrida entrevista de apresentação no São Paulo uma semana atrás, Thiago Carpini não fez rodeios para expor suas ideias para a equipe.

– Eu gosto de um jogo mais impositivo. Identifico minhas equipes com um jogo de posse. Eu não gosto de bola longa. Se tiver conceitos e sair de forma mais organizada, minimiza os ricos para chegar com mais gente ao ataque. E não abro mão da competitividade. Eu cobro muito esse encaixe alto na marcação – resumiu o treinador.

Carpini também não se furtou de admitir que pretende beber (muito) do legado de Dorival Júnior para facilitar a implementação de suas ideias na equipe. Logo em sua primeira resposta, ele já deixava isso bem claro:

– A gente assumir após um trabalho excelente do Dorival é um contexto diferente. São situações de futebol que em alguns momentos a gente pensa diferente. É uma linha a ser seguida. Potencializar muitas coisas boas e dentro disso.

Bastaram 90 minutos de futebol sob uma chuvosa noite de sábado (20) no MorumBIS para o treinador conseguir colocar um pouco dessas duas ideias em práticas. Com um pouco de Carpini e um pouco de Dorival, o técnico estreou com uma vitória soberana por 3 a 1 sobre o Santo André, pela primeira rodada do Campeonato Paulista.

A própria maneira com que a história foi construída mostra que o São Paulo de 2024 ainda opera sob a lógica de 2023. Lucas Moura assumiu a responsabilidade, tal qual no ano passado. Luciano, o artilheiro da última temporada, deixou o seu. E Wellington Rato, o líder em assistências com Dorival, deu o passe para o gol de Diego Costa.

Um pouco de Carpini…

Carpini queria um time com posse de bola, com aproximações e passes curtos para construir o jogo desde o campo de defesa, com competitividade para marcar alto… E o São Paulo conseguiu reproduzir tudo isso durante a estreia, mesmo após apenas cinco dias de treinamentos táticos e técnicos sob o comando do treinador. O gol sofrido em jogada de bola aérea é a prova equipe oscilou ao longo dos 90 minutos – algo natural e esperado em um trabalho tão precoce. Mas a primeira impressão (e dizem que ela é que fica) é de um time promissor para os desafios que 2024 guardam para o Tricolor.

Os números do jogo são uma prova disso. O São Paulo encerrou a partida com expressivos 64% de posse bola, 21 finalizações e um total de 524 passes certos. A frieza das estatísticas comprova um time que foi dominante dentro do estilo proposto por seu treinador. E quando o coletivo funciona bem, as individualidades, via de regra, sobressaem.

Especialmente, Lucas Moura. O atacante foi escalado aberto pela esquerda – um ponto diferente de seus melhores momentos com Dorival. Por ali, ele teve total liberdade de movimentação. Suas arrancadas ora pelo lado, ora mais centralizado, desmancharam a dribles a defesa do Santo André.

Naquele mesmo setor, Welington foi uma opção tão perigosa quanto Caio Paulista em 2023. Pablo Maia (de novo) comandou o meio-campo, com um recado bem claro: ele já é (ou vem sendo) um volante de elite. Wellington Rato foi um coadjuvante de luxo. E Luciano… Seguiu sendo Luciano.

“Eu acredito que eu e Dorival pensamos parecido em muitos comportamentos. Foi possível aproveitar, porque acreditamos nas mesmas ideias. Algumas coisas vão ser ajustadas de acordo com adversário, com as competições que vamos ter”. (Thiago Carpini)

… Um pouco de Dorival

O time funcionou muito bem sob os conceitos de Carpini. Mas muitos dos meios encontrados para isso têm seu alicerce no trabalho de Dorival Júnior. Recém-chegado e com poucas horas de trabalho em campo com o elenco no CT da Barra Funda, o treinador aproveitou a estrutura tática deixada por seu antecessor para fazer sua equipe funcionar. Aliás: nada que surpreenda. O técnico sempre disse (e repetiu) que daria continuidade ao trabalho do ano passado.

Não à toa, o São Paulo foi armado no mesmo 4-2-3-1 que Dorival consagrou em 2023. As movimentações em campo eram praticamente as mesmas. Pela esquerda, Welington dava amplitude e abria o campo, enquanto Lucas fazia corridas coordenadas com liberdade em direção às regiões centrais (muito semelhante ao funcionamento da dupla Nestor e Caio Paulista).

Lucas Moura foi a única mudança tática de Carpini para a estreia (Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Do outro lado, Wellington Rato ficava mais aberto, com Igor Vinicius por dentro. Mas a mobilidade era constante. Tanto ali quanto em outras funções do campo. Luciano é outro exemplo disso. Atuou na mesma posição que atuava com Dorival. E com a mesma liberdade de movimentação que tinha com Dorival.

– As ideias de jogo se parecem. Acho que não mudou muita coisa do Dorival. Mudou só o posicionamento do Lucas. O Thiago é muito como o Dorival. Ele nos dá espaço e nos ouve bastante – disse Luciano em entrevista à TNT Sports após a partida.

> Os próximos jogos do São Paulo no Campeonato Paulista

  • 2ª rodada – Mirassol x São Paulo – terça-feira (23), às 19h30 (horário de Brasília) – Municipal de Mirassol
  • 3ª rodada – São Paulo x Portuguesa – sábado (27), às 18h (horário de Brasília) – MorumBIS
  • 4ª rodada – Corinthians x São Paulo – terça-feira (30), às 19h30 (horário de Brasília) – Neo Química Arena
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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