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Fim dos Estaduais? CBF estuda encurtar calendário e pode modificar Copa do Brasil e Libertadores

Entidade está preocupada com pouco tempo de recuperação entre jogos e prevê mudanças nas principais competições

Desde que assumiu a presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Samir Xaud vem falando sobre a redução do calendário para os clubes que disputam os principais torneios do país.

O atual calendário é constantemente alvo de críticas de jogadores e treinadores devido ao pequeno período de descanso entre partidas e a acumulação de jogos de diversos campeonatos que acontecem de maneira simultânea.

Uma das saídas da CBF é reduzir o calendário dos campeonatos estaduais, Copa do Brasil e até mesmo Libertadores. Em entrevista ao videocast “Toca e Passa, do GLOBO”, o presidente Samir Xaud explicou como pretende fazer essas alterações.

— A Copa do Brasil é uma das principais competições nossas, a mais eclética, é a que dá mais oportunidade para clubes menores participarem. É a que mais paga bem também, tem a questão de cotas. Então, a ideia é fortalecer ainda mais a Copa do Brasil. A gente está pensando no modelo que vai melhorar para todo mundo — disse o dirigente sem entrar em detalhes.

Já quando se fala de Libertadores, Samir afirmou já estar em conversas com a Conmebol para a redução de datas. A ideia seria retirar os clubes brasileiros da pré-Libertadores, garantindo uma vaga a mais de forma direta na competição [o Brasil já é o país com mais vagas na competição: 7].

— A gente tem uma conversa com a Conmebol a respeito das nossas datas de pré-Libertadores. Se você parar para analisar, na pré-Libertadores tem sido brasileiro contra brasileiro, né? Então, praticamente a gente tem uma vaga direta. É em cima disso que estamos conversando — afirmou Samir.

O presidente da CBF, Samir Xaud (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
O presidente da CBF, Samir Xaud (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A fala do mandatário sobre a pré-Libertadores se refere ao ocorrido, por exemplo, na edição 2024, quando Botafogo x Bragantino duelaram em busca da vaga na fase de grupos da competição. Na ocasião, o clube carioca levou a melhor, garantiu a vaga e foi campeão do torneio.

Atualmente, o Brasil tem direito a sete representantes na competição, sendo que cinco avançam diretamente a fase de grupos (quatro via Brasileirão e um via Copa do Brasil). Os outros dois clubes disputam a pré-Libertadores. Nos últimos seis anos, o Brasil emplacou oito participantes, visto que também tinha direito a vaga do atual campeão da competição.

Apesar das falas de Xaud, mudanças na Copa do Brasil e Libertadores ainda estão sendo discutidas. A única alteração concreta a partir de 2026 será nos Estaduais. Campeonatos que tenham participação de clubes da Série A e B do Brasileirão serão diminuídos para 11 datas. Os demais terão um tempo maior de competição.

Teremos onze datas a partir do ano que vem. Mas é necessário fazer um parêntese que essas onze datas, elas valem muito mais para séries A e B, estaduais que possuem clubes que participam de campeonatos internacionais. O ano que vem nós vamos ter uma Copa do Mundo com mais datas, então, se faz necessário essa adequação. Até por conta dos clubes, era uma era um pedido dos clubes e dos jogadores. Eu sou médico da medicina esportiva. Eu sei o quanto o período de recuperação faz diferença para os jogadores — afirmou o dirigente.

— Nós temos um consenso de quase 100% das federações que é necessária essa redução. Vamos ter reformulação. A gente tá fazendo um rearranjo de todas as nossas competições para gente conseguir encaixar o calendário brasileiro com o mínimo de prudência. Os clubes vão ficar satisfeitos, eu acho que as federações irão ficar satisfeitas pelo modelo que a gente tá pensando e trabalhando em cima disso, mas a ideia é nunca desvalorizar o futebol brasileiro — completou.

Atletico Mineiro v Botafogo: Final - Copa CONMEBOL Libertadores 2024
Troféu Copa Libertadores. Foto: Imago

“Se acabar o estadual, acaba o futebol”

Ainda justificando a redução de datas dos Estaduais, Samir rebateu quem critica a existência de tais torneios. Para ele, a disputa dos campeonatos regionais são essenciais para a sobrevivência do futebol.

— Eu sou um defensor dos estaduais. Principalmente que envolvem clubes da série C e série D, de séries menores. Eles são o que fomenta o futebol, o futebol raiz. Eu vejo alguns comentários: “Ah, tem que acabar com o estadual. Se acabar o estadual, acaba o futebol, o futebol de base. E o que nós queremos não é acabar, mas organizar e deixar um campeonato mais sustentável, mais limpo, onde você tem um produto melhor para você até comercializar. A ideia nossa é não é acabar, é realmente fortalecer todos os estaduais — analisou Samir.

— Eu venho de uma realidade de série D, de uma federação menor. E eu sei o quanto é importante um Campeonato Estadual. Lá no meu estado, por exemplo, o ano todo a gente espera o campeonato estadual para a gente movimentar a economia local, a gente movimenta os clubes. Então, é o momento do futebol raiz, digamos assim. Então, o que seria do meu Estadual, o que seria do meu futebol, do meu Estado se não tivesse o meu Estadual? Acho que não teria futebol. Na verdade, eu preciso é fortalecer os estaduais — completou.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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