Arbitragem, calendário, fair play financeiro: As 6 prioridades da CBF, segundo nova gestão
Eleito neste domingo, presidente Samir Xaud trouxe promessas ousadas para mandato que vai até 2029
Após últimos dias turbulentos, com o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência e a nomeação do interventor Fernando Sarney, a CBF parece ter encontrado um pouco de estabilidade com a eleição de um novo presidente neste domingo (25). O roraimense Samir Xaud assume o mandato até 2029 e promete uma série de mudanças.
No primeiro discurso como mandatário da Confederação Brasileira de Futebol, o dirigente tocou em pontos sensíveis e debatidos há muito tempo no Brasil, como alteração nos campeonatos estaduais, garantindo que serão feitas alterações. No entanto, em outras partes importantes, como arbitragem e fair play financeiro, cedeu pouco detalhes.
— Nenhuma mudança profunda, nenhuma transformação ocorre do dia para noite, nem se dá de forma linear. Levará algum tempo. Mas assumo um compromisso público: nós vamos trabalhar incansavelmente, dia e noite, para promover o desenvolvimento de todos os níveis do nosso futebol — disse Xaud.
As promessas de Samir Xaud, novo presidente da CBF

1. Estaduais diminuem para 11 datas
O principal foco da nova gestão será a diminuição do número de jogos na inchada temporada brasileira, garantiu Samir. A ideia do presidente da CBF é diminuir o número de datas dos campeonatos estaduais para no máximo 11. Com essa medida, haveria mais tempo de férias, pré-temporada ou para antecipar o Campeonato Brasileiro.
— Nossa prioridade inicial é a adequação do calendário do futebol brasileiro. É compromisso dessa gestão implementar imediatamente mudanças significativas no calendário das competições. Assumo o compromisso de promover, entre outras medidas, a reorganização dos campeonatos estaduais para um calendário de no máximo 11 datas, sem comprometimento da qualidade e da sustentabilidade financeira dessas competições — detalhou em discurso.
— O calendário é um grande problema, que vem há anos colocando em risco a saúde dos atletas. Isso é uma coisa que nós precisamos de imediato fazer, por isso o meu anúncio — reiterou em entrevista à CBF TV.
Xaud quis deixar claro que não quer acabar com os torneios de cada estado, mas que há necessidade de mudança. Esse será um desafio enorme para o roraimense, especialmente por conta da Federação Paulista de Futebol (FPF), que separa 16 datas para o Paulistão, competição com direitos televisivos negociados até 2029 e que garante R$ 44 milhões para São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos apenas por participação.
— Nossa ideia é que essa reorganização do calendário seja acompanhada de outras medidas de valorização dos campeonatos estaduais. Valorizar os estaduais é valorizar o futebol como um todo — completou.
2. Arbitragem
Tópico quase eterno de discussões no futebol brasileiro, a arbitragem foi citada rapidamente pelo novo mandatário. Inicialmente, a única medida é aceitar observadores dos clubes na Comissão Nacional de Arbitragem.
— Outra prioridade será o aperfeiçoamento da arbitragem. De imediato, vamos incluir dois representantes indicados pelos clubes como observadores permanentes das atividades da Comissão Nacional de Arbitragem.
O assunto envolvendo a profissionalização dos árbitros brasileiros ganhou maior apelo após as centenas de erros no ano passado, enquanto o ex-presidente Ednaldo Rodrigues impediu a criação de um treinamento quinzenal dos juízes por “falta de recursos”.
🇧🇷 Novo presidente na CBF! Em chapa única, Samir Xaud é eleito em mandato até 2029
— Trivela (@trivela) May 25, 2025
Junto do novo mandatário do futebol brasileiro, chegam oito vice-presidentes, incluindo a primeira mulher na história a ocupar o cargo. Conheça cada um deles 👇https://t.co/2meZ4YkTNO
Xaud entrou com mais detalhes na pauta de arbitragem em entrevista ao “Charla Podcast”, na última semana, usando como exemplo um programa de capacitação que implementou na Federação Roraimense de Futebol (FRF).
— Estou fazendo um trabalho muito importante com a arbitragem em Roraima. A educação continuada é o que eu prezo em todos os setores, a capacitação, os estudos, são importantes para ter esse crescimento. E tivemos um crescimento muito importante lá. O trabalho é acompanhado com o meu diretor Yungo [Paiva, diretor de arbitragem da FRF] e teve resultados positivos disso, é legal de ver — disse.
— Antigamente, uns quatro anos atrás, era muita briga, muita polêmica [com arbitragem], e hoje, não. Já vemos q está mais estabilizado, os árbitros mais capacitados, então, dá mais uma lisura para os campeonatos. Então, tem esta questão da profissionalização da arbitragem, eu também sou a favor, são profissionais como todos, isto tem que ser bem avaliado, bem estudado, para que a gente consiga colocar isto em prática também — completou.
3. Fair Play Financeiro
Citada rapidamente pelo novo presidente, a ideia inicial da confederação para um controle financeiro dos clubes brasileiros é um grupo de trabalho para realizar as regras sobre o assunto.
— Considerando a complexidade do tema e as diferentes formas de regulação, a CBF irá promover um amplo debate [sobre fair play financeiro] com a participação ativa de clubes, federações e especialistas. Nossa ideia é que seja instituído imediatamente um grupo de trabalho sobre fair play financeiro no âmbito da CBF, com o objetivo de propor as diretrizes para uma regulação moderna e adequada à realidade do futebol brasileiro.
A fala de Xaud, apesar de ter curta, parece mais dentro da realidade do que ele disse também ao “Charla”. Na ocasião, o dirigente parece ter confundido o que era fair play financeiro com a divisão de dinheiro no futebol brasileiro e deu uma explicação que não cabe no assunto.
— É um assunto importante. Eu acho que tem que haver, não tem como um time que tem R$ 20 milhões disputar com o time que tem R$ 1 milhão, é difícil. A gente sabe que o que move o futebol é o dinheiro, e fazer futebol é difícil. Tem que haver um equilíbrio, e esse equilíbrio precisa ser discutido entre os clubes. Acredito que nessa conversa com os clubes sobre a liga, a gente vai chegar a um denominador comum em relação ao fair play financeiro. Isso é um assunto que tem que ser bem discutido, colocado na mesa os atores, ter um diálogo, chegar a um consenso para conseguir executar isso.
Vergonha alheia: Samir Xaud, futuro presidente da CBF, não sabe o que é fair play financeiro.
— Última Divisão (@ultimadivisao) May 18, 2025
Perguntaram sobre isso no Charla. Samir falou em equilibrar as rendas (?). Beto tentou dar uma força. E o Samir soltou um "vamos ver, faz sentido". pic.twitter.com/Vx3RZ5Sp3f
4. Criação de uma liga dos clubes
Xaud também apoia que os clubes tomem para si a administração do Brasileirão e deixe a CBF apenas com os campeonatos de base e feminino, além de fomentar o esporte em centros mais distantes.
— A criação da liga é outro compromisso desta presidência, que tomará todas as medidas para que esse tão importante projeto de desenvolvimento do futebol brasileiro saia efetivamente do papel. Por isso, digo aos clubes e aos representantes das ligas aqui presentes: as portas da CBF estão abertas desde já para uma discussão propositiva sobre a criação da liga.
A entidade abriu as portas para negociação com os representantes da Liga Forte União (LFU) e a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), que nos últimos meses se aproximaram de uma unificação.
— O futebol brasileiro tem um produto muito importante na mão que não está sendo bem trabalhado, vemos outras ligas aí no mundo funcionando perfeitamente. A minha ideia é tirar este projeto do papel, dar esta autonomia para os clubes formarem a liga, gerirem o campeonato, e a CBF cuidar da outra parte, a parte do futebol de base, do futebol feminino, dar condição para a gente trabalhar o futebol lá nos pequenos cantos do país até os grandes centros — disse Samir ao “Charla”.
— Esse modelo deveria estar instituído. A gente vê isso acontecendo fora, os clubes organizando isso. Quero daqui a quatro anos, quando eu sair, que isso esteja acontecendo. Vou chamar os clubes para fazer essa organização — reiterou à emissora “CNN”
5. Inclusão e diversidade

O presidente revelou que a entidade do futebol brasileiro organizará competições para indígenas e promoverá outros programas de inclusão, reforçando também o combate ao racismo, essencial para CBF pelo que sofrem os jogadores brasileiros nas competições sul-americanas.
— Fortaleceremos as ações de combate ao racismo e a qualquer forma de discriminação. Retomaremos competições como a taça indígena e daremos protagonismo a projetos voltados à sustentabilidade, com práticas mais conscientes, redução de impacto ambiental e promoção da educação climática dentro e fora dos gramados.
Uma das atitudes da nova gestão também foi indicar a primeira mulher para vice-presidência da CBF: Michelle Ramalho Cardoso, presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF) desde 2018, foi eleita na chapa de Samir Xaud.
— Essa escolha foi feita através do nosso grupo em conjunto, é uma mensagem muito importante de inclusão das mulheres. Michelle é uma pessoa forte, uma mulher trabalhadora. Nós queríamos passar essa mensagem para todo o povo brasileiro e dizer que nós vamos ser totalmente contra o racismo e qualquer ato de discriminação que venha a acontecer dentro e fora de campo — contou à CBF TV.
6. Futebol feminino
País-sede da Copa do Mundo de 2027, a CBF terá papel decisivo para que a seleção brasileira chegue forte como anfitriã daqui a dois anos. Para isso, o presidente quer fortalecer as competições nacionais.
— Vamos aumentar investimentos, ampliar e valorizar as competições no futebol feminino. Tenho orgulho de ter na minha chapa a primeira mulher como vice-presidente da história da CBF. Juntos, faremos uma revolução no futebol feminino. A Copa do Mundo de 2027, aqui no Brasil, será um marco. Vamos aproveitar esse momento para alçar o futebol feminino ao lugar que ele merece: o de protagonista.



