Seleção brasileira: Após 15 anos de Casemiro, quem vai ser o camisa 5 titular em novo ciclo?
Veterano foi um dos pilares da amarelinha na geração de Neymar, mas agora dará lugar a novos nomes para meio-campo
O fracasso da eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 marcou o fim de alguns ciclos da seleção brasileira. Além de Neymar, que anunciou que não irá mais jogar com a Amarelinha, Casemiro também não deve fazer parte do ciclo até 2030, encerrando uma história de 15 anos.
Após fazer sua estreia pela Seleção em setembro de 2011, Casemiro se consolidou como um dos pilares do meio-campo, acumulando 91 jogos, 10 gols e seis assistências. Só que os números ofensivos não são os maiores atributos do camisa 5, que se tornou uma referência mundial em seu auge devido à capacidade de marcação como “pitbull” da defesa.
Em 2018, sua ausência contra a Bélgica, nas quartas de final, foi apontada como um dos motivos para a queda precoce do Brasil naquele Mundial. Em 2022, Casemiro também foi um dos destaques da campanha que terminou com a traumática queda nos pênaltis para a Croácia, também nas quartas.
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Entretanto, o volante perdeu o status de titular absoluto depois do torneio no Catar, tanto que chegou a ficar um ano e meio sem entrar em campo pela seleção brasileira, entre outubro de 2023 e maio de 2025. À época, Casemiro enfrentou um período conturbado no Manchester United, e parecia que seu período com a Amarelinha havia chegado ao fim.
Só que, com a chegada do treinador italiano em junho do ano passado, o camisa 5 foi resgatado na Seleção e reassumiu seu posto no meio-campo. Mesmo sendo o homem de confiança de Ancelotti, Casemiro não conseguiu transmitir a mesma segurança de outrora, tanto que foi (merecidamente) criticado na campanha que se encerrou diante da Noruega.
Ainda durante a Copa na América do Norte, o volante de 34 anos decidiu deixar o futebol europeu para se juntar ao Inter Miami, que tem um calendário menos rigoroso. Enquanto Casemiro vive uma nova fase de sua carreira, o Brasil vai recomeçar sua caminhada rumo ao hexa com uma clara dúvida.
Quem vai ser o volante herdeiro de Casemiro?
A escassez de volantes nos moldes de Casemiro na seleção brasileira
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Como o camisa 5 foi uma unanimidade na posição ao longo de uma década, a seleção brasileira não encaminhou um sucessor. Fabinho, que entrou para a história do Liverpool, teve poucas oportunidades com a Amarelinha justamente por ser contemporâneo de Casemiro. Aos 32 anos e no Trabzonspor, o volante dificilmente será a solução a longo prazo do comandante italiano.
No breve período sem Casemiro, a Seleção testou André, João Gomes, Andreas Pereira, Douglas Luiz, Éderson, Gérson e Joelinton ao lado de Bruno Guimarães, mas ninguém se destacou. A escassez de volantes de pegada física, mais destruidores do que construtores, também ajuda a explicar a decisão de Carlo Ancelotti em apostar no antigo camisa 14 do Real Madrid.
Nos últimos anos, o futebol brasileiro tem sido reconhecido pela revelação e exportação de segundo volantes, capazes de percorrer de uma área à outra, com perfil de intensidade em transições. Aliás, o treinador italiano reclamou (mais de uma vez) que é “preciso formar mais meio-campistas” passadores, ditadores de ritmo capazes de trazer mais paciência à construção das jogadas.
A mesma máxima vale para a função de camisa 5 de origem.
O cenário a curto prazo da seleção brasileira
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Diante desse cenário, o nome mais preparado para suprir a carência de Casemiro na seleção brasileira é João Gomes. Apesar do rebaixamento na Premier League em 2025/26, o volante de 25 anos foi um dos poucos pontos positivos do Wolverhampton devido sua capacidade de recuperação de bola e gana, tanto que liderou o elenco em desarmes e duelos no chão ganhos nas três temporadas completas que teve no clube.
Não à toa, João Gomes foi comprado pelo Aston Villa em julho por 38 milhões de libras (cerca de R$ 260 milhões à época) para ser um dos alicerces de Unai Emery, inclusive na Champions League. Desde que surgiu no Flamengo, o brasileiro já despontava como um dos grandes nomes de sua geração para o posto de camisa 5, e com o ganho de massa muscular e experiência na Inglaterra, se firmou no alto nível europeu.
João Gomes também desenvolveu seu jogo com bola, aprendendo a romper linhas com poucos toques e também potencializando sua condução em zonas mais avançadas do gramado. Embora esteja mais dinâmico, o volante continua sendo referência por seu trabalho sem a posse, com carrinhos e antecipações precisos.
Mas somente João Gomes não irá resolver a insuficiência de primeiros volantes da Seleção. Nomes como Evertton Araújo (23 anos), do Flamengo, e Zé Lucas (18 anos), do Cruzeiro, são joias que merecem atenção a médio prazo, assim como o trabalho na base para aprimorar o leque de opções até 2030.