Espanha

Por que João Gomes é a cara do Atlético de Madrid

Após fim da temporada atual, volante deve deixar o rebaixado Wolves e trocar de clube

Por 45 milhões de euros, João Gomes deve fechar com o Atlético de Madrid para a próxima temporada. O meio-campista brasileiro deixará o Wolverhampton, rebaixado à segunda divisão inglesa, ao fim da atual Premier League e será um reforço com a cara do clube espanhol. As informações são do “ge”.

Havia a informação sobre uma permanência do jogador de 25 anos no futebol inglês, em especial uma transferência ao Manchester United — o Napoli também tentou a contratação na última temporada. No entanto, Gomes se aproxima mais da equipe de Madri e pode ser um “casamento” interessante de características. Entenda nesta análise da Trivela.

O ‘pitbull’ João Gomes entrega o que técnico do Atlético de Madrid espera

Para jogar nos Colchoneros de Diego Simeone, é necessária gana. Claro, a qualidade técnica é essencial, a capacidade para se sobressair em contextos de enorme intensidade, como o mais alto nível do futebol europeu. Mas, mais do que tudo, o técnico argentino, intenso e vivendo o jogo à beira do campo, espera que seus atletas sejam uma extensão disso.

E João Gomes tem esse perfil. Ainda no Flamengo, onde foi formado para o futebol, estreou no profissional em 2020 e ficou até 2023, era possível ver como o volante se entregava e se dedicava pelo time.

O time marcante que venceu a Copa do Brasil e Libertadores em 2022 tinha o jovem como pilar. Ele atuava à esquerda do meio-campo na formação 4-3-1-2, tendo Thiago Maia como o meio-campista mais recuado e Everton Ribeiro à direita. Giorgian de Arrascaeta era o camisa 10 e Pedro e Gabriel Barbosa a dupla de ataque.

Por esse quarteto muito técnico de jogadores, que naturalmente ajudava menos no momento sem bola, Gomes tinha um papel defensivo essencial de correr o campo todo e recompor para compensar a ausência deles no momento defensivo. Inclusive, sua saída complicou o cenário para encaixar Pedro, Arrasca, Gabigol e Everton, o que não voltou a acontecer.

Na Inglaterra, ele evoluiu ainda mais no jogo defensivo. Ganhou massa, se tornou ainda mais intenso sem bola e virou um pilar do time no meio-campo.

Liderou o elenco em desarmes e duelos no chão ganhos nas três temporadas completas que teve, também sendo um dos líderes nessas estatísticas em toda a liga, segundo o “SofaScore”, inclusiva na atual, mesmo com seu time na lanterna da Premier League.

João Gomes tem esse verdadeiro espírito de equipe, gosta de ajudar, de estar presente, de correr, de entregar tudo — elogiou o técnico Vítor Pereira em fevereiro de 2025, quando treinava os Wolves.

João Gomes — Premier League
Temporada Desarmes (ranking na liga) Duelos no chão ganhos (ranking na liga)
2023/24 128 (2º) 192 (5º)
2024/25 116 (3º) 193 (7º)
2025/26 99 (3º) 186 (2º)
Fonte: SofaScore

Ao mesmo tempo, porém, essa vontade exagerada pode significar muitas faltas e cartões amarelos, ambas estatísticas que lidera nesta temporada do Campeonato Inglês e esteve nas primeiras posições nas outras edições. Ainda assim, o jogador raramente fica suspenso, tendo participado quase que completamente das três campanhas recentes dos Wolves.

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Ex-Flamengo também evoluiu com a bola no pé

João Gomes celebra gol pelos Wolves
João Gomes celebra gol pelos Wolves (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

No Brasil, a faceta ofensiva de João Gomes foi pouco vista, mas, na Inglaterra, como um meio-campista que precisava defender e atacar, precisou evoluir no jogo com bola. Ele assumiu como aprendeu a jogar em “um só toque”, porque, se segurasse mais a posse, seria facilmente desarmado.

— Eu era muito forte para o nível do futebol brasileiro. Na Inglaterra, eu era muito mais fraco. Então, qualquer toque na bola que eu desse a mais, poderia perder a bola pela força física deles. Achava que eu ia aguentar todas as pressões [igual era] no Brasil. Muitas das vezes, por eu ser menos forte aqui, eles vinham e roubavam a bola como se eu fosse criança. Aos poucos, fui me posicionando melhor e fui vendo que só ter força não iria adiantar — contou ao “ge” em 2024.

Um dos aspectos que contribuíram para o brasileiro ter mais naturalidade foi o domínio orientado, técnica que busca, logo no primeiro toque e normalmente usando o pé mais distante da bola, direcioná-la para o setor que não esteja sendo pressionado. “Estou mais dinâmico, tanto com quanto sem bola”, assumiu, na mesma entrevista.

— Tinha dificuldade de dominar a bola já orientada para onde queria jogar. Isso foi uma das coisas em que eu mais evoluí. Para mim, isso foi o principal que fez eu crescer e evoluir.

O volante, aos poucos, passou a pisar mais no campo adversário. Na última temporada, marcou quatro gols, seu recorde na carreira. Na atual, soma três assistências, também o maior número no recorte de um ano.

Números ofensivos ainda discretos que provam que sua maior característica está no jogo sem bola. Quando o Wolves fez um vídeo de melhores momentos do jogador com a camisa amarela, em 2024, sobraram lances de roubadas de bola, carrinhos e antecipações, bem mais do que lances de arrancadas com a bola ou finalizações.

Substituto de Koke? O possível papel de João Gomes no Atlético

O Atlético de Madrid vive uma transição no clube. Alguns dos principais ídolos recentes têm deixado a equipe de Simeone, como Ángel Correa na última temporada e Antoine Griezmann, que está a caminho do Orlando City no meio deste ano. O meio-campista e capitão Koke é outro que tem futuro indefinido.

João Gomes poderia ser o substituto do ídolo e ter menos concorrência no meio-campo. O técnico argentino normalmente usa dois meio-campistas em 4-4-2. Ao longo da temporada, Marcos Llorente, Johnny Cardoso e Pablo Barrios, além de Koke, se alternaram na posição. Rodrigo Mendoza e Obed Vargas parecem opções mais para o futuro.

O brasileiro, por suas características, se aproxima de Llorente, que joga também de lateral-direito. Ou seja, um meio mais completo teria ele junto de Cardoso ou Barrios. É trabalho para Simeone na próxima temporada, marcada por desafios e grande pressão após passar o quinto ano sem títulos.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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