Por que João Gomes é a cara do Atlético de Madrid
Após fim da temporada atual, volante deve deixar o rebaixado Wolves e trocar de clube
Por 45 milhões de euros, João Gomes deve fechar com o Atlético de Madrid para a próxima temporada. O meio-campista brasileiro deixará o Wolverhampton, rebaixado à segunda divisão inglesa, ao fim da atual Premier League e será um reforço com a cara do clube espanhol. As informações são do “ge”.
Havia a informação sobre uma permanência do jogador de 25 anos no futebol inglês, em especial uma transferência ao Manchester United — o Napoli também tentou a contratação na última temporada. No entanto, Gomes se aproxima mais da equipe de Madri e pode ser um “casamento” interessante de características. Entenda nesta análise da Trivela.
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— Trivela (@trivela) May 8, 2026
O ‘pitbull’ João Gomes entrega o que técnico do Atlético de Madrid espera
Para jogar nos Colchoneros de Diego Simeone, é necessária gana. Claro, a qualidade técnica é essencial, a capacidade para se sobressair em contextos de enorme intensidade, como o mais alto nível do futebol europeu. Mas, mais do que tudo, o técnico argentino, intenso e vivendo o jogo à beira do campo, espera que seus atletas sejam uma extensão disso.
E João Gomes tem esse perfil. Ainda no Flamengo, onde foi formado para o futebol, estreou no profissional em 2020 e ficou até 2023, era possível ver como o volante se entregava e se dedicava pelo time.
O time marcante que venceu a Copa do Brasil e Libertadores em 2022 tinha o jovem como pilar. Ele atuava à esquerda do meio-campo na formação 4-3-1-2, tendo Thiago Maia como o meio-campista mais recuado e Everton Ribeiro à direita. Giorgian de Arrascaeta era o camisa 10 e Pedro e Gabriel Barbosa a dupla de ataque.
Por esse quarteto muito técnico de jogadores, que naturalmente ajudava menos no momento sem bola, Gomes tinha um papel defensivo essencial de correr o campo todo e recompor para compensar a ausência deles no momento defensivo. Inclusive, sua saída complicou o cenário para encaixar Pedro, Arrasca, Gabigol e Everton, o que não voltou a acontecer.
Na Inglaterra, ele evoluiu ainda mais no jogo defensivo. Ganhou massa, se tornou ainda mais intenso sem bola e virou um pilar do time no meio-campo.
Liderou o elenco em desarmes e duelos no chão ganhos nas três temporadas completas que teve, também sendo um dos líderes nessas estatísticas em toda a liga, segundo o “SofaScore”, inclusiva na atual, mesmo com seu time na lanterna da Premier League.
— João Gomes tem esse verdadeiro espírito de equipe, gosta de ajudar, de estar presente, de correr, de entregar tudo — elogiou o técnico Vítor Pereira em fevereiro de 2025, quando treinava os Wolves.
| Temporada | Desarmes (ranking na liga) | Duelos no chão ganhos (ranking na liga) |
|---|---|---|
| 2023/24 | 128 (2º) | 192 (5º) |
| 2024/25 | 116 (3º) | 193 (7º) |
| 2025/26 | 99 (3º) | 186 (2º) |
Ao mesmo tempo, porém, essa vontade exagerada pode significar muitas faltas e cartões amarelos, ambas estatísticas que lidera nesta temporada do Campeonato Inglês e esteve nas primeiras posições nas outras edições. Ainda assim, o jogador raramente fica suspenso, tendo participado quase que completamente das três campanhas recentes dos Wolves.
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Ex-Flamengo também evoluiu com a bola no pé
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No Brasil, a faceta ofensiva de João Gomes foi pouco vista, mas, na Inglaterra, como um meio-campista que precisava defender e atacar, precisou evoluir no jogo com bola. Ele assumiu como aprendeu a jogar em “um só toque”, porque, se segurasse mais a posse, seria facilmente desarmado.
— Eu era muito forte para o nível do futebol brasileiro. Na Inglaterra, eu era muito mais fraco. Então, qualquer toque na bola que eu desse a mais, poderia perder a bola pela força física deles. Achava que eu ia aguentar todas as pressões [igual era] no Brasil. Muitas das vezes, por eu ser menos forte aqui, eles vinham e roubavam a bola como se eu fosse criança. Aos poucos, fui me posicionando melhor e fui vendo que só ter força não iria adiantar — contou ao “ge” em 2024.
Um dos aspectos que contribuíram para o brasileiro ter mais naturalidade foi o domínio orientado, técnica que busca, logo no primeiro toque e normalmente usando o pé mais distante da bola, direcioná-la para o setor que não esteja sendo pressionado. “Estou mais dinâmico, tanto com quanto sem bola”, assumiu, na mesma entrevista.
— Tinha dificuldade de dominar a bola já orientada para onde queria jogar. Isso foi uma das coisas em que eu mais evoluí. Para mim, isso foi o principal que fez eu crescer e evoluir.
O volante, aos poucos, passou a pisar mais no campo adversário. Na última temporada, marcou quatro gols, seu recorde na carreira. Na atual, soma três assistências, também o maior número no recorte de um ano.
Números ofensivos ainda discretos que provam que sua maior característica está no jogo sem bola. Quando o Wolves fez um vídeo de melhores momentos do jogador com a camisa amarela, em 2024, sobraram lances de roubadas de bola, carrinhos e antecipações, bem mais do que lances de arrancadas com a bola ou finalizações.
Substituto de Koke? O possível papel de João Gomes no Atlético
O Atlético de Madrid vive uma transição no clube. Alguns dos principais ídolos recentes têm deixado a equipe de Simeone, como Ángel Correa na última temporada e Antoine Griezmann, que está a caminho do Orlando City no meio deste ano. O meio-campista e capitão Koke é outro que tem futuro indefinido.
João Gomes poderia ser o substituto do ídolo e ter menos concorrência no meio-campo. O técnico argentino normalmente usa dois meio-campistas em 4-4-2. Ao longo da temporada, Marcos Llorente, Johnny Cardoso e Pablo Barrios, além de Koke, se alternaram na posição. Rodrigo Mendoza e Obed Vargas parecem opções mais para o futuro.
O brasileiro, por suas características, se aproxima de Llorente, que joga também de lateral-direito. Ou seja, um meio mais completo teria ele junto de Cardoso ou Barrios. É trabalho para Simeone na próxima temporada, marcada por desafios e grande pressão após passar o quinto ano sem títulos.