Brasileirão Série A

Coletiva de Zé Ricardo diz muito sobre o que falta no Cruzeiro: tudo

Zé Ricardo mostrou entender que o Cruzeiro tem muitos problemas, disse ter confiança na melhora, mas, com pouco material humano, sofre para trabalhar

O treinador do Cruzeiro, Zé Ricardo, concedeu entrevista coletiva de pós-jogo depois o empate entre o time celeste e o rival América-MG, em 1 a 1, na tarde deste domingo (1), no Mineirão, em partida válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Luciano Castán, para a equipe estrelada, e Benítez, para o alviverde, fizeram os gols do jogo.

A entrevista de Zé Ricardo, apesar de condizer com o que se viu em campo, não trouxe nada de muito novo. O treinador demonstra, mais uma vez, sensatez no que fala e uma boa leitura de jogo, e para por aí. O que isso quer dizer? Bem, em minha visão, parece que o treinador sabe os pontos fracos da equipe mas que não tem material humano — pelo menos enquanto Matheus Pereira não voltar — para mudar os cenários. Ainda assim, ele demonstrou confiança numa melhora.

Zé Ricardo mostra saber que a defesa do Cruzeiro falha muito, como falhou no gol americano, que o meio de campo não é combativo, que os homens de frente não criam e que o ataque tem dificuldade para fazer gols. Além disso, falta concentração. E o treinador, ao explicar suas mudanças, indica que tentou melhorar o time, mas, com as opções que possui, Zé não precisa falar para entendermos a dificuldade. Triste, o técnico lamentou o resultado e a atuação, que, curiosamente, piorou muito após o gol marcado.

— A gente tinha uma expectativa muito grande de fazer uma partida e trazer o resultado junto com o nosso rendimento. Esse rendimento veio até o momento que o América empatou a partida, até ali tínhamos feito um, poderíamos ter feito outro. Depois do gol, a gente sentiu, e terminamos o primeiro tempo muito mais próximos do ambiente que o América queria, jogo mais franco, mais aberto em transição do que aquilo que tínhamos programado para a partida — analisou Zé Ricardo.

O treinador demonstrou incômodo pela falta de resultados do Cruzeiro jogando em casa nesta temporada. O time celeste simplesmente não venceu no Mineirão, em 2023, algo surpreendente, visto o histórico cruzeirense atuando no maior palco do esporte mineiro.

— Incomoda o fato de estar esse tempo sem vencer em casa. No Campeonato Brasileiro todas as equipes aproveitam muito o fator casa, e estamos pecando nisso — avaliou.

Presença de Mateus Vital e ausência de Matheus Pereira

O meia Mateus Vital tem sido um dos principais alvos de críticas no Cruzeiro. Mesmo empilhando más atuações, o camisa 7 segue no time titular da Raposa, mas a torcida não tem perdoado. Mais uma vez, Vital deixou o campo sob muitas vaias dos cruzeirenses. Zé Ricardo comentou sobre o momento do jogador, um de seus preferidos no time celeste.

— Eu gosto do Vital desde a época que ele subiu. Eu enfrentei ele muito nas categorias de base. É um jogador que tem mais a render. O início de ano dele no Cruzeiro é muito bom. Mesmo observando de longe eu percebi o quanto ele estava rendendo. A gente tem que resgatar o melhor futebol dele — falou Zé Ricardo.

O treinador do Cruzeiro ainda falou sobre Matheus Pereira, grande contratação do Cruzeiro para 2023, que se recuperou de lesão recentemente. Havia a expectativa que ele atuasse no jogo de hoje, mas seu retorno acabou adiado.

— O Matheus Pereira atua na mesma faixa de campo (do Vital) e também é muito talentoso. Estou tendo a oportunidade de vê-lo mais de perto agora. Ele teve dois treinos apenas, mas não o suficiente para se colocar — falou.

Zé Ricardo explicou que o Cruzeiro teme que o jogador possa se lesionar novamente e que preferiu preservá-lo, o preparando melhor para a próxima rodada, no dia 14, contra o Cuiabá.

Mateus Vital saiu muito vaiado da partida entre Cruzeiro x América-MG
Mateus Vital saiu muito vaiado da partida deste domingo – Foto: Icon Sport

O que precisa melhorar?

Para Zé Ricardo, tudo. Questionado sobre eventuais problemas táticos no time — Fabián Bustos, treinador do América-MG, já havia dito que entendia que o Coelho foi superior taticamente ao Cruzeiro na partida deste domingo —, o técnico celeste preferiu não individualizar. Segundo ele, não dá para “fatiar” o futebol.

— Entendo que a gente precisa melhorar em todos os aspectos do jogo, uma equipe equilibrada é a que consegue se equilibrar em todos os momentos do jogo, tanto na organização, nas transições, na bola parada — disse.

Zé Ricardo ainda exaltou a melhora na bola parada ofensiva do Cruzeiro, que voltou a funcionar, assim como foi contra o Santos. O time celeste vinha tendo problemas no quesito.

O treinador disse que há muita cobrança interna e que entende as cobranças dos torcedores, que voltaram a vaiar e xingar o time após o apito final. Durante o jogo, muito apoio das arquibancadas. Vaias somente no intervalo e nos minutos finais da partida, além do pós-jogo.

— Sou convicto do que a gente pode render e do comprometimento dos atletas para com o clube. A gente entende a chateação do torcedor. O Cruzeiro vai ser sempre cobrado porque é um clube gigante, temos que entender que o clássico tem variáveis que acabam atrapalhando — avaliou o treinador.

Mudanças no Cruzeiro

Zé Ricardo explicou também o que ele pensou nas alterações feitas. Wesley saiu por já ter amarelo, Machado entrou para que Nikão pudesse jogar em sau posição de origem. Kaiki — esse foi cogitado pelo treinador inclusive como titular — treinou bem nas últimas semanas. Paulo Vitor foi acionado para tentar uma dobradinha com o lateral citado anteriormente e Fernando Henrique desempenhou bem durante a semana.

— A gente tinha alguns gatilhos para os laterais apoiarem. No papel eles são defesa, mas aparecem muito no ataque. O cartão do Jussa pendurou a gente também. Fernando Henrique e Kaiki fizeram uma ótima semana. O Kaiki até me deixou em dúvida se eu começaria com ele ou não — contou Zé Ricardo.

Essa e outras explicações do treinador, ditas após um tropeço resultado de um jogo muito ruim, podem não ser revolucionárias, mas lidas nas entrelinhas, somadas ao contexto, mostram que ele viu alguns defeitos no time que colocou para jogar, mas que na hora de corrigir esses defeitos, falta material humano. Recebedor de poucas oportunidades, Fernando Henrique desperdiçou com excelência a chance de hoje ao ser expulso de forma infantil. E ainda perdeu a chance de substituir o suspenso Matheus Jussa contra o Cuiabá.

Paulo Vitor poderia fazer uma dobradinha com o bom Kaiki se tivesse condições de estar no Cruzeiro, o que ele já mostrou não ter. Para tirar Nikão de uma posição desconfortável, colocou Bruno Rodrigues em uma posição desconfortável. Assim, o time celeste se torna uma equipe que não pode errar. Quando isso acontece, fica impossível consertar, pela fragilidade latente do elenco montado por uma diretoria que viu seu time conquistar o acesso para a Série A em setembro de 2022 e que, mesmo assim, pareceu sair atrás de alguns de seus concorrentes.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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