Brasileirão Série A

Vulnerabilidade do Flamengo impressiona, e crise segue ‘cartas marcadas’

Rubro-Negro foi mal diante de 60 mil torcedores no Maracanã e agravou crise mascarada por dirigentes

Pelo menos não perdeu. Essa foi a frase que ouvi de alguns torcedores na saída do jogo entre Flamengo e São Paulo. O Rubro-Negro voltou a repetir o desempenho ruim das últimas partidas, mas arrancou um empate suado com gol de pênalti de Pedro. O momento não é bom para Sampaoli e seus comandados, e a luz no fim do túnel não vem.

Com o futebol praticado ao longo de 10 dias, nas derrotas para Cuiabá e Olimpia, além do duelo deste domingo (13), o Flamengo repetiu os mesmos erros. A passividade irritou a torcida, que já vinha protestando, e o nível técnico de alguns atletas foi tema na coletiva de Sampaoli. Um time tão vulnerável, em todos os aspectos, um risco para o restante da temporada.

Melhora no segundo tempo não salva atuação ruim do Flamengo

O primeiro tempo do Flamengo contra o São Paulo foi muito ruim, sem exagero para mais ou para menos. Foram apenas cinco finalizações contra a equipe reserva do Tricolor Paulista, sem nenhuma no gol. Nem o “amor pelo balón” se salvou, já que o Rubro-Negro teve menos posse de bola do que o habitual, de 47%.

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Apesar dos números ruins, o problema do time voltou a ser a postura. Assim como na eliminação contra o Olimpia, o Flamengo se mostrou apático e sem qualquer organização, tanto para atacar quanto para defender. O gol de Lucas Moura, é uma personificação do momento do clube: Fabrício Bruno, Wesley, Thiago Maia e Allan observam o reforço do São Paulo marcar seu primeiro gol na volta ao Brasil.

Claro que a postura melhorou no segundo tempo, muito pelo que o São Paulo se propôs a fazer e, também, pela entrada de Pedro. Com a vitória nas mãos, o Tricolor Paulista recuou e começou a buscar jogadas de contra-ataque em velocidade. A estratégia até funcionou – Nestor e James tiveram chances – mas teve o efeito colateral de chamar o Flamengo para o seu campo.

Sampaoli vive momento de dificuldade no Flamengo (Foto: Gil Gomes/AGIF/Sipa USA/Icon Sport)

Não tão organizado – mais do que no primeiro tempo, claro – o Flamengo buscou o empate confiando na dupla Pedro e Bruno Henrique. O camisa 27, inclusive, foi o único dos titulares que se salvou, mas foi Luiz Araújo que decidiu: entrou bem e sofreu o pênalti convertido pelo artilheiro da temporada, já aos 51 minutos do segundo tempo. Sem derrota, sem encantar, com vaias e protestos da torcida.

Situação de Sampaoli e futuro ameaçado

O empate não ajudou em nada a situação de Sampaoli no Flamengo. Mesmo que Marcos Braz, vice-presidente de futebol, e o próprio treinador argentino tenham desconversado sobre a crise, ela é real e paira no Ninho do Urubu. Fazer com que ela suma é o desafio da comissão técnica e da diretoria fazer com que ela seja espantada, mas não é tão fácil assim.

O elenco já não vive a mesma sintonia com Sampaoli e está cada vez mais claro com o que é visto dentro de campo. Contra Cuiabá, Olimpia e São Paulo, o Flamengo foi uma verdadeira bagunça, com todo o respeito à bagunça, e a temporada vai chegando na sua fase mais aguda. Não há mais espaço para erros.

  • Contra o Cuiabá:
    63% de posse de bola
    10 finalizações (5 no gol)
    89% de precisão no passe
    Três gols sofridos, nenhum marcado
  • Contra o Olimpia:
    56% de posse de bola
    4 finalizações (3 no gol)
    81% de precisão no passe
    Três gols sofridos, um marcado
  • Contra o São Paulo
    54% de posse de bola
    19 finalizações (7 no gol)
    87% de precisão no passe
    Um gol sofrido, um marcado

Com esse futebol, vejo a equipe de Sampaoli vulnerável a qualquer time da Série A e, nesta quarta-feira, contra o Grêmio, pela Copa do Brasil, não será diferente. O desempenho esperado é o do jogo de ida, em que o Rubro-Negro venceu por 2 a 0 e encaminhou a classificação. E aí? Qual Flamengo vai aparecer?

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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