Brasileirão Série A

Após erro na estreia, Seabra tem nova chance de mudar estruturas do Cruzeiro

Cruzeiro vive momento difícil na temporada e o treinador Fernando Seabra escolheu tentar recuperar jogadores em sua estreia, o que deu muito errado

A estreia de Fernando Seabra como treinador do Cruzeiro só não foi pior porque apesar do sabor de derrota, o time celeste não chegou a ser superado pelo Alianza FC, modesto clube colombiano, que aos 18 minutos do primeiro tempo já perdia por 3 a 0 e que, ainda assim, conseguiu pressionar a Raposa e empatar o jogo em pleno Mineirão, estádio que os atletas da equipe da Colômbia se mostravam deslumbrados de conhecer.

O péssimo resultado e a pobre exibição na maior parte do jogo, somados a outras decepções na temporada, fizeram com que a paciência da torcida, que já andava curta, se esgotasse de vez. Alguns jogadores, em especial o goleiro Rafael Cabral e também o zagueiro Neris, foram duramente vaiados pelos cruzeirenses. Os torcedores celestes também vaiaram Lucas Silva, Mateus Vital, Arthur Gomes, Filipe Machado e Rafael Elias Papagaio, em menor escala.

Apesar do vexatório tropeço em casa, os erros de Fernando Seabra começaram bem antes da bola rolar, no momento em que a escalação do time foi divulgada. Em movimento surpreendente, o novo treinador do Cruzeiro, que havia dito em sua coletiva de apresentação que iria avaliar todos os jogadores em condições iguais, do zero, decidiu repetir o time e jogadores amplamente criticados durante a temporada e que vinham da traumática perda do Campeonato Mineiro dias antes.

Quando a bola rolou, não deu outra. Esses mesmos atletas falharam em diversos lances e foram preponderantes para mais um vexame celeste na temporada. Além disso, a bizarra estatística de oito remanescentes da temporada de 2023, que quase culminou no segundo rebaixamento da história do Cruzeiro, se manteve intacta.

E pior que a escalação e as alterações de Seabra durante o jogo foram as explicações dele para não ter feito nenhuma mudança no time titular da Raposa. Segundo o treinador, a ideia foi dar a oportunidade destes jogadores, que vivem péssimo momento, se recuperarem na importantíssima partida em questão. E como era de se esperar, o maior prejudicado foi o Cruzeiro.

— A nossa ideia era permitir a esses jogadores que se recuperassem como grupo, porque acabaram de vir de uma perda de final dolorosa. Nesse momento, todos mereciam uma oportunidade de dar uma resposta como equipe, independente do desempenho individual ou da torcida estar mais ou menos insatisfeita com um jogador. Era a oportunidade de encontrar novamente o Mineirão, sua torcida em uma competição que lutamos muito para conseguir a vaga no ano passado. Esses jogadores tiveram a oportunidade de dar uma resposta porque, querendo ou não, enfrentaram uma grande equipe no Mineiro, estavam vencendo de 3 a 2 na maior parte da disputa. Claro que existe a tristeza e aconteceram situações que permitiram ao adversário ser campeão, mas esses jogadores também vinham trabalhando em casa. Com um jogo em casa, acabei de chegar, meu copo está vazio. Tenho que avaliar e ser justo a partir do momento que começa minha interação. Agora corrigimos as situações táticas e coletivas, acertos individuais e vamos avaliando o mérito individual. As trocas vão acontecer quando forem necessárias — justificou Fernando Seabra.

Fernando Seabra tem nova oportunidade de mudar as coisas no Cruzeiro

O Cruzeiro agora volta suas atenções para a estreia no Campeonato Brasileiro de 2024. O time celeste recebe o Botafogo no domingo (14), às 17h, no Mineirão (onde assistir), e sabe que terá de conviver com uma pressão gigantesca durante o jogo e depois dele, dependendo do resultado e da forma com que a equipe se portar em campo.

Além disso, já ficou provado que iniciar bem o Brasileirão é fundamental para que uma eventual má fase não cobre tão caro. Um exemplo disso é a própria Raposa, que garantiu pontos importantes no início do nacional em 2023 e isso ajudou muito na briga contra o rebaixamento, no momento final da temporada.

Sendo assim, Fernando Seabra tem nova oportunidade valiosa e fundamental de mexer nas estruturas do clube e reformular os processos de escolha de jogadores e formações táticas. Com as impressões de que jogadores possuem cadeira no time e de que não há uma concorrência real por vagas, deixadas por Nicolás Larcamón e na primeira escalação de Seabra, se torna primordial, até mesmo num âmbito motivacional, que o novo treinador celeste pare de fazer mais do mesmo, algo que já não tem dado certo há muito tempo.

Além disso, alguns atletas, como Rafael Cabral e Neris, se mostram psicologicamente instáveis, o que tem atrapalhado o clube. Já outros nomes, Lucas Silva, Arthur Gomes e Mateus Vital, há muito não justificam a titularidade. E num grupo já modesto, ter cinco jogadores titulares em situação tão questionável é um risco enorme e prejudica o restante da equipe, que acaba sendo “puxada para baixo”.

Ronaldo, Pedro Martins e o restante da diretoria do Cruzeiro prometeram um 2024 diferente, mais ambicioso e ousado. Mas o óbvio ficou provado, diversas vezes, e hoje é mais que evidente que não há como melhorar fazendo as mesmas coisas que eram feitas em momentos muito ruins, como a temporada de 2023. E o clube precisa enxergar isso enquanto ainda é cedo, no que se diz respeito ao Brasileirão.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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