Brasileirão Série A

São Paulo de Dorival é o São Paulo das Copas e deixa Brasileirão em terceiro plano

Treinador opta por preservar forças do São Paulo no Campeonato Brasileiro para focar em Copa do Brasil e Sul-Americana

O São Paulo é o único clube brasileiro vivo em três competições nesta temporada. Mas isso não significa que o Tricolor dispute Copa do Brasil, Sul-Americana e Campeonato Brasileiro com a mesma ordem de importância. Por mais que o técnico Dorival Júnior insista que só varia as escalações de partida a partida para ter sempre uma equipe intensa em campo, fica claro que o Brasileirão hoje está relegado a terceiro plano no clube.

Mais do que nunca, o São Paulo de Dorival é o São Paulo das copas. E isso fica evidente pela estratégia traçada pelo treinador nas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Tanto no empate em 0 a 0 com o Botafogo no Morumbi, neste sábado (19), quanto no 1 a 1 com o Flamengo no Maracanã, no domingo anterior (13), o Tricolor teve em campo equipes majoritariamente reservas. Até mesmo o goleiro Rafael foi preservado nas duas partidas e deu lugar a Jandrei.

O motivo para das formações tão descaracterizadas são dois jogos de copa. Na última quarta-feira (16), o São Paulo eliminou o Corinthians com vitória por 2 a 0 no Morumbi para ir à final da Copa do Brasil após 23 anos. E na próxima quinta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), o Tricolor tem pela frente a LDU, em Quito, pelo duelo de ida das quartas de final da Sul-Americana.

Não é preciso dizer que a equipe teve força máxima no Majestoso e contará de novo com o que tem de melhor em solo equatoriano. A justificativa dada pela comissão técnica para a escalação alternativa do jogo contra o Botafogo, porém, foi o desgaste do clássico da quarta-feira.

– Tivemos oito modificações na equipe, mas mais uma vez mantivemos o padrão que a equipe teoricamente titular vem realizando. Isso é o que nos deixa mais felizes, o rendimento da equipe. Temos que aperfeiçoar, os atletas têm esta consciência também. Temos uma sequência até a final da Copa do Brasil e vamos pensar jogo a jogo. Essas mudanças para hoje não eram pensando no jogo da Sul-Americana, e sim no desgaste da quarta-feira. Colocamos o que tínhamos de melhor em campo – disse o auxiliar Lucas Silvestre.

Brasileirão virou até “treino” para reforços

A distância atual para o líder Botafogo explica por que o Brasileirão virou, hoje, a terceira competição na hierarquia são-paulina da temporada. O clube carioca lidera soberano o Campeonato Brasileiro, com 48 pontos. Exatos 20 pontos a mais que o São Paulo, estacionado no meio da tabela, com 28 pontos.

É óbvio e inclusive faz total sentido que o Tricolor dirija seu foco às duas competições em que pode ser campeão em 2023. Duas competições que, aliás, oferecem vaga direta à fase de grupos da Libertadores de 2024, além da premiação de R$ 70 milhões oferecida na Copa do Brasil. Ao término desta rodada, o São Paulo pode ver a distância para o G4 subir para sete pontos. A diferença para o G6 pode chegar a cinco pontos.

– Foram dois jogos contra o líder do campeonato e a melhor equipe do futebol brasileiro. Em ambos tivemos o controle total da partida, sem sofrer contra Flamengo nem Botafogo. Deixamos estes pontos para trás. São pontos que hoje nos dariam uma classificação muito melhor no campeonato, mas temos total confiança no grupo – ressalta o auxiliar.

Lucas usou duelo com o Flamengo como “treino” para pegar o Corinthians (Foto: Iconsport)

Por isso, o Brasileirão hoje fica relegado a terceiro plano. E serve até de “treino” para  Lucas Moura e James Rodríguez, os dois grandes reforços do futebol brasileiro na janela de meio de ano. Contra o Flamengo, o camisa 7 foi titular. Uma forma de adquirir mais ritmo de jogo para o duelo com o Corinthians. O resultado? O atacante fez gol nas duas partidas e inclusive foi herói da classificação na Copa do Brasil.

James, por sua vez, se encontra em um estágio físico mais atrasado em relação a Lucas – mesmo que o tempo de parada dos dois antes de chegar ao São Paulo seja semelhante. O colombiano estreou contra o Flamengo e foi titular pela primeira vez contra o Botafogo, quando atuou por 45 minutos. O próprio Dorival Júnior disse que a ideia de utilizá-lo neste sábado era para dar mais ritmo ao meia, às vésperas de mais um confronto decisivo na temporada.

– O James tem o lado técnico e quando tem a técnica, ele talvez não precise do seu melhor fisicamente falando. Logicamente temos um pouco mais de paciência. Daqui a pouco, o James vai estar numa condição melhor. Pode até iniciar nessa partida seguinte para que possamos ir acompanhando a sua evolução e vendo a sua melhora até se sentir confortável e recuperado – disse Dorival, após a vitória sobre o Corinthians.

Tendência é seguir preservando

O desgaste de disputar três competições deve seguir “escalando” o São Paulo na temporada. O Tricolor enfrenta a LDU na quinta-feira e vai direto do Equador para Belo Horizonte. A delegação desembarca no sábado e enfrenta o América-MG já no dia seguinte. A tendência, portanto, é de que a equipe seja novamente alternativa no Independência.

Vamos pensando jogo a jogo. Não é uma frase clichê, porque é assim que a gente precisa pensar. Somos a única equipe que está em três competições no Brasil. Para estar 100% em todos os jogos, temos que fazer essas alterações. Hoje começa nosso planejamento para o jogo de quinta-feira, contra a LDU. Depois desse vamos pensar no domingo. Não dá para pensar lá na frente, é impossível, só dá para pensar no adversário seguinte, para chegar com condições nas três competições – ressalta o auxiliar Lucas Silvestre.

Dorival é especialista em mata-matas

Se o São Paulo está vivo em três competições, muito se deve a Dorival Júnior. Ao superar o Corinthians,o técnico chegou à 17ª vitória consecutiva em duelos de mata-mata por quatro clubes diferentes. O treinador está invicto em eliminatórias desde 2019, quando assumiu o Athletico. Segui assim no comando do Ceará, do Flamengo e agora do São Paulo. O treinador, aliás, é o atual campeão da Libertadores e da Copa do Brasil pelo Flamengo, rival do Tricolor na final da Copa do Brasil.

– Difícil falar alguma coisa. Eu tenho número considerável de vitórias na Copa do Brasil, que sempre foi um torneio. São alguns números importantes, expressivos. Isso não me fortalece em sentido nenhum. O que mais importa para mim é que eu tenha aceitação do meu grupo de trabalho. Isso vem acontecendo. Eles vêm confiando no que a gente apresenta. Jogadores estão entendendo isso, buscando cumprir e percebendo que têm uma força maior do que aquilo que vinha sendo mostrado. Isso tem valor maior, o coletivo das equipes superando esses momentos individuais – diz Dorival.

Datas da final da Copa do Brasil

Em 2023, as finais da Copa do Brasil serão disputadas em dois domingos. O duelo de ida está marcado para 17 de setembro, e o jogo da volta, para o dia 24. Os mandos de campo ainda não foram definidos.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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