Brasileirão Série A

Após o rebaixamento, Santos se encontra sem dinheiro para salários de dezembro e 13º de jogadores e funcionários

Mesmo com antecipação de verba do Campeonato Paulista, Santos está sem recursos para honrar salários

O rebaixamento do Santos para a Série B do Campeonato Brasileiro já começa a trazer consequências na Vila Belmiro. Diferentemente do que estava previsto, o presidente Andres Rueda não efetuou o pagamento dos salários de funcionários e jogadores, que precisava ser feito nesta quinta-feira (7), quinto dia útil do mês. Internamente, a sensação entre os prestadores de serviço do clube é de preocupação, pois, neste momento, não há receita disponível nos cofres alvinegros para a quitação dos vencimentos de dezembro, tampouco para a segunda parcela do 13º, que tem que ser paga no final do mês.

Para entender a situação, é importante lembrar que no último mês de novembro, Rueda, que está muito pressionado pela torcida, conseguiu aprovação do Conselho Deliberativo para antecipar R$ 30 milhões das cotas do próximo Campeonato Paulista com o objetivo de honrar os salários de funcionários e jogadores.

Como esse dinheiro foi utilizado pelo Santos?

Conforme o apurado pela Trivela nesta sexta-feira (8), o dinheiro entrou nas contas do Santos dias após a aprovação e foi usado da seguinte forma:

  • Folha salarial de jogadores e médicos do clube referente a outubro
  • FGTS, INSS, Imposto de Renda retido na fonte de setembro e outubro
  • Parcelas do Profut
  • Refis de débitos previdenciários
  • Direitos de imagens do elenco profissional referente a setembro
  • Bicho – premiações – por vitórias no Brasileirão, conforme combinado antecipadamente
  • PIS referente ao mês de outubro
  • Direitos de imagem referente a outubro
  • Primeira parcela do 13° salário

Cerca de R$ 500 mil de bicho para o elenco

Ainda conforme as informações obtidas pela Reportagem, no desespero para salvar o Santos do rebaixamento, a diretoria aceitou pagar aproximadamente R$ 500 mil como bicho para o elenco por vitórias nos compromissos considerados mais difíceis, como ocorreu, por exemplo, no triunfo por 2 a 1 sobre o Palmeiras e, posteriomente, sobre o Flamengo.

O valor foi dividido entre os jogadores e alguns funcionários do clube fque faziam parte da delegação. Valor semelhante seria pago também se a equipe derrotasse o Athletico-PR, na Ligga Arena, e colocasse fim na luta contra a queda. Porém, tal motivação extra não funcionou e o Santos foi derrotado por 3 a 0.

Acabou o dinheiro em dezembro e agora?

Após empregar o dinheiro antecipado em todas as situações elencadas acima, o Santos entrou no mês de dezembro lutando contra o rebaixamento e à espera da permanência na Série A. Se isso acontecesse, o Peixe embolsaria uma premiação equivalente a colocação em que a equipe terminasse a competição.

Se conseguisse a manutenção na elite do futebol nacional, o Santos poderia receber R$ 16,7 milhões, caso terminasse em 15º lugar, ou R$ 16,2 milhões, se a salvação viesse com a 16ª posição.

Esse dinheiro era aguardado justamente para honrar os vencimentos de jogadores e funcionários referentes ao mês de dezembro, além da segunda parcela do 13º que, pela lei, tem que ser paga no, máximo, até o próximo dia 20.

Preocupação e incerteza entre os funcionários

Como os jogadores não evitaram o inédito rebaixamento, essa premiação não teve os cofres santistas como destino e, neste momento, os funcionários do clube se encontram tomados pelo sentimento de incerteza financeira, pois precisam pagar as suas contas particulares e não receberam qualquer posicionamento interno. Rueda não é visto no clube desde quarta-feira (6), quando o Peixe recebeu o Fortaleza, pela última rodada do Brasileirão.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna
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