Pés no chão é só um discurso no Atlético-MG, que não chega aos jogadores nem através de Felipão
No Atlético-MG, a instituição teve um discurso completamente diferente do de Felipão, que não conseguiu levá-lo aos jogadores
O desempenho do Atlético-MG na derrota para o Cruzeiro, no primeiro clássico da história da Arena MRV, foi um dos piores possíveis. O time praticamente não existiu na partida, vendo seu rival, que é um time inferior, tomar conta da partida. Na saída de campo, Hulk falou exatamente sobre isso, do Galo enfrentar times inferiores e achar que “já está ganho”. Mas ao ser questionado sobre, Felipão, técnico do time, fez ainda pior que seus comandados em campo. O que resume bem o ano atleticano.
Desde a derrota para o Coritiba, há duas rodadas, tanto jogadores quanto o próprio Felipão falaram sobre a falta de postura do time do Atlético. Segundo eles mesmos, não pode ser permitido que fique um clima de “já ganhou” só porque o Galo está encarando adversários que são teoricamente mais fáceis. O discurso seguiu firme, Scolari deu sermão de que todos os jogos são difíceis e que todos os rivais são bons.
Na quinta-feira (19), após vencer o Palmeiras, Felipão foi questionado sobre como chegariam Atlético e Cruzeiro para o clássico, já que o time celeste estava na beira da zona de rebaixamento. Mas o treinador voltou a bater o pé sobre como é importante respeitar os adversários e entender que todos são fortes.
O discurso, aparentemente, não chegou aos jogadores
Mas o discurso caiu por terra quando a bola rolou neste domingo, na Arena MRV. O que se viu em campo foi um time com muita vontade de ganhar, brigando por todas as bolas, batalhando por cada centímetro do campo. Esse time? O Cruzeiro. Do lado do Atlético, um dos piores jogos do time no ano, completamente apático e sem vontade, como se a vitória fosse vir a qualquer momento pelo simples fato de ser um time melhor. Na saída do campo, Hulk espalhou toda a sua indignação sobre a postura do time.
– Se a gente tirar o Botafogo, dos adversários que tivemos em casa, todos os outros foram, teoricamente, de um nível inferior ao nosso, na tabela e no plantel. Aí você entra em campo achando que já tá ganho, e não existe jogo fácil. Se você colocar o Manchester City para jogar contra qualquer time da segunda divisão daqui, se eles não entrarem em campo para jogar e ganhar, vão perder o jogo. Não existe você ganhar na teoria, tem que ganhar na prática. Tem que fazer acontecer. Entrar em campo, dar o seu melhor, respeitando o adversário. Independente de quem seja, tem que correr mais que eles. Em casa não podemos negociar resultado, temos que entrar para ganhar. Se toda vez que a gente for jogar em casa contra times teoricamente inferiores ao nosso a gente entrar com essa atitude de hoje, vamos sair lamentando.
Hulk é mais um do Atlético em mais uma partida diferente, a falar que o time entra achando que o jogo já ta ganho quando enfrenta adversários mais fracos. pic.twitter.com/Q47MUQ56UP
— Alecsander Heinrick (@alecshms) October 22, 2023
E Hulk não se contentou com o que já tinha dito. Ele seguiu demonstrando a indignação pelo time, mais uma vez, ter entrado em campo achando que já estava tudo ganho. Para ele, é preciso ter fome de vencer para evitar essas situações:
– Tem que ter fome. Você não pode estar satisfeito. Se eu estivesse satisfeito, tinha parado de jogar. Graças a Deus não dependo mais de futebol. Não estou aqui por dinheiro. Estou porque amo jogar futebol. Tem jogos que vou jogar mal, mas tenho que ter vontade. E está faltando isso pra gente quando a gente joga em casa. Tem que ter vontade de mostrar porque somos melhores. Só a camisa, infelizmente, vamos ficar lamentando no final.
“Tem que ter fome. Graças a Deus eu não dependo mais do futebol. Não estou aqui por dinheiro. To aqui porque amo jogar futebol”, a revolta de Hulk com a falta de postura do Atlético.@trivela – @siteFNV pic.twitter.com/PRncshcwVm
— Alecsander Heinrick (@alecshms) October 22, 2023
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O discurso, com certeza, não chegou nos jogadores
Se na postura do time em campo e nas falas de Hulk já ficou parecendo que o discurso de Felipão, de pregar humildade independente do adversário, já não tinha chegado aos jogadores, o próprio treinador fez questão de confirmar isso na coletiva.
Questionado pela Trivela sobre as falas de Hulk, Felipão respondeu como se não fosse ele o responsável por fazer os jogadores entenderem o discurso que ele deu nas últimas semanas. Inicialmente, reforçou que não pensa em time mais forte ou mais fraco, que todos do Brasileirão são bons, do líder ao lanterna. Mas ao ser questionado como passar isso para os jogadores, ele respondeu que devíamos perguntar para eles. Confira:
O TREINADOR do Atlético não sabe como passar para os seus próprios jogadores que, independente de ser o líder ou o lanterna, tem que jogar do mesmo jeito.
Questionei Felipão TRÊS vezes, e ele não soube responder. Explica muita coisa! https://t.co/oovqRI41J5 pic.twitter.com/a00NmsbTJK
— Alecsander Heinrick (@alecshms) October 22, 2023
Um treinador experiente como Felipão, multicampeão, que já tinha até se aposentado, com certeza sabe que, uma das funções dos treinadores é motivar seu time. Que é preciso passar para eles não só as táticas e a formação, mas também a parte mental, de como se portar em campo em algumas ocasiões. E logo Scolari, que tem fama de ser ótimo com o grupo de jogadores – motivo citado por diversas pessoas do Atlético como algo que os fizeram escolher o treinador -, não saber responder como tratar essa situação com seus comandados é, no mínimo, estranho.
Por sorte de Felipão e dos jogadores, o Atlético agora fará dois jogos contra times tão bons ou melhores que ele, que é o vice-líder Red Bull Bragantino e o finalista da Libertadores, Fluminense. Ele terá esses dois jogos para tentar trabalhar essa questão com seus jogadores, pois depois disso, vai encarar três times da parte debaixo da tabela: América-MG, Corinthians e Goiás.
Nem o discurso do Atlético se alinha com o de Felipão
Não é obrigação de Felipão nesse caso, mas nem o próprio Atlético como instituição trabalha o pensamento que o treinador disse acreditar, de que todos os times são difíceis e bons. Na última quinta, o diretor de comunicações do Galo, André Lamounier, desdenhou completamente do Cruzeiro em resposta ao jornalista Breno Galante: “É o primeiro grande clássico, né? Embora, convenhamos, o nosso rival mineiro já não é tão rival assim. O clássico já não é clássico como foi outrora”.
A fala de André vai na contramão do que disse Felipão. Novamente, não é papel do treinador nesse caso. Mas, se o próprio Atlético, já que Lamounier fala em nome da instituição, não tem o pensamento de respeito e pés no chão pelo rival, por qual motivo os jogadores do clube teriam? A fala do diretor ainda serviu de motivação para o Cruzeiro, que a usou como combustível para os jogadores, que entraram em campo bem mais pilhados que os atleticanos e, também por isso, venceram o jogo.
Atlético precisa mudar atitude para alcançar objetivo
Com uma das maiores folhas salariais do futebol brasileiro, o Atlético esperava estar brigando por título a essa altura da temporada, e isso ninguém esconde no clube. No entanto, o que sobrou foi batalhar por uma vaga na próxima Libertadores. Como o próprio Felipão, o Galo “vai sofrer para chegar”, já que não consegue uma sequência que o coloque dentro da zona de classificação.
Para Hulk, o objetivo ainda é bem plausível, mas é preciso mudar a postura do time: “Temos um objetivo. Queríamos estar lutando por título, mas a nossa realidade é por vaga na Libertadores, mas se continuar assim, vai ficar mais difícil. É possível, temos 30 pontos para serem disputados. Se a gente mudar a nossa atitude”.
São 10 jogos até o fim da temporada para o Atlético. Hulk sabe que, nessa altura, o cansaço fala mais alto, tanto físico quanto psicológico, e justamente por isso é preciso dar algo a mais. Enquanto falava, os jogadores do Cruzeiro faziam a festa do outro lado, e o atacante atleticano usou eles como exemplo que não pode acontecer novamente:
– No final de temporada, o físico não é mais o mesmo, o cansaço acumula, são muitos kms nas pernas, psicologicamente cansado, e é nessas horas que tem que ser mais forte, querer mais, ter mais fome que o adversário. Se não acontece isso aí, dentro de casa e vendo os caras comemorarem. É triste pra c*ralho. Dá vontade de chorar.
“Tem que ter mais fome que o adversário, se não acontece isso aí, vamos ter que ver ouvir eles comemorarem. É triste pra c*ralho. Dá até vontade de chorar, p*rra”, mais uma da sequência de falas do indignado Hulk após a derrota no clássico. pic.twitter.com/egAU4X3pbE
— Alecsander Heinrick (@alecshms) October 23, 2023



