Brasileirão Série A

Pedro é raro destaque em ano ruim do Flamengo, e números podem ficar ainda melhores

Flamengo teve três trocas de treinadores no ano e, mesmo vivendo altos e baixos, Pedro se manteve entre os melhores do time em números

O último jogo do Flamengo nesta temporada, além de poder confirmar de vez a vaga direta na Libertadores, pode ser importante, também, para o centroavante Pedro. Em um ano repleto de frustrações e cenas inusitadas no clube, que envolveram o jogador, inclusive, ele pôde dar a volta por cima e vive sua temporada mais artilheira da carreira. Os números são impressionantes.

Os 35 gols marcados em 60 jogos dão média superior a um tento a cada duas partidas. O número de bolas na rede também é impressionante, e coloca Pedro em grande companhia de artilheiros do Flamengo no século XXI. Se marcar contra o São Paulo, inclusive, pode atingir marca ainda mais expressiva, ainda que a temporada tenha sido um turbilhão de emoções.

Segunda temporada mais artilheira do Flamengo no século?

No momento, Pedro detém a terceira melhor marca de gols entre todos os atletas que passaram pelo Flamengo no século XXI. Seus 35 gols o colocam à frente de outras temporadas impressionantes, como a do próprio no ano passado, em que terminou como Rei da América, a de Gabigol em 2021 e, pensando no espectro mais “antigo”, a de Edílson Capetinha em 2001, que era a melhor antes da chegada da “geração 2019”, com 28 tentos.

Pedro é um dos jogadores que se salva no 2023 ruim do Flamengo (Foto: Marcelo Cortes/CRF)

Para ter uma noção do tamanho da marca, ela é idêntica a de Bruno Henrique em 2019, saudada como uma das melhores temporadas de um atacante na história do Flamengo. Os únicos que ficam à frente de Pedro em 2023 são Hernane, o Brocador, no ano em que terminou como campeão da Copa do Brasil e artilheiro do país, e Gabigol, também no ano mágico das conquistas de Libertadores e Brasileirão.

1º Gabigol (2019) – 43 gols
2º Hernane (2013) – 36 gols
3º Pedro (2023) e Bruno Henrique (2019) – 35 gols
4º Gabigol (2021) – 34 gols
5º Gabigol e Pedro (2022) – 29 gols
6º Edílson (2001) – 28 gols
7º Gabigol (2020) – 25 gols
8º Vágner Love (2012) – 24 gols
9º Vágner Love (2010) – 23 gols
10º Alecsandro (2014); Deivid, Ronaldinho e Thiago Neves (2011) – 21 gols

Dessa forma, se for às redes contra o São Paulo, Pedro pode empatar e até mesmo ultrapassar a marca de Hernane e ficar com a segunda temporada mais artilheira do Flamengo no século XXI. É praticamente impossível que ele passe Gabi, já que tem desvantagem de oito tentos. Vale relembrar que o jogador com mais gols em um ano pelo Rubro-Negro é Zico, o Galinho de Quintino, com incríveis 81 marcados em 1979.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Pedro é vice na artilharia do Flamengo desde 2001

Além de uma das temporadas mais goleadoras do clube, Pedro também é figurinha carimbada na lista de artilheiros do Flamengo no século. O atacante chegou ao Rubro-Negro em 2020 e, mesmo com a maior parte do tempo na reserva de Gabigol, é o segundo colocado no ranking. O camisa 9, inclusive, chegou aos 100 gols pelo clube nesta temporada.

Ao todo, Pedro já marcou 105 gols pelo Flamengo e está à frente de nomes como Bruno Henrique, por exemplo, embora o Rei dos Clássicos tenha perdido quase um ano de cancha por conta da grave lesão no joelho. Outro ativo na lista é Arrascaeta, que está a 10 gols de formar um top-4 somente da geração de 2019, tendo balançado as redes 63 vezes.

Pedro e Gabigol são os principais goleadores do clube no século XXI (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)
  • Gabigol – 153 gols
  • Pedro – 105 gols
  • Bruno Henrique – 86 gols
  • Renato Abreu – 73 gols
  • Giorgian De Arrascaeta – 63 gols
  • Obina – 47 gols
  • Vagner Love – 47 gols
  • Léo Moura – 47 gols
  • Hernane – 45 gols
  • Edílson – 45 gols

Pedro ainda não conseguiu atingir o top-10 da lista histórica e vai precisar de, pelo menos, mais uma temporada, já que faltam 43 gols. O único jogador ativo presente no certame é Gabigol, que já balançou as redes 153 vezes e está na sétima posição. O ranking é encabeçado novamente pelo maior ídolo da história do Flamengo, Zico, com 509 tentos, uma marca que parece insuperável.

Um resumo da temporada de Pedro, que teve muitos altos e baixos

O 2023 de Pedro no Flamengo começou como terminou o 2022: cheio de gols. A saída de Dorival Júnior, principal alicerce na sua volta por cima no clube, não abalou as estruturas do centroavante, que teve números absurdos sob a batuta do substituto, o português Vítor Pereira. Durante a passagem do gajo, o Artilheiro Reverência balançou as redes 14 vezes em 16 jogos, média de quase uma por partida.

Pedro segura o troféu de melhor em campo, vencido na vitória na disputa do terceiro lugar (Foto: Divulgação)

Vítor Pereira, contudo, seria demitido depois do vice no Campeonato Carioca, em que o Flamengo acabou goleado pelo Fluminense na decisão, além de outros fracassos, como na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana. De início, saída do português não afetou Pedro, que continuou fazendo gols, mas a chegada de Sampaoli fez com que ele entrasse em espiral negativa.

Sampaoli escolheu Gabi como titular, e Pedro começou a ser utilizado em frequência menor, algo que, sem dúvida, irritou o jogador. A tensão entre atleta e comissão técnica foi aumentando cada vez mais, até que teve seu estopim no episódio de agressão do ex-preparador físico, Pablo Fernández. O funcionário deu um soco no rosto do centroavante, depois dele se recusar a aquecer, ciente de que não entraria na partida contra o Atlético-MG, em julho.

A agressão, além de absurda, minou de vez as chances de Pedro voltar a ser titular e, de certa forma, tirou a confiança do atleta. Para ter uma noção do tamanho da queda de rendimento, o camisa 9 marcou menos gols do que na passagem de Vítor Pereira (13), em muito mais jogos disputados (29). A demissão do técnico argentino veio como um alívio e deixou o atleta mais a vontade para dar a volta por cima.

O novo Pedro com Tite é um retrato de como os episódios extra-campo atrapalharam o rendimento do atacante, que poderia ter feito muito mais gols em 2023. O artilheiro da temporada é, também, o máximo goleador desde que o comandante assumiu, com sete tentos em 11 partidas. O fim de ano, inclusive, projeta um 2024 com mais potencial, em especial na questão da paz para fazer aquilo que faz de melhor: mandar a bola para o fundo das redes.

O copo meio cheio

Apesar dos números impressionantes, que poderiam ser ainda melhores, a temporada de Pedro não deve ficar muito marcada na mente do torcedor. Os resultados da equipe como conjunto acabam ofuscando o brilho individual, já que o Flamengo não conquistou nenhum título, foi vice-campeão em cinco oportunidades e ainda teve eliminações traumáticas no Mundial e na Libertadores.

O Mundial, inclusive, é um exemplo claro desse pensamento. Pedro foi, disparado, o melhor jogador do Flamengo na competição e terminou como artilheiro, tendo marcado quatro gols em duas partidas. Apesar disso, poucos se lembram dos esforços do camisa 9, já que o Rubro-Negro perdeu na semifinal para o Al Hilal, por 3 a 2, e acabou na terceira posição. A oportunidade de enfrentar o Real Madrid na decisão foi desperdiçada.

Ainda assim, é um privilégio para o torcedor do Flamengo ter Pedro no elenco. O ano ruim decepciona, é verdade, e é difícil para o rubro-negro conseguir ver um lado positivo, mas são performances como a do atacante que animam para um 2024 que já começa a criar expectativas.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo