Brasileirão Série A

Palmeiras já pode dizer que Zé Rafael deu certo como 1º volante?

Palmeiras de Abel recorreu ao improviso, mas acabou ganhando um primeiro volante de qualidade em Zé Rafael

Ainda há, entre os torcedores do Palmeiras, o desejo pela contratação de um primeiro volante de ofício. Mas, para muitos, tal jogador, se vier, já vai brigar por posição com Zé Rafael. O camisa 8, que já fora 10 e 11, virou o 5 do time. 

Há, porém, quem questione se essa é a melhor alternativa. Se não mais negócio a vinda de um primeiro, para Zé voltar a ser segundo volante. Para a posição em que foi até cotado para ir à Copa, conforme revelado por César Sampaio, ex-auxiliar de Tite, ao podcast Podporco. 

Na redação da Trivela, também há a dúvida. Por isso, três dos nossos colunistas toparam participar do debate: Zé Rafael já deu certo como volante?

Bruno Bonsanti: “Está dando em parte porque o recuo do ex-jogador do Bahia foi gradual”

O buraco deixado por Danilo foi grande demais. Não apenas pela identificação com a torcida, mas também por ser a epítome do jogador moderno. Ataca e defende muito bem, tanto que chegou logo vestindo a camisa em um time de Premier League, utilizado como um dos meias centrais e às vezes mais avançado, formando o tridente ofensivo. 

Não seria fácil substituí-lo nem se o Palmeiras fosse com agressividade ao mercado. Richard Ríos foi um pedido de Abel Ferreira por um volante com outras características e especialista da posição, um seguro caso seu experimento com Zé Rafael não desse certo. Está dando, porém, em parte porque o recuo do ex-jogador do Bahia foi gradual. 

Como primeiro homem do meio-campo, precisa abraçar mais funções defensivas, e a chave é que é mais fácil ensiná-las a quem já sabe jogar do que o contrário. 

Se está funcionando como primeiro volante, é porque cresceu na parte física, técnica e psicológica para abraçar uma nova responsabilidade. E uma das mais importantes porque, se ele perde a bola ou erra um passe, ou falha em uma interceptação, não sobra muita gente atrás.

Maurício Noriega: “O jogador se adaptou à função, entendeu qual seria a nova postura” 

Deu muito certo! O jogador se adaptou à função, entendeu qual seria a nova postura e me parece que foi treinado fisicamente para percorrer um espaço diferente em campo, inclusive na questão da cobertura e da recuperação.

Mas o Palmeiras perdeu um segundo homem de meio excelente que era o Zé Rafael e ainda não achou um substituto à altura .

Paulo Junior: “Zé é um ótimo primeiro, sim, mas a dupla e o conjunto não supriram a ausência de Danilo” 

A temporada do Zé Rafael é ótima, então por parte dele o Palmeiras está bem servido. Tem preparo físico, senso de cobertura e antecipação, conhece o funcionamento do time, combina bem com laterais e meias, e não deixa baixar o ritmo da disputa pela bola – a atuação dele na Libertadores contra o Atlético-MG é de completo domínio no meio-campo.

É um dos melhores do elenco no ano, sem dúvida, e talvez o mais difícil de se substituir hoje. O problema do Zé jogar de 5 é que ele não tem um Zé ao lado para jogar de 8 e correr junto. 

Gabriel Menino se porta muito mais como um meia, no fim é mais parecido com jogadores como Veiga ou Scarpa; e Richard Rios chegou agora, jogador em formação que tem cinco meses num desafio deste nível e ainda pode evoluir. Então o Zé é um ótimo primeiro, sim, mas a dupla e o conjunto não supriram a ausência de Danilo.

Números mostram desempenho alto  

De jogador improvisado, o trem passou a ser uma realidade comprovada por números. Com 42, ele é o terceiro na lista de desarmes do Campeonato Brasileiro – perde para Marlom do Cruzeiro (73) e Matheus Fernandes do Red Bull Bragantino (42). 

No Palmeiras, lidera com folga a tábua anual de ações defensivas: 123 (104 desarmes) contra 89 (62) de Gabriel Menino, o segundo – os números ainda não computam as ações do Dérbi do último dia 3.

Desarmar, aliás, não é novidade para o jogador. Em 2021, foi o líder do quesito no Alviverde. Em 2022, ficou em segundo, posição que também ocupou em 2020, em seu primeiro ano com mais funções defensivas.

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“Como assim, meia?”

Até 2020, Zé era um meia-atacante. No Bahia, foi bem como ponta pela esquerda, com o pé trocado, cortando para dentro do campo. No Palmeiras, foi volante primeiro com Luxemburgo, só para marcar Fagner, na primeira final do Paulista, em agosto. E seguiu por ali.

Quando Abel chegou em novembro e pediu para os jogadores se postarem em fila indiana por posição, Zé já nem foi para a de meias de armação. Ficou mesmo na de segundo volante e virou o dono da posição, achando em Danilo um par ideal e batendo na disputa Felipe Melo, Patrick de Paula e Danilo Barbosa, especialistas da função.

No começo da segunda temporada de Abel no clube, Zé foi perguntar a ele e aos demais portugueses da comissão, se poderia voltar a disputar a vaga na meia.

“Como assim, meia?”, foi o que ouviu, em meio a risadas, que ele não soube identificar se eram de escárnio ou surpresa, minutos antes de se dar conta de que o caminho na direção da cabeça da área não tinha volta.   

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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