Brasileirão Série A

Pelo alto, Palmeiras tem terceiro recomeço do ano em Criciúma (e não será o ultimo)

Sem Endrick, Abel Ferreira vai ter que encontrar uma nova maneira para o Palmeiras jogar

Agora, não tem mais volta. Endrick se foi, e o Palmeiras perdeu sua maior referência técnica. Um dos poucos do elenco capaz de ser o saca-rolhas que Abel pediu na coletiva depois do jogo contra o San Lorenzo, na última quinta-feira (30), pela Copa Libertadores. O jogador que consegue pisar na bola e resolver um jogo sozinho.

Igual a ele, o Palmeiras não tem. Do ponto de vista técnico, aliás, não são muitos, no futebol mundial, com o mesmo potencial. Mas a análise aqui é sobre as características.

E assim, depois do início da temporada e do pós da Supercopa Rei, com a volta do próprio Endrick da seleção pré-olímpica, o Palmeiras vai para um terceiro recomeço, em busca de uma nova forma de jogar. O processo começa neste domingo (2), às 16h, em Criciúma, contra o time da casa.

A parte animadora é que o Palmeiras chegou a ter uma fase de bons resultados sem Endrick. E o jogador que vinha tendo o melhor desempenho naquele período é justamente quem deve herdar as funções mais agudas do camisa 9 que partiu.

Flaco López anotou quatro dos seus onze gols do ano no período de sete jogos que Endrick perdeu no Palmeiras, tentando uma vaga nos Jogos Olímpicos de Paris, pela seleção.

Flaco vinha fazendo dupla com Rony, jogando justamente pelo corredor interno direito — lugar favorito de Endrick. E se revezando com o Rústico na função de entrar na área para bater a gol.

Destravador de jogo

Flaco não tem o mesmo talento que Endrick, mas tem como principal ponto forte algo em que Endrick é apenas nota 7,5: o jogo aéreo. Não é nem que Endrick não cabeceie bem, mas com 1,73m, não é o jogador que vai duelar com o marcador rival mais alto com chance de ganhar — facilitando, por tabela, a vida dos demais.

Diante das defesas com linhas recuadas e até seis homens na última, que o Palmeiras habitualmente encara, um especialista em gols de cabeça é uma arma valiosa.

Seis dos 11 gols feitos por Flaco na temporada saíram desse modo — normalmente, abrindo o placar. E, consequentemente, abrindo também as defesas adversárias, que precisam ousar um pouco mais para buscar o empate. Esse é o tipo de jogo que o Palmeiras de Abel Ferreira mais aprecia.

Mas, para isso funcionar, o Palmeiras precisa que os cruzamentos também funcionem. Com 18,37% de cruzamentos corretos, o Palmeiras é o quarto pior time do Campeonato Brasileiro no fundamento. Com esse índice de acerto, nem Cristiano Ronaldo, o jogador com mais gols de cabeça em jogos oficiais da história, consegue balançar a rede.

E não é por falta de tentar: com 147 cruzamentos feitos, o Palmeiras é o terceiro time que mais alçou bolas na área por jogo em média. Com 24,5, está em empate técnico com o Atlético-MG (24,6) e perde para o Vasco, com 26,33.

Vai mudar de novo

A tendência é que Dudu apareça entre os relacionados contra o Vasco, no próximo dia 13. E Felipe Anderson estará apto a jogar pela equipe em 10 de julho — embora deva demorar mais para estrear, já que retorna de férias no início do próximo mês.

As duas entradas, até pela importância técnica e tática de ambos, vão trazer novas mudanças ao Palmeiras. Mas, nos dois casos, serão mudanças positivas. E com mudanças para melhor, é bem mais fácil se acostumar.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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