Palmeiras: Falas de Leila acendem alerta, mas presidente segue sem concorrentes
Aliados da presidente do Palmeiras se incomodaram com o que foi dito por Leila e fissuras surgiram em sua base apoio
Assim como na batalha pela opinião pública palmeirense, a entrevista de Leila Pereira da última quarta-feira (11) acarretou em alguns arranhões no que diz respeito à arena política do clube.
Do ponto de vista prático, nada se alterou com as problemáticas falas da dirigente. Mas faltando pouco mais de um ano para as próximas eleições presidenciais, alguns sinais de alerta acenderam mesmo dentro da base aliada da presidente.
A Trivela conversou com algumas lideranças políticas do Palmeiras que revelaram que os grupos em aplicativos de mensagens sobre a política alviverde estão em ebulição desde a quarta-feira – bem como as famosas “alamedas” da sede social.
Dentro da UVB, uma das correntes políticas mais antigas do clube, há pensamentos dissonantes em relação à Leila.
Ex-presidente, Luiz Gonzaga Belluzzo, por exemplo, criticou a postura da presidente abertamente. Mas um dos líderes da corrente, o ex-diretor de futebol Wlademir Pescarmona, segue leal à mandatária.
A UVB, aliás, é peça importante no tabuleiro alviverde já que detem a presidência do COF (Conselho de Orientação de Fiscalização), uma espécie de Senado do clube, com Carlos Degon, além de uma vice-presidência, com Tarso Gouveia.
No momento, não existe nem a hipótese de Belluzzo deixar a UVB, tampouco de a corrente deixar a base de apoio a Leila. Mas há fricções.
Associados se mostraram incomodados
Um dos conselheiros signatários de pedidos de esclarecimentos a Leila Pereira, Luiz Moncau, do movimento Ocupa Palestra, relatou que associados alheios à política alviverde fizeram contato com ele após a entrevista de Leila.
– Gente que nem acompanha a política do Palmeiras se incomodou com as falas. E sei que outros conselheiros também foram cobrados por seus eleitores – disse ele à Trivela.
Um movimento da presidente logo após a entrevista tem potencial para aumentar o descontentamento.
Outra prática ancestral do Palmeiras, a permissão para associados liberarem a entrada de convidados não-associados na sede social, está suspensa desde a quarta-feira.
Não houve explicações sobre o porquê da medida. Mas algumas pessoas ouvidas pela reportagem acreditam que essa é uma forma de Leila impedir que possíveis desafetos entrem no Palmeiras.
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Colégio eleitoral
Desde 2014, os associados, e não apenas os conselheiros, elegem a presidência executiva do Palmeiras – presidente e cinco vices.
Isso significa que a aproximação com os conselheiros já não basta para que um candidato consiga força suficiente para se eleger.
Do mesmo modo, quando atinge determinados conselheiros, como nas retaliações por pedidos de esclarecimentos, Leila está atingindo os associados que os colocaram no conselho.
Para citar um exemplo prático, os eleitores dos 26 conselheiros que perderam o acesso a ingressos para os jogos não devem estar contentes de ver os seus escolhidos sendo tratados como membros de segunda classe do legislativo alviverde.
E isso tende a ter um efeito exponencial no próximo pleito. Assim como pode acontecer com simpatizantes e membros da Mancha Verde que são associados e, portanto, eleitores.
Contudo, não há bons nomes
A pouco mais de um ano das próximas eleições, contudo, Leila ainda não tem oponentes com a mínima força para lhe causar dor de cabeça na disputa pela presidência.
Pensando no cenário de hoje, não seria surpresa se, na próxima corrida eleitoral, assim como em 2021, Leila concorresse sozinha.
A esperança da oposição, no entanto, é que a malfadada entrevista de Leila seja a faísca desse processo de construção de um novo nome de consenso, em busca de uma administração de coalizão.
Única liderança política com apelo popular para lhe fazer frente, o ex-presidente Paulo Nobre, não cede aos apelos que lhe são feitos em para reconsiderar sua aposentadoria da política alviverde.
Nobre, inclusive, por ter renunciado ao cargo de membro nato do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), concedido a todos os ex-presidentes, já não tem nem legitimidade estatutária para o cargo, já que não tem mandato de conselheiro vigente.
Outras figuras políticas alviverdes conhecidas ou já declararam não ter intenção de concorrer ou, de um modo ou outro, compõem a base aliada de Leila Pereira, como são os casos de Belluzzo e Mauricio Galiotte.
Dos ex-presidentes ainda vivos, Mustafá Contursi foi alijado do protagonismo político pela própria Leila, que o processou por cambismo, em um processo do qual ele saiu inocentado. Affonso Della Monica e Arnaldo Tirone têm os seus cargos no COF e não almejam concorrer à presidência.



