Brasileirão Série A

Palmeiras que humilhou São Paulo é o novo time de Abel? Esquema e escalação serão mantidos?

Na goleada contra o São Paulo, técnico do Palmeiras pode ter achado formação que levará o Palmeiras até o fim do Brasileirão

O Palmeiras jogou como há muito não fazia, na goleada por 5 a 0 sobre o São Paulo, no Allianz Parque, na quarta-feira (25). O resultado foi fruto da boa jornada dos jogadores, mas também reflexo direto de uma alteração tática do técnico Abel Ferreira.

Assim como fizera contra o Coritiba, Abel escalou o Palmeiras com três zagueiros e uma linha de meio-campo com cinco homens na fase ofensiva. Mas por que isso mudou tanto o Palmeiras, ao ponto de o time que vinha capengando ter conseguido golear o campeão da Copa do Brasil?

Laterais atacando juntos

A entrada de Luan no time possibilitou que o Palmeiras explorasse o potencial ofensivo de seus dois laterais ao mesmo tempo.

– Com três zagueiros, os laterais podem atacar juntos -, explicou o técnico, na entrevista coletiva após o jogo.

De fato, em mais de uma oportunidade, foi possível ver Piquerez e Mayke participando do mesmo lance ofensivo. Inclusive, no quinto gol do Palmeiras, Marcos Rocha, que entrou na segunda etapa, completou para a rede um cruzamento de Piquerez.

Como Artur vive fase ruim, Dudu está lesionado, e Kevin, na visão de Abel, ainda oscila muito, ter os laterais atacando, graças à proteção defensiva que a entrada de um zagueiro a mais proporciona, foi uma manobra perspicaz do português.

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Criação ganha força com aproximação de Zé Rafael

– Vimos o Zé com outra dinâmica -, disse Abel.

A entrada de Luan na defesa também permitiu que Zé Rafael chegasse mais ao ataque. Quando o Palmeiras se defendia, Luan muitas vezes deu bote para tentar desarmar jogadores do São Paulo, como um camisa 5.

Quando o Palmeiras atacava, o camisa 13 também ocupava a função de primeiro volante na construção, permitindo que Zé ocupasse um espaço pela esquerda mais próximo à área. Como foi no terceiro gol, a partir de um pênalti sofrido pelo camisa 8.

Com mais gente ao seu redor, pois além de Zé, os laterais apareciam mais próximos dele, Raphael Veiga não ficou tão sobrecarregado e cresceu de produção em relação ao que vinha apresentando.

Richard Ríos flutuou

A mesma movimentação que jogou Zé para mais perto da área permitiu que Richard Ríos também avançasse e aparecesse tanto para concluir, como no lance anulado, aos 5 minutos do primeiro tempo, como no passe de trivela que ele deu para Breno Lopes fazer o segundo do alviverde na partida.

Sem Gabriel Menino, lesionado, Ríos se gabarita a ganhar a posição, oferecendo ao time uma dinâmica de jogo que encaixa com as características que a equipe teve contra o São Paulo. O colombiano é rápido na troca de passes e tem visão aguçada para enfiadas entre as linhas.

Endrick como centroavante/ponta

A má-fase de Rony preocupa menos diante da fase crescente de Endrick. Fazendo uma movimentação da esquerda para o centro do ataque – às vezes também da direita -, o camisa 9 apareceu útil para o time não apenas como finalizador.

– O Endrick jogar pela meia-esquerda, é o que ele gosta. Colocamos no centro contra o Grêmio, e não funcionou. Colocamos em outros jogos e não funcionou. Ele é um ponta/centroavante. Se eu deixo ficar no meio, o potencial, as arrancadas dele, ele perde isso tudo. Também estamos a conhecer onde ele pode ser mais agressivo no jogo – reconheceu o português.

Para entender como a função de Endrick foi diferente e, mesmo assim, muito boa, basta ver os números. Em 73 minutos, o camisa 9 não bateu uma única vez a gol. E, mesmo assim, saiu de campo elogiado.

Endrick abriu espaços, apareceu para tabelas e acertou até lançamentos em profundidade, como logo no início da segunda etapa, quando Breno Lopes se atrapalhou na bola ao sair na cara do gol de Rafael.

E o Breno Lopes?

Grande destaque do Palmeiras contra o São Paulo, Breno Lopes também tem tudo para seguir no time.

O camisa 19 é mais um que se encaixa bem nesse sistema de jogo em que a troca de bolas em velocidade e as enfiadas nas costas dos zagueiros adversários se colocam como armas.

Breno também é muito inteligente para aproveitar cruzamentos na segunda trave, algo que deve vir a ser uma tendência com a manutenção de Luan e os laterais indo com força à linha de fundo. Foi desse modo que o Palmeiras abriu o placar.

E no próximo jogo?

A julgar pela maneira como elogiou seu time contra o Coritiba e o São Paulo, Abel parece ter encontrado uma nova formação para chamar de sua.

Ao contrário de criar uma situação de maior exposição, já que aumenta seu poderio ofensivo, o Palmeiras com Luan é mais sólido defensivamente.

Nada impede que Abel repita a formação tática contra o Bahia, no sábado (28). A escalação, porém, será outra, já que Zé estará suspenso.

Os nomes podem até mudar, mas dá para cravar que o 3-5-2 com Luan, laterais ofensivos e um dos volantes auxiliando Veiga na criação, veio para ficar.

– Eu, particularmente, gosto muito de jogar com três zagueiros. E meus sistemas de eleição. Temos que nos ajustar ao que temos, portanto, fico feliz que os jogadores entenderam e tem a mente aberta para perceber que um time com três zagueiros pode ser uma equipe altamente ofensiva. Nos últimos dois jogos, fizemos sete gols e não sofremos nenhum – disse o técnico. 

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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