Brasileirão Série A

Com mais uma atuação ruim, Ferreira ouve vaias e clima no Grêmio fica insustentável

Ferreira teve mais uma atuação ruim contra o Athletico-PR, e fortes vaias da torcida indicam clima insustentável para a continuidade do atacante no Grêmio

O clima está insustentável para Ferreira no Grêmio. O atacante de 25 anos teve mais uma má atuação na derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, na noite de quarta-feira (18), e ouviu muitas vaias da torcida gremista, que já perdeu a paciência com o jogador há algum tempo.

Ferreira começou no banco

Depois de desempenho ruim no clássico Gre-Nal, em que iniciou como titular, Ferreira voltou para o banco de reservas diante do Furacão. De lá viu seu substituto, Lucas Besozzi, abrir o placar logo aos 6 minutos. No intervalo, entrou no lugar do argentino, em pacotão de mudanças que incluiu a outra beirada, com a saída de Iturbe para o ingresso de Galdino, além da lateral-direita, na qual Fábio deu lugar a João Pedro.

— Eles [Besozzi e Iturbe] se entregaram bastante no primeiro tempo. Sabia que isso poderia acontecer. Eles vem treinando bem, mereciam oportunidade. Mas falta ritmo de jogo. Eles estavam com dificuldade para voltar na marcação, e o adversário estava se aproveitando disso. E o Ferreira faz parte do grupo do Grêmio. Troquei o Lucas, que é extrema, pelo Ferreira, que é outro extrema — explicou Renato na entrevista coletiva após a partida.

Muitos erros, inclusive na origem do gol da virada

Não dá para dizer que Ferreira se omitiu. Com um minuto em campo, foi travado ao tentar conclusão, e caiu no chão pedindo pênalti. Aos 5 minutos, em contra-ataque, chutou de perna canhota para firme defesa de Bento.

Mas os erros começaram a se suceder. Prendendo demais a bola, como o habitual, Ferreira perdeu a posse 14 vezes ao longo do jogo, de acordo com o SofaScore. Também segundo o aplicativo de estatísticas, o extrema acertou somente dois dos oito dribles tentados.

Ferreira perde uma das 14 bolas contra o Athletico-PR. Foto: Maxi Franzoi/IconSport

Mais do que isso, Ferreira teve participação decisiva no gol da virada do Athletico-PR. Aos 47 minutos, ele recebeu reposição rápida do goleiro Gabriel Grando no lado esquerdo do campo de defesa. A espera pela chegada da bola e o domínio ruim permitiram que Cuello apertasse e o desarmasse, obrigando o ponta do Grêmio a cometer falta. Na cobrança, Esquivel ergueu e Kaique Rocha cabeceou para as redes.

— Infelizmente o Ferreira hoje não entrou tão bem assim, mas faz parte. Falhar todo mundo falha. Aqui nós temos um grupo — resumiu Renato.

Os vários murmúrios a cada erro de Ferreira se transformaram em vaia de toda Arena do Grêmio quando o atacante pegou na bola pela primeira vez após o gol. Somado a isso, a repercussão nas redes sociais mostra que a torcida gremista não quer mais ver o atacante vestindo a camisa 10 tricolor.

Lesões e polêmicas com empresário pesam

Além da crise técnica vivida por Ferreira, outros dois aspectos levam a isso. Primeiro, as lesões. De fascite plantar à hérnia inguinal, passando por problemas musculares, o extrema tem enorme dificuldade para ter sequência pelo Grêmio. No ano passado, por exemplo, foram apenas 15 partidas.

Toda vez que vai para o departamento médico, Ferreira alimenta expectativa de que possa ser um acréscimo importante ao elenco no seu retorno. Foi assim quando sofreu lesão muscular de grau 3 na coxa esquerda, em março deste ano, que o tirou de ação por mais de três meses. Durante esse período, Renato se queixou muito da ausência de jogadores de velocidade no seu grupo.

Mas mesmo com o retorno de Ferreira, Renato tem optado, na maioria dos jogos, por utilizar meias pelos lados, com  extremas entrando no segundo tempo. Devido às más atuações, além de não ser titular, o camisa 10 sequer tem sido a primeira opção entre os atacantes de velocidade.

Outro ponto que incomodou bastante a torcida gremista foram as polêmicas envolvendo o empresário do jogador, Pablo Bueno. O agente é desafeto do clube e de Renato desde a época do atacante Tetê, hoje no Galatasaray, que saiu do Grêmio para o futebol europeu sem ter jogado pelo profissional.

Em um dos tantos episódios da conturbada relação, desacerto quanto à renovação de contrato levou Ferreira a se recusar a treinar e a colocar o Grêmio na justiça, em 2020. Esse caso é lembrado agora pela torcida, como mais um elemento para justificar fim de ciclo com o clube.

A dificuldade para essa eventual saída ao final do ano é a desvalorização no mercado de um jogador que outrora despertou interesse de clubes europeus, da MLS e de outros gigantes brasileiros. Ferreira tem contrato com o Grêmio até o final de 2024.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho. Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Antes de escrever pela Trivela, esteve na Rádio Grenal e na RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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