Brasileirão Série A

Gilberto joga por falta de opções, e quem perde com isso é o Cruzeiro

O centroavante Gilberto foi titular nas duas partidas em que Zé Ricardo comandou o Cruzeiro, mas suas atuações foram muito ruins

O Cruzeiro perdeu para o Fluminense, por 1 a 0, na noite dessa quarta-feira (20), no Maracanã. O nome do jogo, válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi o meia uruguaio Léo Fernández, que saiu do banco de reservas para marcar, de falta, o gol da vitória tricolor.

Sem conseguir escapar da imposição do forte Fluminense, o Cruzeiro foi dominado pelo adversário na maior parte do jogo e quando teve oportunidades de atacar, acabou pecando nas conclusões e abusando dos erros técnicos, alguns até bizarros, o que impossibilitou a conquista de um melhor resultado.

Mas além do jogo em si, uma declaração do treinador Zé Ricardo na coletiva após a partida chamou a atenção. O comandante celeste afirmou que insistência em Gilberto no comando do ataque vem pela ausência de outras opções para a função, já que Rafael Elias se machucou.

— O Cruzeiro vem apresentando problemas com jogadores machucados, nós temos um elenco em que eu conto com todo mundo, mas nós não temos, com a contusão do Rafael Elias, outro camisa 9. A gente insistiu com o Gilberto porque nosso jogo passa por ter um camisa 9. Depois a gente tentou o Bruno Rodrigues, não é a posição original dele, que enfrentou algumas dificuldades — justificou Zé Ricardo.

É entendível que Zé Ricardo tenha a preferência em jogar com um nove de referência, mas hoje, Gilberto é um espectro de jogador em campo. Pouco participativo e demonstrando falta de motivação ou excesso de desânimo, o camisa 99 trocou de número de camisa mas o futebol segue o mesmo. O jogador não tem conseguido se posicionar para ficar em condições de finalizar e quando precisa participar da criação acaba tomando as piores decisões.

Vamos a alguns números de Gilberto nas duas partidas em que Zé Ricardo comandou o Cruzeiro e confiou no camisa 99 como titular:

  • Jogos: 2 (ambos como titular)
  • Minutos: 111 (substituído nas duas partidas, contra o Fluminense, não voltou do intervalo)
  • Gols: 0
  • Assistências: 0
  • Toques na bola: 34
  • Finalizações (certas): 1 (1)
  • Passes chave: 0
  • Passes (certos): 20 (13)
  • Cruzamentos (certos): 1 (0)
  • Dribles (certos): 0
  • Faltas sofridas: 0
  • Faltas cometidas: 4

Os números são assustadores. Contra o Fluminense, o jogador não finalizou, não driblou, tentou sete passes e errou quatro deles, além de desperdiçar um cruzamento, que era a pior opção naquele momento. Ele disputou, ainda, três duelos pelo ar e três pelo chão, ganhando apenas um de cada. Os dados são do Sofascore.

Zé Ricardo precisa mesmo insistir em Gilberto?

Essa é uma resposta que, no fim, só o próprio Zé Ricardo poderá dar, em suas escalações. Mas para mim, não. O sistema deve ser beneficiado desde que ele compense as individualidades e não é isso que tem acontecido no caso de Gilberto. O camisa 99 tem prejudicado o time com suas atuações, que além de inoperantes, são falhas.

O Cruzeiro vive uma situação incômoda no Campeonato Brasileiro — o time celeste finalizou a quarta-feira (20) na 11ª posição, com 29 pontos em 24 jogos, cinco acima do Z4, mas podendo cair até mesmo para o 14º lugar, quando todas as equipes tiverem disputado o mesmo número de partidas —, e tem sido necessário que o time atue além de seus limites, impostos pela montagem de um elenco modesto, para conseguir os resultados, que muitas vezes não vêm nem dessa forma.

Por isso, apostar num jogador que vive momento tão ruim e que não demonstra ter perspectivas de melhora em prol de um estilo de jogo, pode ser um tiro pela culatra. Ainda mais se considerarmos o fato que uma semana de treinamento acaba perdida quando tal atleta é sacado no intervalo por ter participado tão pouco do jogo — e errado na maioria dessas vezes — em 45 minutos.

Zé Ricardo tem poucas opções, mas é o momento de ser criativo. O Cruzeiro tem dez dias livres até enfrentar o rival América-MG, no dia 1 de outubro, no Mineirão, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Até lá, Rafael Elias ainda não deve ter voltado. Por isso, é necessário que o treinador cogite um ataque sem um homem de referência. Hoje, com Gilberto jogando com base no “se só tem tu, vai tu mesmo”, é o time celeste, e sua torcida, os maiores prejudicados.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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