Brasileirão Série A

Gabigol desabafa e recebe apoio da comissão técnica após goleada do Flamengo

Atacante marcou seu primeiro gol após polêmica, e auxiliares desempenharam papel de Tite em coletiva diferente

O Flamengo vive ritmo de festa depois da goleada avassaladora sobre o Vasco, por 6 a 1, no Maracanã. O clima foi tão bom que Tite, treinador, sentiu dores no joelho e teve que passar por procedimentos ainda no vestiário. Dessa forma, a coletiva foi diferente, com a presença de Cléber Xavier e Matheus Bachi. Gabigol, Arrascaeta e volta por cima do time estiveram entre os assuntos.

O que os auxiliares de Tite disseram durante a coletiva?

  • Explicaram as situações físicas de Allan, Ayrton Lucas, Léo Pereira e Carlinhos;
  • Valorizaram o gol de Gabigol no clássico;
  • Visionaram os próximos passos pós-data Fifa;
  • Brincaram com a volta por cima do Flamengo.

O apoio dos auxiliares a Gabigol

A gente não fica observando especificamente algum atleta. Nossos olhos são sempre pro grupo. A gente procura dar atenção máxima aos atletas durante a semana, na preparação do trabalho e durante o jogo, para que quando eles entrem eles possam performar, ter o desempenho. Com gol assim, melhor ainda. A gente acredita nele (Gabi), queremos fazer com que ele retome o nível que fez ele ser ídolo. 

Na coletiva, a reportagem da Trivela relembrou o momento de oscilação do time em abril para, um mês depois, poder dar a volta por cima. Tranquilidade é o que reina no Rubro-Negro.

— Para gente, o mais importante é que a gente teve, no processo passado, um calendário congestionado. A gente não conseguiu trabalhar direito, e nos últimos jogos tivemos esse tempo de recuperação, tempo de trabalho. Conseguimos esse equilíbrio. Hoje, a gente fica muito feliz, jogo difícil. Quando você sai em um clássico perdendo e mantém esse equilíbrio, faz com que as jogadas aconteçam da maneira que trabalhou, dando poucas chances ao adversário — explicou.

— Acho que foi o jogo em que mais criamos oportunidades. e precisão nas finalizações. Tá conjugado a isso, acredito nisso. Agora, vamos ter outra fase de trabalho, sem jogadores importantes. Dá alguns dias de folga e volta a trabalhar pensando nessa sequência sem esses jogadores. É outro momento, e a gente espera dar sequência a essa qualidade que a gente vem apresentando, mesmo sem esses jogadores importantes — analisou.

Matheus Bachi e Cléber Xavier durante a coletiva do Flamengo (Foto: Gui Xavier/Trivela)

Gabigol desabafa após gol

Ainda que o resultado tenha sido construído de maneira coletiva, o gol mais emblemático do Clássico dos Milhões foi marcado por Gabigol. O atacante completou cruzamento de Wesley para dar números finais à partida e balançar as redes pela primeira vez desde a polêmica foto com a camisa do Corinthians. Após o apito final, ele desabafou.

— Na verdade, tô muito bem. Depende do ponto de vista. Claro que não vou conseguir agradar a todos, muitos querem estragar a relação entre o Flamengo e eu. É só ir para a parte boa, meus colegas me ajudam, diretoria me apoia. Não posso ficar toda hora negando, senão ficaria chato da minha parte. Quando eu entrar cinco, dez, 15 (minutos), um jogo inteiro, vou dar meu máximo. Tô aqui para poder voltar, ajudar — disse, em entrevista à TV Globo, antes de concluir:

— Já falei o que tinha que falar (sobre a foto). Usei várias camisas de time, mas nunca usei camisa (De rival) do Rio. Me arrependo, errei, foi sem pensar. Nenhuma intenção, tava tranquilo na minha casa. Todo mundo sabe do meu amor pelo Flamengo. Me identifico com o Flamengo. A questão pra mim é essa. Amo jogar no Flamengo, morar no Rio de Janeiro. (…) Tem gente que se abate, tem gente que usa as críticas pra poder crescer. Tem muita gente querendo criar algo que não existe na nossa relação. O que posso fazer é treinar e dar meu máximo, e isso nunca faltou. Às vezes vai dar certo. Espero trabalhar o máximo e estar sempre disposto à jogar — finalizou.

O próximo desafio do Flamengo será pelo Campeonato Brasileiro, na próxima quinta-feira (13), quando Tite e companhia enfrentarão o Grêmio, pela oitava rodada. A bola vai rolar a partir das 20h (de Brasília), no Maracanã.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Dimensão do tamanho da vitória

— Acho que não. Dimensão a gente não tem, a gente estava muito focado no trabalho, para continuar mantendo a performance mesmo tendo sofrido o gol. Primeira virada nossa no ano. Manter o equilíbrio e conseguir construir a nossa vitória. A gente sempre preza muito buscar o próximo gol, não acomodar. Também no ano passado, para gente ter chegado na reta final olhando para uma questão de saldo e vendo que era uma dificuldade pra nós tirar um saldo devido à pontuação. Podia chegar a pontuação, mas o saldo era muito distante. Nosso pensamento foi muito a longo prazo do campeonato, pensando no próximo gol, próximo gol. Continuar performando. Talvez daqui a um tempinho, a gente consiga olhar pra trás da maneira que você falou e ter o prazer desse grande dia, desse grande jogo

— A gente não imaginava e não imagina nunca fazer um processo de goleada mais ainda num clássico. Nossos últimos jogos contra o Vasco, desde que chegamos, foram difíceis. A gente trabalhou dentro dessa dificuldade. Procurar repetir o que fizemos nos últimos jogos contra adversários em Libertadores e Copa do Brasil, e no Brasileiro contra o Corinthians. Mas o jogo de hoje se colocou dessa maneira. Analisando os números, a gente teve o mesmo número de finalizações, um pouco menos no primeiro tempo, mesmo eles jogando com 11, em relação ao segundo tempo em que eles jogaram com um a menos. A gente buscou, não parou de buscar esses gols, trabalhando com essa qualidade.

Sobre o jogo

— Um jogo difícil, clássico. Início parelho. A equipe do Vasco muito bem, fez o gol cedo. A gente manteve a tranquilidade e o que trabalhou. Seguimos criando situações e conseguimos terminar o primeiro tempo com uma boa vantagem

Arrascaeta

— O Arrascaeta é importante, porque é o jogador pensador da equipe. Nos últimos jogos, vinha nesse crescimento para buscar esse equilíbrio, esse nível de atuação que teve hoje. Uma pena que agora, nessa sequência, está fora (Copa América). Que vá e faça um grande trabalho na seleção (do Uruguai), e na volta continue tendo esse crescimento, com atuações como ele teve hoje

Período sem jogos prejudica?

— Trabalho, trabalho, trabalho. Chegar quando a gente reapresentar e manter os pés no chão, da mesma maneira quando passamos por um momento difícil, sabíamos que era o trabalho que ia nos tirar daquela situação. Chegar na quinta-feira, reapresentar e continuar trabalhando. A gente fala pros atletas às vezes, tanto (para) os que vão começar quanto os que vão entrar: “Entra e faz o que você fez durante a semana”. Acho que o Luiz (Araújo) e o Wesley são um grande exemplo. O que treinaram essa semana… Treinaram para caramba. Às vezes você olha e fica com vontade de botar 20 jogadores em campo, só que não dá. Aí quando você põe os caras que estão trabalhando e tem uma resposta assim, é extremamente gratificante. Esse é o caminho.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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