Brasileirão Série A

O Fluminense enfim voltou a jogar bem, e Marcelo tem tudo a ver com isso

Time de Fernando Diniz faz boas partidas em sequência, inclusive o empate contra o Flamengo, e dá sinais de melhora na temporada

Mesmo que não tenha vencido o Flamengo pelo Brasileirão, o Fluminense voltou a jogar bem — e essa é a notícia principal para os tricolores. Depois de um longo inverno de desfalques e atuações abaixo do esperado, o time de Fernando Diniz fez boas partidas em sequência pelo Brasileirão. E Marcelo tem tudo a ver com isso.

O futebol é um jogo coletivo, mas ainda que o media training exaustivo dos profissionais do futebol tente negar, a genialidade individual ainda é fator preponderante para os resultados. O Tricolor sabe disso por Ganso, Arias e por vezes até Germán Cano. Marcelo, entretanto, eleva o “Dinizismo” a outro patamar — o que dá esperança para voos mais altos na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.

Embora tenha suas limitações físicas por conta da idade — e não à toa fique de fora de alguns jogos e treinamentos por problemas musculares já antigos —, o lateral-esquerdo do Fluminense é o maior da posição nos últimos 20 anos, sem concorrência alguma. E isso ainda faz a diferença.

Com ele em campo, o Tricolor consegue fugir da pressão em sua saída de bola mesmo nos piores dias — como parecia o domingo (16) nos primeiros 20 minutos do Fla-Flu — e criar em pequenos espaços.

Muito além da caneta: Marcelo é a referência do Fluminense

Para além da caneta desconcertante que valeu a merecida expulsão de Luiz Araújo, incomodado com o drible e mais ainda com seu sorriso frouxo, Marcelo impõe respeito. Coloca qualidade técnica onde precisa, cabeça quando se faz necessário e leitura de jogo muitíssimo acima da média para ajudar o Fluminense nos momentos mais difíceis.

É ele o desafogo quando a pressão aperta, o jogo se mostra difícil e o meio-campo precisa de ajuda para criar. É Marcelo quem tenta acalmar Felipe Melo, se apresenta para Nino e dialoga no olhar com Ganso e Arias. É para o lateral que Germán Cano grita e estica o braço quando participa pouco do jogo e tenta se deslocar para receber.

Em pouco tempo, Marcelo, como já se esperava, virou o alicerce técnico do Fluminense. E não à toa, o Tricolor voltou a jogar bem quando o lateral-esquerdo igualou sua maior sequência desde que retornou ao Brasil: são cinco jogos seguidos. E embora tenha deixado o Fla-Flu antes do apito final após a entrada de Luiz Araújo, a dor foi apenas pela pancada forte, sem maiores preocupações.

Fluminense acompanha bons números de Marcelo

Assim como na primeira sequência que teve ao voltar ao Fluminense, o Tricolor tem bom retrospecto com Marcelo em campo. Ao todo, são 14 jogos, com nove vitórias, quatro empates e apenas uma derrota. O aproveitamento de 73,8% com o lateral-esquerdo colocaria o Flu na vice-liderança do Brasileirão, atrás apenas da assombrosa campanha do Botafogo, que conquistou 87% dos pontos até aqui.

Ainda que a contribuição direta para gols pareça curta — um gol e uma assistência —, o destaque individual é claro ao assistir os jogos. O Fluminense é mais time — e imprime mais o estilo de Fernando Diniz — com ele em campo.

Fernando Diniz já previa evolução do Fluminense

Se as boas atuações são uma boa novidade, o técnico do Fluminense e da seleção já previa a evolução da equipe. Exceto pela derrota para o São Paulo, no Morumbi, Fernando Diniz defende que o Tricolor já vinha jogando bem apesar dos resultados não mostrarem isso.

Após o empate por 1 a 1 com o Sporting Cristal, pela Libertadores, o treinador deu a seguinte resposta em entrevista:

“Nos últimos quatro jogos, a gente ganhou dois e empatou dois, classificamos em primeiro na Libertadores. Contra o Bahia, em termos de desempenho, se você pega a rodada do fim de semana, quem teve uma superioridade tão grande como o Fluminense teve jogando contra o Bahia – que tinha ganho do Palmeiras? Esse é o recorte mais justo e lúcido você fazer”, opinou.

Fernando Diniz vê Fluminense em evolução desde que a equipe vivia mau momento - Photo by Icon sport
Fernando Diniz vê Fluminense em evolução desde que a equipe vivia mau momento – Photo by Icon sport

Em diversos momentos em que os resultados eram adversos, Diniz retomava a discussão sobre a oposição entre desempenho e resultado. Crítico ferrenho do “resultadismo”, o treinador sempre viu o Fluminense com chances de retomar os bons momentos.

Fluminense ainda terá reforços e retornos importantes

O panorama fica ainda melhor para o Fluminense se observado que o Tricolor segue com alguns desfalques pontuais. Nas duas boas atuações contra Internacional e Flamengo, a equipe não teve força máxima.

Primeiro, Ganso e Arias desfalcaram o time de Fernando Diniz na vitória sobre o Colorado. Na sequência, não teve Keno contra o Flamengo. Contra o Coritiba, o Flu não terá Cano, suspenso. Além disso, um dos pilares do time, Alexsander, segue fora por lesão. O jovem mais uma vez parece se recuperar mais rápido do que a previsão, mas ainda assim, perderá mais alguns jogos.

Por fim, o Fluminense ainda terá reforços: Marlon só poderá estrear contra o Santos, no dia 27 (sábado), às 16h (de Brasília) no Maracanã, e Danielzinho e Yony González ainda não entraram em campo. A estreia do uruguaio Leo Fernández já foi festejada, mas ainda há outras peças que podem fazer o “Dinizismo” ser ainda mais forte.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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