Brasileirão Série A

Na lanterna do Brasileirão, Fluminense precisa de alternativa ao Dinizismo

Não é mandando embora o treinador que o campeão da América vai se recuperar, mas Diniz precisa pensar além de seus conceitos

Não acredito em uma única forma de se jogar futebol. Por mais que uma equipe seja dominante, bem treinada, recheada de talentos, é preciso lembrar que desempenho e resultados dependem dos adversários. É um duelo constante de ideias e conceitos, de adaptação rápida a modelos de jogo e a situações de momento, que pedem decisões rápidas.

Campeão da Liberadores, sendo fiel ao seu conceito particular de futebol, Fernando Diniz enfrenta um dilema no Fluminense. O time está sem energia, cansado, e não consegue mais implantar seu estilo de jogo. Longe disso, vem sendo frequentemente subjugado pelos adversários. Na derrota para o Flamengo, até conseguiu ter mais posse de bola, 54%, mas finalizou apenas duas vezes e não criou nenhuma chance real de gol. O Flu é um time inofensivo longe de sua característica de posse opressiva.

Atribuir o cansaço à média de idade da equipe (que é de pouco mais de 27 anos quando se analisa o total de 41 jogadores à disposição) é desonesto intelectualmente. O Flu é um time cansado porque teve problemas no planejamento da temporada, muitos jogadores não descansaram como deveriam, e o trabalho de preparação foi prejudicado. Além de uma série de lesões.

Fluminense precisa de mudança de postura

Mas o mais importante é que Diniz não apresenta uma alternativa de jogo para estancar o sangramento. O Tricolor das Laranjeiras simplesmente não sabe como agir se sua ideia de jogo não se aplica. Falta uma postura tática reativa, um posicionamento voltado ao contragolpe, uma mudança de postura para equilibrar as ações quando aquela imposição de jogo não se concretiza.

Trata-se de esquema tático mais do que sistema de jogo, coisas muito diferentes. Um sistema 3-6-1 pode soar defensivo no papel, mas é possível que taticamente um time seja extremamente ofensivo com essa formação. Assim como um 4-3-3 não garante uma equipe efetiva no ataque se taticamente ela não pratica movimentos nesse sentido.

Quando se fala de falta de energia para um atleta de 22 anos, como John Kennedy, que se arrastava pelo Maracanã nos minutos finais do clássico e mal reunia forças para uma arrancada, além do cansaço evidente, verifica-se o equívoco da estratégia. O Fluminense é um time que se incomoda sem a bola e não sabe o que fazer para recuperá-la e voltar a ter o domínio das ações. Para recuperar a bola, como fez muito bem o Flamengo no clássico, é preciso energia e movimentos coordenados após a perda.

Com a recuperação física – se der tempo – de jogadores importantes, em especial Cano, a volta de John Arias (o Flu perdeu todos os jogos desde que ele foi para a Copa América) e a provável entrada de Thiago Silva com sua autoridade técnica, vislumbra-se espaço para a recuperação.

O problema passa a ser a urgência. Com apenas seis pontos em 11 jogos, aproveitamento de 18%, quatro derrotas consecutivas e saldo negativo de nove gols, o Fluminense jogará em modo emergencial a partir do segundo terço do Brasileirão. Além de precisar negociar situações com as tabelas, já que está vivo na Libertadores e na Copa do Brasil.

É fundamental que Diniz não transforme suas convicções em teimosia. Os fatos estão gritando nas Laranjeiras.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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