Brasileirão Série A

O Red Bull Bragantino vira contra o expressinho do Palmeiras e se torna vice-líder

O Palmeiras fez um bom primeiro tempo com sua garotada e marcou com Endrick, mas caiu de nível na segunda etapa e o Red Bull Bragantino mereceu a virada

O Red Bull Bragantino está consolidado no Brasileirão. O Massa Bruta contrata bons jogadores e costuma oferecer um ambiente mais tranquilo aos seus treinadores. O trabalho de Pedro Caixinha é muito bom e agora coloca o time na vice-liderança da Série A. O Braga tinha um compromisso crucial no Estádio Nabi Abi Chedid, contra o Palmeiras, logo acima da tabela. Contudo, visando a Libertadores, Abel Ferreira escalou uma equipe cheia de garotos. O expressinho alviverde até competiu bem e, depois de suportar a pressão inicial, fez um grande primeiro tempo. Contudo, o time caiu de ritmo e o Bragantino aproveitou a segunda etapa. Dominou e, mesmo sem apresentar um futebol tão vistoso, virou por 2 a 1. O gol decisivo saiu aos 45 do segundo tempo, com Eric Ramires.

Os méritos do Red Bull Bragantino são claros na partida. A equipe começou com atitude e, no momento em que o Palmeiras cresceu, conseguiu evitar o estrago. Teve um pouco de sorte, com duas bolas na trave, até uma melhora antes do intervalo. Já no segundo tempo, o Braga impôs um domínio territorial e colheu os frutos. Pesou a experiência. O resultado pode ser custoso ao Palmeiras na tabela, mas não foi uma atuação ruim. O time tinha sete titulares que foram campeões da Copa São Paulo e a garotada demonstrou atitude. Amassou em parte do primeiro tempo, com direito a belo gol de Endrick. Porém, faltou mais consistência na etapa final. Agora é voltar os pensamentos para o Boca Juniors, na semifinal da Libertadores nesta quinta-feira.

O Red Bull Bragantino não tinha motivos para poupar forças. Pedro Caixinha escalou seu time num 4-2-3-1. Cleiton era o goleiro, com Aderlan, Realpe, Léo Ortiz e Juninho Capixaba na zaga. Jadsom e Matheus Fernandes fechavam o meio. Vitinho, Lucas Evangelista e Helinho eram os meias, com Eduardo Sasha mais à frente. Abel Ferreira montou seu expressinho num 4-2-3-1. Marcelo Lomba estava no gol, com Gustavo García, Luan, Naves e Vanderlan na defesa. Richard Ríos e Fabinho eram os volantes. A trinca de meias tinha Luis Guilherme, Jhon Jhon e Breno Lopes. Endrick era a estrela na frente.

Baita primeiro tempo

O Red Bull Bragantino parecia disposto a aproveitar a inexperiência do Palmeiras. As chances se sucediam nos primeiros minutos, sem que o Massa Bruta tivesse medo de finalizar. A equipe da casa recuperava rapidamente a bola, com sua marcação adiantada, e atacava com velocidade. Eduardo Sasha poderia ter feito o primeiro aos nove. Lucas Evangelista cruzou e o atacante bateu na parte externa da trave. Logo depois, o abafa do Braga teve dois lances em sequência. Marcelo Lomba pegou a bola rasteira de Juninho Capixaba e depois ainda abafou Lucas Evangelista – no que era uma chance perdida enorme. E os desperdícios custaram caro.

A resposta do Palmeiras foi com o gol, aos 15 minutos. Jhon Jhon foi excelente para armar o contra-ataque, com um giro na intermediária defensiva e o passe em profundidade. Endrick arrancou no meio dos zagueiros e driblou Cleiton, antes de mandar às redes vazias. Não era apenas um respiro aos alviverdes, como também uma injeção de adrenalina. A confiança dos garotos cresceu demais com o tento. E a velocidade da equipe passou a atormentar o Bragantino, com sucessivos contragolpes. Cleiton pegaria um chute fechado de Luis Guilherme na sequência. Pouco depois, Luis Guilherme soltou a bomba de fora da área e carimbou a trave. Era um amasso dos alviverdes, que tiveram outra bola na trave aos 23, com Breno Lopes. O “veterano”, aliás, ia muito bem em seu trabalho na circulação. Richard Ríos ainda acertou uma bomba que Cleiton desviou por cima.

Demorou para o Red Bull Bragantino recobrar os sentidos. O ataque da equipe passou a ser neutralizado pelo bom trabalho do meio-campo do Palmeiras na marcação e a defesa estava exposta. Foi somente aos 35 que o Massa Bruta teve uma oportunidade novamente, numa pancada de Lucas Evangelista que passou ao lado da meta. Mas não que isso acuasse os palmeirenses. A garotada continuava acesa e, nos acréscimos, Endrick tentou marcar até de bicicleta. Quando Vitinho entrou em velocidade do outro lado e teve espaço para empatar, pegou torto na bola e isolou.

Red Bull Bragantino domina e vira

Eric Ramires era novidade do Red Bull Bragantino no segundo tempo, na vaga de Jadsom. O Massa Bruta ficava mais com a bola, mas com dificuldades para superar a compactação da zaga do Palmeiras. Quando as finalizações pintavam, eram ruins e não incomodavam Marcelo Lomba. Do outro lado, os alviverdes não tinham a mesma conexão nos contra-ataques, sem que os lançamentos para Endrick saíssem redondos. Era uma segunda etapa num ritmo mais lento. Ainda assim, o o Braga pôde ir para a marca da cal aos 14, num pênalti após toque de mão de Richard Ríos. Eduardo Sasha cobrou no meio e superou Marcelo Lomba para empatar.

Thiago Borbas e Matheus Gonçalves entraram no Red Bull Bragantino logo depois, enquanto Luis Guilherme deu lugar a Kevin Macedo no Palmeiras. Era um momento melhor do Massa Bruta. Lomba bateu roupa contra Vitinho e evitou o rebote nos pés de Thiago Borbas. Pouco depois, Thiago Borbas mandou uma cabeçada ao lado do gol, na rede pelo lado de fora. O Palmeiras sentia o ritmo da partida e realizou três trocas aos 29. Entraram Ian, Jaílson e Flaco López, com Endrick, Vanderlan e Fabinho substituídos – os dois primeiros com problemas físicos.

O Red Bull Bragantino mantinha o domínio territorial na reta final. Não era tão incisivo, mas acuava o Palmeiras. Um susto veio num cruzamento venenoso de Capixaba, que Lomba desviou com a ponta dos dedos. Entretanto, o Massa Bruta perdeu qualidade com as trocas no meio-campo. Era um final de jogo truncado, mas o Bragantino ainda tinha mais recursos. Conseguiu a virada numa bola cruzada, aos 45 minutos. Capixaba levantou, Lucas Evangelista desviou e Eric Ramires fechou no segundo pau para definir. Kauan Santos, que tinha acabado de sair do banco, ainda quase empatou num tiro cruzado que passou zunindo a meta de Cleiton. Porém, era um segundo tempo apagado dos palmeirenses. Nos nove minutos de acréscimos, o Braga gastou o tempo sob gritos de olé e marcou forte quando necessário. Segurou na unha a vitória.

O Red Bull Bragantino chega aos 45 pontos, na segunda colocação do Brasileirão. O resultado é bom para o Botafogo, com 51 pontos, que pode abrir vantagem se vencer o Goiás nesta segunda-feira. Já o Palmeiras cai para a quarta colocação, com a segunda derrota consecutiva. A Libertadores fica à frente da Série A como objetivo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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