Libertadores

Palmeiras: Trivela aceita desafio de Abel e lista o que pode ser mudado no time contra o Boca Juniors

Palmeiras não fez boa partida, mas há ajustes que podem melhorar o time

O empate sem gols com o Boca Juniors, na primeira partida da semifinal da Libertadores, na última quinta (28), deixou o alerta ligado e lições a serem estudadas pelo Palmeiras. Em que pese Abel Ferreira ter enfatizado que sua estratégia de marcar o Boca em seu campo surpreendeu a equipe argentina, foi o time de Jorge Almirón quem comandou as ações e esteve mais perto da vitória em La Bombonera.

E já que Abel, em sua entrevista coletiva pós-jogo, afirmou que fez o melhor que podia com o material humano que tinha à disposição, além de solicitar aos jornalistas que lhe dessem sugestões de como resolver os problemas do time, a Trivela aceitou o pedido irônico e ácido do português e listou abaixo o que precisa mudar no Allianz Parque.

Raphael Veiga precisa jogar e o time precisa ter jogo pela esquerda

 

O camisa 23 também não ficou feliz quando a Trivela lhe indagou sobre sua dificuldade para encontrar espaços e, para ser mais direto, pegar na bola – em especial na primeira etapa do embate contra os argentinos.
Já no segundo tempo, ocupando uma faixa de campo mais à esquerda, Veiga apareceu em três oportunidades. E por mais que não tenha conseguido finalizar com precisão, ao menos bateu no sentido da meta do goleiro Romero.

O maior problema de Veiga não conseguir jogar foi o fato de o lado esquerdo ter ficado sem força ofensiva. Piquerez, por exemplo, pouco participou do jogo. De modo que cabe a Abel encontrar uma maneira de fazer com que seu único meia de criação consiga criar – e que o lado esquerdo tenha alguma utilidade.

Já que Veiga terá marcação individual, trazê-lo para armar jogo pela ponta, de fato, pode fazer com que o miolo do meio-campo do Boca se abra. E se haverá um corrredor, ou Piquerez, ou um segundo meia, como por exemplo John John ou Luis Guilherme, precisa ocupar tal setor.

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Ou Mayke ou Rocha

Houve mais de um jogo em que o sistema com Mayke na ponta e Rocha como terceiro zagueiro ou lateral, funcionou. Mas não foi o caso do jogo contra o Boca. O uso de Mayke como ponta vem enfraquecendo o ataque e a defesa ao mesmo tempo. Voltar o camisa 12 para sua função original vai tirar do time Marcos Rocha, que vem em fase oscilante. Ao mesmo tempo em que vai potencializar, por exemplo, o trabalho de Arthur, que faz boa dupla com ele pela direita.

É preciso alguém que aja como Dudu

É óbvio que Dudu é insubstituível. Aliás, mesmo pensando em outros elencos do Brasil, talvez não exista um outro jogador para jogar com a qualidade que o meia tem. Mas para além de sua individualidade, Dudu faz um papel tático no campo, ajuda Piquerez a jogar e, afunilando, se approxima de Rony para tabelas.

No elenco, só existe um jogador com características minimamente semelhantes às de Dudu, ainda que esteja do lado diametralmente oposto ao de Dudu em termos de experiência e hierarquia. O garoto Kevin é o único capaz de emular o comportamento do Baixola, como o atacante é chamado pelos companheiros. Mas se a pouca rodagem é empecilho, Jhon Jhon tem um pouco mais de minutagem.

Por que não Endrick? E Rony é ponta sim

Abel já deu pistas que, em algum momento de sua recente evolução, Endrick perdeu um pouco do foco. Mas se o camisa 9 não é uma solução melhor para o ataque que manter Mayke improvisado, talvez o Real Madrid tenha sido enganado pelo Verdão.

O Palmeiras chutou pouco a gol, foi, mais uma vez, lento, previsível e pouco perigoso. Alguma individualidade precisa entrar em campo, alguém que consiga driblar e causar tumulto na defesa do Boca. Em dias bons, que ele já teve no Palmeiras, Endrick fez tudo isso.

Mas, para que o garoto jogue, Rony precisa sair da posição de 9 e jogar como ponta – algo que ele fez em toda sua carreira, inclusive conquistando títulos pelo Palmeiras e pelo Athletico-PR.

Um pouco diferente, mas da mesma função, Flaco López teve bons momentos no time. Pode também ser uma saída.

Abel tem, com razão, extremo orgulho de ter melhorado o futebol de Rony, inclusive tendo feito com que ele fosse para a seleção. Mas o camisa 10 foi ponta sim, inclusive com Abel, em alguns momentos. Trata-se de um momento de contingência.

Com Rony na ponta, Abel amplia o jogo do Verdão pela esquerda e ainda abre o corredor interno por esse lado para Raphael Veiga aparecer onde mais deu trabalho para o Boca.Palmeiras não fez boa partida, mas há ajustes que podem melhorar o time

Ensinar o “Pai Nosso” ao vigário

Quem manda é Abel Ferreira. E a Trivela não duvida que ele, que vê e comanda todos os treinos, tendo o time nas mãos, saiba muito mais de futebol que a reportagem.

Mas já que ele perguntou, e também gosta muito de dizer como os jornalistas devem fazer seu ofício, seguem para ele, as nossas sugestões.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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