Brasileirão Série A

Cruzeiro tem aproveitamento de ‘campeão’ ou ‘rebaixado’ a depender da posse de bola

Treinado por Leonardo Jardim, Raposa se caracteriza por estilo de jogo distinto ao que tinha com o comandante anterior

Apesar de um bom elenco, poucos esperavam ver o Cruzeiro no meio de Flamengo e Palmeiras, as duas grandes potências do país nos últimos anos, na disputa pelas primeiras posições do Brasileirão após 22 rodadas. E parte desse sucesso da Raposa vem, a depender, de quanto tem ou não tem a posse da bola.

A equipe mineira, segundo lugar da competição com 44 pontos, se consolidou com um estilo de jogo vertical e de ataque em velocidade após a chegada do técnico Leonardo Jardim, muito distinta do que era com Fernando Diniz entre setembro do ano passado até março deste ano.

No Campeonato Brasileiro, quando eles apostaram nessa estratégia de ter menos a bola e atacar de forma mais veloz, venceram 11 jogos, incluindo os dois últimos contra São Paulo e Internacional, empataram dois e perderam só para o Inter, ainda na segunda rodada. O aproveitamento é de 83.3%, digno de campeão nacional. Os dados foram publicados pelo perfil DataFut, na rede social X (ex-Twitter).

Às vezes, as outras equipes têm muito mais posse porque quando estamos ganhando deixamos eles tocarem a bola lá atrás e vamos descansando as costas — brincou, aos risos, Jardim em entrevista coletiva após bater o Colorado com menos posse em 23 de agosto.

Por outro lado, nos momentos que o Cruzeiro foi obrigado a ter mais a bola e atacar contra defesas mais fechadas, sofreu muito. Em oito partidas com esse contexto, só ganhou duas (Sport e Fortaleza), perdeu três e empatou outras três, somando aproveitamento de 37.5%, digno de time rebaixado ao término de 38 rodadas.

O importante da posse, na minha opinião, é se é estéril ou não, uma posse em que trocam passes entre zagueiros e laterais, zagueiro e laterais… O Cruzeiro, antes de eu chegar aqui, tinha uma posse muito alta. E essa posse era significado de jogar bem ou atacar? Não — disse o técnico português, na mesma entrevista.

— Aí você me diz que é uma posse dentro do campo do adversário, entrelinhas, top. […] Posse, para mim, é se for para construir, agressiva, para jogar no campo do adversário. Aquela outra posse, ninguém conta.

Por que Cruzeiro com menos posse dá tão certo?

Jardim entendeu o que tinha em seu elenco e apostou em um estilo de jogo que tornou seu camisa 9 o artilheiro do Brasileirão. Especialista em ataque ao espaço por sua velocidade, Kaio Jorge recuperou a boa fase na carreira e se deu muito bem recebendo passes em profundidade ou lançamentos antes de marcar.

Ele soma 15 gols só no Brasileirão, desempenho que o fez ser convocado à seleção brasileira pelo técnico Carlo Ancelotti.

Kaio Jorge no Brasileirão 2025:

  • 21 jogos (todos como titular)
  • 15 gols
  • 5 assistências
  • Líder em finalizações totais (66) e certas (28)

Fonte: “SofaScore”

Junto dele, Matheus Pereira manteve sua influência na criação de jogadas do time. Como um meia que tem qualidade no passe e liberdade de posicionamento, foi o responsável pela iniciação de várias das jogadas rápidas que culminaram em vitórias do Cruzeiro.

Ele não esteve convocado na última Data Fifa, mas estava presente na pré-lista da Seleção. As presenças de pontas como Wanderson e Marquinhos, ambos muito rápidos, e volantes com qualidade no passe, caso de Lucas Silva, justifica o porquê da filosofia cruzeirense dar tão certo.

Matheus Pereira no Brasileirão 2025

  • 7 grandes chances criadas
  • 6 assistência
  • 40 passes decisivos
  • 414 passes certos no campo de ataque
Matheus Pereira e Kaio Jorge comemoram gol do Cruzeiro
Matheus Pereira e Kaio Jorge comemoram gol do Cruzeiro (Foto: Imago)

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Elenco se reforçou para compensar momentos que tiver mais a bola

Nos jogos em que o Cruzeiro se viu mais com a posse, cenário no qual perde mais, chamou atenção a dificuldade do time em criar espaço para que consiga, enfim, furar o bloqueio adversário.

Uma das formas para isso seria a presença de um driblador no elenco, característica que não acompanha Wanderson, Christian ou outro atacante de lado de campo. O grupo de jogadores do Cabuloso é talhado para o jogo em transição.

Leonardo Jardim deixou claro essa insatisfação após empate em 0 a 0 com o CRB, precedido por uma derrota para o Ceará em casa.

— Ainda não descobri nenhum ‘Everton Ribeiro’ ou ‘Arrascaeta’ que consiga, em pequenos espaços, driblar um, dois, dar o último passe, dar assistência, fazer gol… isso não temos. Quero reforçar a equipe para trazer um jogador diferente para certo estilo de jogo. Temos jogadores para outro estilo, quando precisamos colocar 10 atrás da linha da bola — disse.

— Nós, como clube, procuramos alguns jogadores que acrescentem ao grupo, não é por falta de competência, mas é por ter outras qualidades, outras vertentes, principalmente quando estes adversários são tão baixos e a gente não tem espaço para transitar — completou.

O Cruzeiro buscou essas características no mercado e as encontrou em Keny Arroyo, equatoriano de 19 anos, e Luis Sinisterra, de 26. O segundo, colombiano com mais rodagem e preparado para se adaptar mais rápido, já ganhou minutos contra o São Paulo.

— Minhas qualidades são de velocidade, determinação, drible no um contra um e busca pelo controle. Espero mostrar tudo isso aqui e, obviamente, aprender coisas que eu possa precisar — disse Sinisterra sobre seus pontos fortes.

Para um time que quer continuar na briga pelo título nacional, saber jogar e ter qualidade para furar o bloqueio de defesas recuadas é parte essencial que a dupla de contratados deve contribuir. Contra o Bahia nesta segunda-feira (15), no entanto, o Cruzeiro deve novamente ser o time com menos posse, visto o fator casa e o estilo de jogo dos baianos.

Ranking de posse de bola no Brasileirão:

  • 1. Flamengo: 62.3%
  • 2. Corinthians 56.6%
  • 3. Vasco 55.5%
  • 4. Atlético Mineiro 55.2%
  • 5. Bahia 54.9%
  • […]
  • 16. Cruzeiro 46.5%
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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