Como Leonardo Jardim mudou o Cruzeiro de inconstante a líder do Brasileirão
Técnico português imprime estilo que o consolidou no Monaco e surpreende no Brasileirão
Leonardo Jardim chegou ao Cruzeiro em fevereiro deste ano, substituindo um dos primeiros demitidos da temporada no Brasil, Fernando Diniz. Desde então, teve tropeços na Sul-Americana, mas conseguiu transformar o Cabuloso e levá-lo a liderança do Campeonato Brasileiro. Como?
Romper com um trabalho de Diniz, mesmo que não tão longevo, tem seus desafios. Mas também pode ser um banho de renovação para um elenco que talvez não tenha encaixado tanto às ideias do antigo treinador.
E mais do que isso: a quebra nas filosofias foi gritante. O Cruzeiro do treinador português não faz questão de ter a posse de bola — algo que pode parecer impensável para um time que performe tão bem quanto um líder de campeonato.
Nessa análise, a Trivela explica como o time celeste se tornou a grande sensação da temporada.
Cruzeiro foi de quem ama a quem odeia a bola… e deu certo

A filosofia de Fernando Diniz preza pelo domínio da posse de bola, com construção desde a defesa e toques curtos para chegar ao ataque. Entretanto, como os resultados e atuações do Cabuloso não foram satisfatórios, a gestão celeste optou pela troca de comando.
Para o seu lugar, o Cruzeiro decidiu repaginar completamente seu conceito de futebol. Com Jardim, foi de quem ama ter a bola a quem não preza tanto assim pela posse. E a estratégia funciona graças à rápida transição ofensiva.
Cruzeiro no Campeonato Brasileiro:
- 18º na média de posse de bola: 44,2%
- 19º em passes certos por jogo: 274
- 2º melhor ataque: 23 gols marcados
- 2º em grandes chances criadas: 31
- 4ª melhor defesa: 9 gols sofridos
Dados do Sofascore.
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Por que a estratégia funciona?
Quando a equipe está sem a bola, a ordem é fazer uma marcação alta na saída do adversário para realizar o desarme ou forçar o erro de passe. Com isso, o Cruzeiro aumenta suas possibilidades de atacar ao gol em ótima posição para finalização.
Já em situações onde o Cabuloso recupera a bola em seu próprio campo, o técnico português incentiva seus jogadores a avançarem em velocidade no contra-ataque. Com poucos toques verticais e bolas longas em direção às pontas, a equipe consegue realizar uma verdadeira blitz na defesa adversária.

Pautado em um 4-2-3-1, Leonardo Jardim libera seus laterais (Kaike e William) para avançar até a linha de fundo. Esse movimento permite alargar a primeira linha do rival, já que os pontas (Wanderson e Christian) criam sobrecarga na faixa central do gramado.
Matheus Pereira tem liberdade para flutuar entre as linhas, o que costuma abrir espaços para Kaio Jorge. Aliás, o centroavante do Cruzeiro é especialista em atacar as costas da defesa, pois tem força e agilidade para superar seus marcadores.
Outro detalhe importante é que o Cabuloso busca ter superioridade numérica no setor ofensivo para facilitar a construção. Caso a bola esteja no lado direito, por exemplo, o ponta oposto invade a grande área para roubar a atenção de um dos defensores.
Em outras palavras, todas essas características do time celeste priorizam a objetividade do ataque. Não é preciso segurar a bola por longos minutos, tocando de um lado para o outro. A partir do momento que a posse é do Cruzeiro, basta acelerar o jogo para pegar o adversário desorganizado lá trás.



