Brasileirão Série A

Corinthians contratou jogadores com passado campeão, mas só gratidão e nostalgia não levantam taças

A inegável quantidade de títulos, 37 ao todo, de metade do elenco não resolve problema do atual Corinthians

Não há como negar que o elenco corinthiano é um grupo vencedor. Pode não ter sido nos últimos três anos, mas só a prateleira de títulos do goleiro Cássio, por exemplo, é mais completa do que muitos times pelo Brasil. “No papel”, como se diz, o time ideal do Corinthians tem qualidade, mas dentro do campo as atuações mostram um ano muito abaixo de toda a equipe

Dentre tantos problemas vividos pelo Corinthians na temporada 2023, um dos principais tem sido a condição física dos jogadores mais experientes, dificuldade enfrentada já nos últimos anos. O quadro é reflexo das contratações feitas nos últimas janelas, nas quais a diretoria do alvinegra optou por repatriar jogadores com passagens inegavelmente vencedoras ao invés de buscar “sangue novo” e mirar um projeto à longo prazo.

A escolha da gestão Duílio pelo retorno de atletas já campeões se baseia sim na extrema gratidão ao trabalho realizado pelos jogadores no passado, mas também evidencia comodidade, já que nomes como Gil, Fábio Santos e Renato Augusto obviamente teria mais aceitação por parte da torcida e baixa necessidade de (re)adaptação ao clube.

Só gratidão não faz um time campeão

Segundo o dicionário gratidão é: 1. Qualidade de quem é grato; 2. Reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.; 3. Agradecimento.

E foi assim que a atual da diretoria conduziu as contratações para a temporada, buscando jogadores que já tiveram passagem pelo clube em uma tentativa de repetir os anos outrora vencedores. Prova disso foram os anúncios e a frase: “O Corinthians é grato” dita pelo presidente Duílio Monteiro Alves em todas as coletivas de apresentação. 

É preciso ressaltar também que para viabilizar o retorno de alguns desses nomes consagrados na história do clube, a diretoria acabou se colocando em enrascadas, como o caso do Paulinho, que chegou pela segunda vez ao clube com uma gigantesca ação em uma parceria duvidosa entre clube e a Tausa, empresa que supostamente arcaria com o pagamento do jogador.

No fim das contas, patrocinadora não cumpriu com a parte dela no contrato e o Corinthians ficou com a conta toda. Para piorar o cenário que já era negativo para a gestão Duílio, Paulinho foi impedido te ter sequência em seu retorno por lesões graves.

O roteiro dessas contratações é basicamente o mesmo na maioria dos casos: euforia por parte da torcida – afinal, são atletas que fizeram parte de elencos que marcaram a vida de torcedores de toda uma geração e, posteriormente, frustração por baixo rendimento em campo e/ou sequências de lesões.

O risco corrido pela gestão Duílio deveria ter sido avaliado caso a caso, mas não parece ter sido o que aconteceu. Resultado final é que ídolos do clube acabam passando por situações que não condizem com suas trajetórias vitórias, como foi o caso de Gil – intimidado por torcedores em hotel onde o clube se hospedava – e Fábio Santos, vaiado após eliminação do time para o Fortaleza, na Copa Sul-Americana.

A mescla de retorno de grandes ídolos com aposta em jogadores da base (muitos vendidos após pequenas boas sequências no time titular) resultou em zero títulos para a gestão atual, ainda que o clube, mesmo bagunçado em diversas instâncias, tenha atingido a final da Copa do Brasil em 2022 e duas semifinais (Copa do Brasil e Sul-Americana) em 2023.

Jogadores multicampeões com a camisa do Corinthians parecem estagnados 

Ao todo são oito jogadores na lista de multicampeões no elenco atual: Cássio, Gil, Fagner, Fábio Santos, Maycon, Paulinho, Renato Augusto e Romero. Somando a quantidade de títulos de casa um deles, o total é de 37 conquistas. 

O auge desses títulos foi de 2012 a 2017, último ano em que o Corinthians conquistou o Campeonato Brasileiro. Depois disso o Timão teve a conquista de mais dois Paulistão, o último em 2019. Desde então, o clube iniciou uma sequência de temporadas irregulares, que não resultaram em nenhuma conquista. 

Mesmo com seus currículos consagrados, alguns desses jogadores parecem estarem estagnados no Corinthians. Não parece se tratar de motivação, como é o caso dos valentes Fagner e Gil, por exemplo. Ainda assim, a instituição precisa se questionar se esses jogadores ainda têm algo a oferecer ao clube ou se é momento de encerrar a história por aqui.

Número de títulos por atletas

  • Cássio: Libertadores (2012), Mundial (2012); Campeonato Brasileiro (2015 e 2017); Campeonato Paulista (2013, 2017, 2018 e 2019) e Recopa (2013).
  • Paulinho: Libertadores (2012), Mundial (2012); Campeonato Brasileiro (2011) e Campeonato Paulista (2013)
  • Fagner: Campeonato Brasileiro (2015 e 2017); Campeonato Paulista (2017, 2018 e 2019)
  • Fábio Santos: Libertadores (2012), Mundial (2012); Campeonato Brasileiro (2011 e 2015); Campeonato Paulista (2013) e Recopa (2013)
  • Gil: Campeonato Brasileiro (2015); Campeonato Paulista (2013) e Recopa (2013)
  • Renato Augusto: Campeonato Brasileiro (2015); Campeonato Paulista (2013) e Recopa (2013)
  • Maycon: Campeonato Brasileiro (2017); Campeonato Paulista (2018)
  • Romero: Campeonato Brasileiro (2015 e 2017);Campeonato Paulista (2017 e 2018)
Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância e transformou a paixão em profissão. Além do futebol, se mantem por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhou como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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