Brasileirão Série A

Botafogo: como Bruno Lage perdeu o comando do time em um mês e acabou demitido

Antes mesmo de barrar Tiquinho Soares, Bruno Lage já era questionado por suas escolhas e perdeu a confiança do elenco do Botafogo

Depois de menos de três meses de trabalho, a passagem de Bruno Lage pelo Botafogo terminou de forma melancólica, com os próprios jogadores pedindo a saída do treinador. Sem conseguir manter o embalo do time no Campeonato Brasileiro e perdendo a confiança do próprio elenco, o português foi demitido por pressão interna, por mais que ainda tivesse um certo prestígio com a direção e, principalmente, John Textor, dono da SAF do Botafogo.

Mas Bruno Lage começou a cair muito antes de barrar Tiquinho Soares na partida contra o Goiás, na última segunda-feira, no Nilton Santos. A eliminação da Copa Sul-Americana, por mais que não fosse prioridade do clube, e, três dias depois, a derrota para o Flamengo, em casa, pelo Brasileirão, começaram a minar o trabalho de Lage no Botafogo.

Respaldado pela diretoria, que também teve parcela de culpa neste processo, Bruno Lage escalou um time praticamente reserva no jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana, contra o Defensa y Justicia, no Nilton Santos. Depois do empate em 1 a 1, o técnico colocou mais titulares em campo na Argentina, mas o time novamente esteve mal e acabou eliminado da competição, desperdiçando a oportunidade do clube voltar a uma semifinal continental depois de 30 anos.

Três dias depois, no clássico com o Flamengo, pelo Brasileiro, o Botafogo perdeu a invencibilidade que sustentava como mandante na competição. Além disso, também foi a primeira derrota do clube no “tapetinho”, inaugurado em maio. E a reação de Bruno Lage depois do revés para o Rubro-Negro aumentou a já crescente desconfiança sobre o seu trabalho.

Criticado por boa parte da torcida por ter escalado JP como titular na lateral, Bruno Lage reclamou de uma suposta pressão que sofria no comando do time. Além disso, também mostrou insatisfação com as críticas aos seus atletas. Ele anunciou que estava deixando o cargo à disposição da diretoria e abandonou a coletiva. Poucas horas depois, o Botafogo, que foi pego de surpresa com a fala de Lage, confirmou que ele seguiria como técnico do clube, mas toda a situação gerou um incômodo com o elenco e a torcida.

Lage tentou chamar a atenção para si e tirar o foco dos jogadores e de uma derrota, assim como voltou a fazer depois do 1 a 0 para o Corinthians, no fim de setembro, na Neo Química Arena. Na ocasião, o português deu um soco na mesa e falou um palavrão durante a coletiva, se mostrando um pouco exaltado.

Mas a atitude depois da derrota para o Flamengo ficou marcada negativamente. O clube tentou vender a narrativa de que Lage teria se expressado mal e reforçou a ideia de que ele queria proteger o elenco – o que o próprio Bruno Lage também defendeu. No entanto, a forma como tudo ocorreu a repercussão com a torcida deixaram claro que a atitude do português foi equivocada.

Bruno Lage passou a ser questionado antes mesmo de barrar Tiquinho Soares (Foto:Vitor silva/Botafogo)

Escolhas de Bruno Lage passaram a ser questionadas

Antes de barrar Tiquinho Soares, outras escolhas de Bruno Lage também já foram questionadas. Na própria derrota para o Flamengo, o português deixou Di Placido no banco para escalar JP na lateral. A insistência em Gabriel Pires também irritou parte da torcida. O meia teve atuações abaixo do esperado recentemente, mas era um nome que agradava o técnico português.

A gota d'água, é claro, foi a partida contra o Goiás, na última segunda-feira. Lage barrou Tiquinho Soares, artilheiro do Campeonato Brasileiro, e ainda improvisou Tchê Tchê na lateral-direita, novamente preterindo Di Placido, que faz boa temporada pelo clube. Os jogadores não gostaram das duas decisões, principalmente por Lage ter avisado apenas no próprio dia do jogo a escolha por barrar o camisa 9, e ter justificado isso com as últimas atuações do centroavante.

A escolha por mudar o estilo de jogo do time também causou incômodo. Apesar de ter falado que faria uma “transição pacífica”, Bruno Lage apostou em uma time atuando com marcação alta. Não à toa, a equipe ficou mais desorganizada, o que ficou evidente na partida contra o Goiás, com linhas bagunçadas.

Botafogo aposta no próprio elenco

Agora, após escutar os jogadores para tomar a decisão de demitir Bruno Lage, a direção do Botafogo vai deixar a sequência do Campeonato Brasileiro nas mãos do grupo. E isso inclui o interino Lúcio Flávio, que será auxiliado pelo ex-jogador Joel Carli, aposentado no meio da temporada. De acordo com o “ge”, os próprios atletas pediram o argentino como auxiliar de Lúcio Flávio.

O primeiro desafio da dupla Lúcio Flávio e Joel Carli é no próximo domingo (8), às 16h (horário de Brasília), no clássico com o Fluminense, no Maracanã. Líder do Brasileirão, o Glorioso tem sete pontos de vantagem sobre o Red Bull Bragantino.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues é jornalista formado pela UFF e soma passagens como repórter e editor do Lance!, Esporte News Mundo e Jogada10.
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