Brasileirão Série A

Mesmo com a derrota, o Bahia de 2024 é real e pode brigar na parte de cima da tabela

A derrota para o Flamengo deixou o torcedor frustrado, mas não pode apagar o bom começo do time do Brasileirão

Quem analisar a derrota do Bahia por 2 x 1 para o Flamengo apenas pela ótica da tabela e a oportunidade de liderança perdida, dirá que o time decepcionou seu torcedor. Mas há muita coisa escondida por trás da frustração dos tricolores após o resultado desta quinta-feira (20).

O fato é que, em 2024, ao menos até o fim da décima rodada do Campeonato Brasileiro, o Bahia comandado por Rogério Ceni não veio para apenas cumprir tabela no Campeonato Brasileiro, e nem brigar contra o rebaixamento. O Bahia de 2024 é real, mas, por vezes, a realidade pode ser um pouco mais complicada do que o torcedor imagina.

71% de posso de bola no primeiro tempo contra o Flamengo no Maracanã

O primeiro tempo de Bahia e Flamengo foi, de certa forma, inédito para os torcedores das duas equipes – talvez, até mais no ponto de vista rubro-negro. Qual foi a última vez que uma equipe dominou o Flamengo no Maracanã?

Na primeira metade do jogo, o Bahia teve 71% de posse de bola e o controle absoluto das ações, que foram equilibradas na segunda parte por um Flamengo mais batalhador e agressivo nas decisões, que foi coroado com um gol de David Luiz nos instantes finais da partida.

Porém, em pouco mais de 90 minutos contra um Flamengo que, mesmo desfalcado, tinha Gerson, Everton, Luiz Araújo e Pedro no setor ofensivo – Bruno Henrique, Allan e Gabriel Barbosa mais tarde -, foram 719 passes trocados pelo time de Rogério Ceni, com 92% de precisão.

Experiência e qualidade individual resolveram para o Flamengo

O Flamengo ficou menos com a bola e tocou muito menos ela também. Foram 368 tentativas de passe com uma precisão de 86%. Em números frios, o Bahia teve mais o dobro de passes – tentados e certos.

Os comandados de Tite chegaram ao gol justamente pela imensa qualidade individual dos seus jogadores, quando Pedro rolou para Gerson acertar um chutaço da entrada da área e abrir o placar; e no segundo tempo, garantiu a vitória no lance já citado.

A comemoração e euforia dos jogadores do Flamengo após o fim do jogo diz muito do que foi esse confronto. O time carioca precisou se superar para vencer o Bahia no Maracanã.

— Jogamos contra um time muito qualificado. O Bahia fez um grande jogo, teve o controle a maior parte do tempo, fizemos um jogo com uma estratégia totalmente diferente — disse David Luiz, em entrevista pós-jogo.

Para o Bahia, faltam ajustes

O bom jogo coletivo de controle e troca de passes não pode encobrir as falhas do Bahia e o que a equipe precisa fazer para evoluir e continuar brigando na parte de cima da tabela.

O time ainda é pouco produtivo no último terço do campo – ali naquela região onde as coisas são resolvidas. Embora troque muitos passes durante o jogo, falta ao Bahia o poder de decisão e aproveitar o controle para criar as oportunidades necessárias para garantir a vitória.

O Bahia finaliza pouco. E a bronca do torcedor tricolor não é de agora. Na eliminação contra o CRB, na semifinal da Copa do Nordeste, o Bahia acertou o gol apenas uma vez. Nesta quinta, contra um Flamengo com muito menos tempo e controle de bola, o Esquadrão não apenas chutou pouco ao gol como finalizou menos e com muito menos perigo – dentro e fora da área.

E em algumas oportunidades que criou, o Bahia falhou hora na pontaria, hora na força do arremate.

— A nossa dificuldade é atingir a última linha, ter as oportunidades de gol. No segundo tempo nos faltou isso, no primeiro tempo até tivemos boas chances de gol, boas finalizações, mas tenho que elogiar os jogadores pelo que fizeram. Só falta essa última bola, essa última profundidade, finalizar um pouco mais — disse Rogério Ceni, na coletiva após a derrota para o Flamengo.

Sem terra arrasada: o torcedor sabe que o Bahia de 2024 pode brigar na parte de cima

A evolução do Bahia de 2023 para o Bahia de 2024 é nítida. A essa altura, na temporada passada, o time tricolor tinha nove pontos, cinco derrotas e apenas duas vitórias. Hoje, é justamente o contrário. São cinco vitórias, duas derrotas e o dobro de pontos.

Em 2023, o Bahia só foi fazer o seu 18º ponto na décima oitava rodada, quando venceu o América Mineiro por 3 x 1 na Fonte Nova, em agosto. O time chegou a ficar mais de um mês sem vencer e acumulou uma sequência de apenas duas vitórias em 18 jogos, com seis derrotas e 10 empates.

Hoje o Bahia é um time mais qualificado, com uma defesa mais sólida e um estilo de jogo bem definido. A derrota, é claro, não foi boa para os planos do tricolor que deixou de assumir a liderança pela primeira vez na era dos pontos corridos e frustrou o torcedor. Mas o cenário é positivo.

Bahia na décima rodada do Brasileirão de 2023

  • Jogos: 10
  • Pontos: 9
  • Vitórias: 2
  • Derrotas: 5

Bahia na décima rodada do Brasileirão de 2024

  • Jogos: 10
  • Pontos: 18
  • Vitórias: 5
  • Derrotas: 2

Agora, contra Cruzeiro e Vasco, ambos na Fonte Nova – domingo, 23, e quarta, 26, respectivamente -, o Bahia vai ter a chance de mostrar que pode, sim, continuar brigando na ponta da tabela. Os dois próximos jogos serão cruciais para o time voltar a pontuar e não descolar do pelotão da frente.

Foto de Márcio Júnior

Márcio Júnior

Baiano formado pela Faculdade Regional da Bahia. Cobriu de carnaval a Copa do Mundo na TVE Bahia, onde venceu o prêmio de reportagem do mês. Passou pela ALBA, Rádio Educadora, Superesportes e Quinto Quarto antes de se tornar repórter na Trivela.
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