Brasileirão Série A

Atlético-MG dominou o Corinthians, mas expulsão mudou o jogo — e Galo soube se defender

Diante do cenário da partida, em que jogou com um a menos durante todo o segundo tempo, o empate acabou sendo positivo para o Atlético

O Atlético-MG de Gabriel Milito viveu mais um diferente cenário, o quinto em cinco jogos. Dessa vez, na estreia do Campeonato Brasileiro, em uma Neo Química Arena lotada, o Galo saiu com um empate sem gols contra o Corinthians. O time atleticano até teve um domínio no primeiro tempo e mostrava que seguiria assim no segundo tempo, mas a polêmica expulsão de Battaglia mudou os rumos do jogo.

Com uma arbitragem das mais polêmicas da rodada (e olha que não faltou decisões controvérsias dos donos do apito), que conseguiu desagradar os dois times, ficou uma sensação na Neo Química Arena que o Atlético conseguiria algo melhor se o 11 x 11 seguisse em campo. O Galo, mesmo fora de casa, dominou o primeiro tempo e, no segundo, com um a menos, mostrou força defensiva para se segurar sem sofrer muito. No fim, pelo cenário que se criou, o empate acabou não sendo algo ruim.

Atlético dominou o primeiro tempo

Fazendo exatamente o que Milito disse que gosta em seus times, que é dominar os adversários, independente qual seja e onde for, o Atlético teve um primeiro tempo em que parecia estar em casa na Neo Química Arena. Com a exceção dos primeiros 10 minutos, em que o Corinthians marcou em cima e dificultou a saída de bola atleticana, o Galo teve mais posse e controle quase que total durante todo o primeiro tempo.

Com o Corinthians ou marcando em cima se recuando todo atrás da linha do meio-campo, o Atlético viu que a bola longa, principalmente nas costas da defesa, podia ser uma arma. Assim Paulinho foi achado e acabou desperdiçando um 2×1 com Hulk, e assim também o Galo marcou, com a mesma jogada do primeiro gol da final do Mineiro, com Otávio lançando Saravia invadindo a área, mas, dessa vez, o lateral estava impedido. O time de Milito acabou pecando muito no famoso último passe.

Um dos pontos positivos do Atlético no primeiro tempo é que o perde-pressiona muito exigido por Milito funcionou quase que perfeitamente. Durante boa parte da etapa inicial, a sensação é que o Corinthians não ficava mais do que 30 segundos com a bola, com o Galo sempre em posse dela ou correndo para recuperá-la rápido.

No primeiro tempo, o Atlético teve mais de 66% de posse de bola e trocou o dobro de passes que o Corinthians (101×202), o que corrobora com o domínio atleticano.

Expulsão polêmica de Battaglia mudou o jogo

Já nos acréscimos do primeiro tempo, o volante Battaglia, que estava fechando a linha de três zagueiros, acabou expulso ao receber um segundo cartão amarelo. Ele havia sido advertido com 20 segundos de jogo, em outra falta, e acabou cometendo uma nos minutos finais que resultou na segunda advertência.

O lance foi muito reclamado pela torcida do Atlético nas redes sociais. Pesou ainda que Fagner, do Corinthians, não teve um lance sequer checado no VAR após ter primeiro pisado no calcanhar de Arana e depois deixado o pé alto atingindo a coxa de Zaracho — que quase teve que ser substituído por isso. A não expulsão do lateral corinthiano irritou demais os torcedores atleticanos.

Com uma menos, Atlético não conseguiu mais dominar

No segundo tempo, com um a menos, Milito foi obrigado a tirar Igor Gomes e colocar Igor Rabello para recompor a defesa. Por conta disso, o Atlético passou a ser menos dominante na partida, já que, além de um a menos no geral, tinha um a menos no ataque, então não dava para segurar a bola na frente como na primeira etapa.

O Corinthians, empurrado pela sua torcida, cresceu no jogo e passou a ter mais o controle da bola. O Atlético, por sua vez, tentava se segurar e achar uma bola para Paulinho ou Hulk no comando de ataque, mas não teve sucesso com isso.

O jogo tenso e a qualidade de se defender que o Atlético impôs, fizeram o Corinthians não conseguir aproveitar a superioridade numérica em campo. Nos minutos finais, o Galo se soltou e tentou alguns ataques, conseguindo uma falta na meia-lua da grande área, que Scarpa bateu buscando o ângulo e parou em grande defesa de Cássio, sendo essa a melhor chance atleticana na etapa final.

Assim como no primeiro tempo a posse de bola ajudou a demonstrar o domínio, o segundo também foi assim. O Corinthians teve 61% dela, e trocou mais de 70 passes a mais (221×149). Outros dados que mostram como o Galo foi bem defensivamente são os 18 duelos aéreos ganhos, além de outros 15 cortes defensivos, sendo que no primeiro tempo teve só três nesse quesito.

Atlético soube se portar com um a menos

Com uma menos e fora de casa, era o mais óbvio que o Atlético seria mais pressionado pelo Corinthians, mesmo assim, o Galo conseguiu suportar muito bem os avanços dos donos da casa. Não deixar o time paulista crescer no jogo em nenhum momento foi o grande trunfo para o time de Milito sair pelo menos com um empate da Neo Química Arena.

A postura defensiva do time atleticano, com cada um sabendo onde devia estar e o quanto era importante correr um pouco mais, fez a diferença na etapa final. Se não deu para ser dominante com a bola por conta de estar com um a menos, o Atlético conseguiu ser dominante defensivamente, sabendo sofrer, ou melhor, não deixando haver sofrimento em boa parte do segundo tempo.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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