Brasileirão Série A

Atlético-MG e Cruzeiro recebem multas brandas por incidentes no clássico

Enquanto o Atlético-MG foi condenado a pagar R$ 83 mil, o Cruzeiro terá que desembolsar R$ 5 mil; punições foram referentes aos acontecidos na Arena MRV

Atlético-MG e Cruzeiro foram julgados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta sexta-feira (10) pelos incidentes registrados no último clássico mineiro, disputado no dia 22 de outubro, na Arena MRV, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com a bola rolando, deu Raposa, que venceu por 1 a 0, com gol contra do zagueiro Jemerson. Fora dele, muita confusão e polêmicas que viraram caso de justiça.

Os clubes foram julgados com base em diferentes artigos. No lado do Atlético-MG, foram três artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e um do Regulamento Geral de Competições da Confederação Brasileira de Futebol (RGC/CBF). Após o julgamento, o Galo foi punido por:

  • Copos arremessados pela torcida atleticana no gramado – R$ 5 mil
  • Retirar portas dos banheiros masculino e feminino do setor destinado à torcida do Cruzeiro e pela instalação de tapume que prejudicou a visão dos cruzeirenses – R$ 75 mil
  • Invasão de campo por um torcedor – R$ 1 mil
  • Desligamento do sistema de som da sala de coletivas de imprensa durante a entrevista de Zé Ricardo, treinador do Cruzeiro – R$ 2 mil

No total, o Atlético-MG terá que pagar R$ 83 mil em multas.

O Cruzeiro, por sua vez, foi julgado com base no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A Raposa foi punida por:

  • Desordem e vandalismo dos cruzeirenses no estádio – R$ 5 mil

Ambos os clubes foram absolvidos pelo acendimento de sinalizadores pelos torcedores.

Apesar das multas brandas, se consideradas as cifras que costumam girar no mundo do futebol, ambos os clubes podem, ainda, sofrer consequências legais. O Atlético-MG está sendo processado por dezenas de cruzeirenses que alegam tratamento desumano na Arena MRV. Já o Cruzeiro pode ser responsabilizado pelos danos na estrutura da arena em processo cível.

Alegações da torcida do Cruzeiro

No domingo 22 de outubro, dia da partida, o pré-jogo pouco passou pelas formações dos times e expectativa para quando a bola rolasse. Nas redes sociais e cobertura esportiva, pipocaram reclamações da torcida do Cruzeiro com as condições encontradas na Arena MRV. A Máfia Azul, maior torcida organizada do clube celeste, emitiu nota de repúdio em relação ao tratamento dado aos torcedores da Raposa. Segundo os cruzeirenses:

  • As portas das cabines dos banheiros masculinos e femininos foram retiradas;
  • Não havia papel higiênico ou sabonete nos banheiros;
  • Não foram vendidas bebidas alcoólicas; a cerveja era sem álcool;
  • Não havia bebedouros na arena e a água estava sendo vendida completamente congelada;
  • A água vendida nos bares acabou durante o jogo;
  • A presença de muitos seguranças de frente a torcida encobria a visão de parte do campo;
  • A instalação da tela de proteção e de um tapume prejudicou a visão da partida.

Cruzeiro se manifesta

O Cruzeiro, em publicação em suas redes sociais, afirmou que iria notificar “oficialmente todas as esferas e órgãos públicos para que tomem ciência dos fatos ocorridos”. O clube mineiro incentivou, ainda, que os “torcedores, ora consumidores na Arena MRV, e que se sentiram lesados na forma do Código de Defesa do Consumidor, procurarem os seus direitos junto ao Poder Judiciário e ao Procon-MG”.

Veja a nota na íntegra:

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Atlético relatou destruição do setor visitante

Apesar das medidas adotadas pelo Atlético com a intenção de evitar “possíveis atos de vandalismo e depredação do patrimônio”, o setor visitante da Arena MRV foi bastante depredado pela torcida do Cruzeiro. Começando pela parte em que os torcedores entram e saem, no caso, no portão 20 do estádio, todas as catracas foram quebradas, principalmente a parte de reconhecimento facial, tecnologia que vem sendo adotada aos poucos. No portão 19, outro usado pelos visitantes, uma câmera de segurança, que fica presa no teto, foi arrancada.

Dentro da Arena MRV, a falta de papéis nos banheiros não impediu os cruzeirenses de entupirem vários vasos no local, que ficou alagado. Os torcedores usaram de tudo para tampar a saída dos sanitários, desde copos de água até alarmes de emergência, que foram arrancados das paredes dos banheiros de PCDs. Além disso, tampas de alguns vasos foram arrancadas.

Nas arquibancadas, um prejuízo e uma depredação ainda maior. Até o momento da postagem desta reportagem, a Arena MRV tinha identificado mais de 150 cadeiras destruídas pelos cruzeirenses. O Atlético ainda relatou que funcionários de limpeza do estádio sofreram “ameaças de forma covarde” de alguns torcedores.

Na segunda pós-clássico, dia 23 de outubro, aconteceu uma vistoria completa no estádio para formular um laudo com todos os prejuízos encontrados. Uma vistoria prévia ocorreu na sexta (20), conforme consta na ata da reunião na FMF. A intenção do Galo foi acionar o Cruzeiro para que o clube celeste pague o prejuízo. O laudo foi lavrado em cartório.

Sobre a questão da falta de portas e itens de higiene nos banheiros, a Arena MRV informou que os itens, tanto papéis quanto sabonetes, foram colocados à disposição minutos antes da bola rolar para o clássico. No entanto, não foi possível repor os estoques por ameaças sofridas pelos funcionários da limpeza.

Torcida do Atlético também não se comportou

Não foi só a torcida do Cruzeiro que teve comportamento ruim na Arena MRV. Os atleticanos também fizeram feio em várias situações. Após o gol cruzeirense, que aconteceu no lado onde ficam as principais organizadas do clube, começou uma chuva de copos nos funcionários da Raposa que estavam atrás da meta e comemoraram. Os cruzeirenses tiveram que deixar o local sendo atacados por muitos objetos de atleticanos.

A fúria dos alvinegros foi tanta que alguns entraram em conflito também com os seguranças que ficam na beira do campo. A reportagem da Trivela conseguiu filmar o momento que alguns copos foram arremessados no campo e que um torcedor tentou invadir, mas rapidamente foi contido.

Na súmula da partida, o árbitro Ramon Abatti Abel relatou o arremesso de 10 copos em direção ao gramado. Dois deles foram jogados aos 21 minutos do segundo tempo, antes de uma cobrança de escanteio do Cruzeiro no lado já citado das organizadas do Atlético. Outros oito foram arremessados aos 44 minutos da etapa final e foram em direção a área técnica cruzeirense, que já vencia o jogo no momento.

Atlético-MG “boicotou” coletiva

Os problemas envolvendo Atlético-MG e Cruzeiro não ficaram somente no pré-jogo e nas arquibancadas, mas se estenderam até após o fim da partida. E isso acabou respingando na imprensa. A equipe de comunicação da Raposa pendurou uma bandeira do clube na bancada que receberia Zé Ricardo, técnico celeste, para a coletiva de imprensa. A ideia era cobrir a logomarca do “Tour Arena MRV”, para que as imagens fossem transmitidas no canal do clube estrelado no YouTube.

A atitude da equipe celeste irritou a comunicação atleticana, que pediu a retirada da bandeira. O Cruzeiro negou e, por isso, o Atlético-MG desligou o sistema de som da coletiva. Com isso, os jornalistas precisaram se amontoar ao redor da mesa para pegar as falas de Zé Ricardo, já que não havia microfone funcionando para o treinador.

O sistema de som voltou a ser ligado somente na entrevista coletiva de Felipão. A atitude atleticana incomodou os jornalistas e o treinador Zé Ricardo, que apontou a necessidade de uma regulamentação que impeça esse tipo de atitude.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, No Ataque, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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