Brasileirão Série A

Sereno e pés no chão, Artur Jorge parece saber exatamente o que o Botafogo precisa

Em entrevista coletiva após a goleada sobre o Juventude, técnico português freia empolgação e evita clima de oba-oba no Botafogo

O Botafogo venceu e convenceu no último domingo (21). Diante do Juventude, em jogo válido pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro, o Glorioso fez sua melhor exibição na temporada e goleou o adversário gaúcho por 5 a 1. Mais do que o placar elástico, a equipe alvinegra teve desempenho, que inclusive lembrou os melhores momentos do time no primeiro turno do Brasileirão 2023. Os mais de 13 mil presentes no Nilton Santos certamente deixaram o estádio felizes e esperançosos.

Artur Jorge ficou satisfeito com o que viu. E tem que ficar mesmo. Com exceção do gol sofrido na reta final da partida, quando já vencia por 5 a 0, o Botafogo sequer deixou o Juventude ameaçar a meta defendida por Gatito Fernández. No ataque, um verdadeiro recital. Júnior Santos, Jeffinho, Savarino, Tiquinho Soares. Todos corresponderam e ajudaram a construir a goleada alvinegra.

Após a partida, em entrevista coletiva, o técnico português elogiou a atuação do time e celebrou a segunda vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro. Mas parou por aí. Artur, acertadamente, evitou clima de ‘oba-oba’. Afinal, ainda é início de trabalho e há um longo caminho a ser percorrido.

— Ganhamos bem. Vitória de uma forma muito competente. Tivemos bons momentos no jogo com boa atitude comportamental. Fizemos gols muito cedo, o que ajudou naturalmente. Mas não foi só pelo fato de termos ficado em superioridade numérica. Tivemos um bom desempenho desde cedo. Portanto, uma vitória satisfatória pelo que fizemos, pelos três pontos. Não é mais do que isso. Serve também para motivar os atletas. Vai tornar tudo mais fácil, traz mais motivação a todo o elenco — disse o treinador alvinegro, antes de concluir sobre o tema:

— Muito pouco ainda, precisamos de muito mais. Não vou perder o equilíbrio com uma vitória expressiva. Os jogadores tiveram uma atitude muitíssimo boa, fizeram com que o resultado tivesse essa diferença. Mas ainda temos muito trabalho pela frente. Continuamos tendo pouco tempo para trabalhar entre os jogos, vamos tentando usar todas as ferramentas à nossa disposição para fazermos chegar aos atletas o que queremos em termos de comportamento, de atitude, de ambição. Hoje tivemos um bocadinho de tudo isso e também eficácia para fazer cinco gols. Mas ainda temos um trabalho longo e desgastante pela frente, porque queremos fazer melhor, não pelo resultado em si, mas porque tem que ser nossa meta também.

Artur Jorge já parece ambientado no Botafogo, e isso é uma ótima notícia

Artur Jorge foi apresentado no dia 6 de abril. De lá para cá, nesses 15 dias, o treinador português comandou o Botafogo em quatro partidas. Nas duas primeiras, contra LDU e Cruzeiro, a equipe amargou derrotas. Entretanto, venceu Atlético-GO e Juventude na sequência. A evolução do time em campo é notória. Desde a estreia do novo técnico, o Glorioso melhorou sua postura defensiva e começou a dar indícios do chamado ‘jogo posicional’, característica marcante do trabalho de Artur, que garantiu estar ambientado ao elenco que tem em mãos.

— Faltam algumas coisas. Podemos consolidar o processo, a atitude comportamental. Tem muito a ver com o jogo posicional que estamos pedindo. Funções mais específicas nas posições. Temos ainda um caminho longo para percorrer. Que possa ser percorrido dessa forma, ganhando, com essa atitude.

— Conheço muitíssimo bem [o elenco]. Ainda antes de viajar para o Brasil, tive o cuidado de me preparar para esse desafio, e era exatamente conhecer o que estaria à minha disposição. Naturalmente, naquilo que são as relações diárias, aprofundamos. Sobre qualidades individuais e coletivas, já tinha uma ideia muito clara. Acrescentei depois a qualidade humana, virtudes em termos da vida social também.

Por que o jogo contra o Universitario é tão importante?

Empolgado com a boa sequência no Campeonato Brasileiro, o Botafogo agora vira a chave e foca as atenções na Copa Libertadores. Nesta quarta-feira (24), a partir das 19h (horário de Brasília), o Glorioso encara o Universitario, no Nilton Santos, em partida válida pela terceira rodada do Grupo D. A vitória é de suma importância para o time alvinegro que, até o momento, não somou pontos na competição continental.

Lanterna do grupo, o Botafogo precisa desesperadamente do triunfo sobre os peruanos para voltar a vislumbrar uma classificação às oitavas de final. Com quatro pontos conquistados, mesmo número do Junior de Barranquilla, o Universitario ocupa a segunda colocação da chave, mas fica atrás do time colombiano por conta dos critérios de desempate. Em terceiro está a LDU, com três.

— Mais do que diferença (para a Champions League), é a satisfação de poder competir nas duas principais provas mundiais em termos de clubes, e fazer isso no mesmo ano. Para mim, enquanto técnico, é tremendo. Uma gratidão pela oportunidade. A vontade é de competir, ser competitivo, ganhar. A minha vontade para o próximo jogo na Libertadores aqui é exatamente essa. Não digo que estou ansioso por isso, porque ansiedade foi aquilo no primeiro jogo aqui. Temos um jogo difícil na quarta-feira, é verdade, decisão para nós também. Vamos procurar, como sempre, poder jogar para ganhar — pontuou Artur sobre o jogo contra o Universitario.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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