Brasil

Como Bremer volta ao páreo por vaga na Copa e tem chance de ouro com Ancelotti

Zagueiro da Juventus volta à Seleção após quase dois anos e surge como nome forte na briga pelas vagas restantes no sistema defensivo

Bremer está de volta à seleção brasileira em um momento decisivo poucos meses antes da Copa do Mundo. O zagueiro da Juventus foi convocado por Carlo Ancelotti pela primeira vez, e pode defender a Canarinho nos amistosos contra França e Croácia, nos dias 26 e 31 de março, respectivamente.

Embora Gabriel Magalhães tenha sido cortado por lesão, sua presença no Mundial não está sob ameaça. O defensor do Arsenal, ao lado de Marquinhos, forma hoje a base mais sólida da zaga de Ancelotti.

A questão em aberto não está exatamente nos titulares mais confiáveis do treinador italiano, mas nos nomes que correrão por fora para completar o setor. É justamente nesse cenário que o retorno de Bremer ganha peso, em meio à estreia de Léo Pereira (Flamengo), à presença de Roger Ibañez (Al-Ahli) na relação pré-Copa e à manutenção de Danilo (Flamengo), presença frequente nas convocações de Ancelotti.

Aos 28 anos, o zagueiro da Juventus reaparece com a Amarelinha depois de quase dois anos. Desde a Copa do Mundo de 2022, quando participou de dois jogos no Catar, sua trajetória na Seleção perdeu sequência, sobretudo em razão da grave lesão no joelho esquerdo, sofrida em setembro de 2024.

O problema interrompeu um momento importante de sua carreira e o obrigou a enfrentar um longo processo de recuperação, depois ampliado por uma nova cirurgia no menisco, em outubro do ano passado. Por isso, dá para dizer que a convocação atual representa a retomada de uma candidatura real a uma das vagas restantes na defesa brasileira.

— É uma enorme felicidade voltar à seleção brasileira quase dois anos depois. Passei momentos muito difíceis, uma lesão grave no joelho e depois mais uma cirurgia ao menisco, mas a esperança de voltar à seleção e de lutar por uma vaga na Copa do Mundo sempre esteve ali. A Seleção sempre foi o grande objetivo, mesmo quando ainda faltavam muitos dias de recuperação pela frente e parecia tudo muito distante — disse Bremer após a convocação.

Como Bremer tem se saído na Juventus?

Bremer em ação pela Juventus
Bremer em ação pela Juventus (Foto: Marco Canoniero / Imago)

A candidatura de Bremer não se sustenta apenas no currículo, mas também no que ele tem conseguido reconstruir dentro de campo. Apesar da contusão no menisco, que o deixou fora de combate por quase dois meses, o zagueiro voltou a ganhar regularidade na Juventus nos últimos jogos e retomou um protagonismo importante no sistema defensivo da equipe italiana.

São 24 partidas disputadas, sendo 23 delas como titular na atual temporada. Mais relevante do que os números, porém, é a forma como Bremer voltou a ser percebido. Na Velha Senhora, sua presença ainda remete a um defensor de confiança, capaz de proteger a área, ganhar duelos individuais e oferecer segurança em cenários de maior exigência física.

O futebol italiano, nesse sentido, segue funcionando como credencial importante. Bremer já chega à Seleção com anos de adaptação a um ambiente em que leitura defensiva, disciplina tática e competitividade sem a bola são exigências permanentes.

Para um treinador como Ancelotti, esse tipo de bagagem dificilmente passa despercebido.

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Bremer larga na frente dos concorrentes?

Bremer defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2022
Bremer defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2022 (Foto: Pablo Morano / BSR Agency / Imago)

Com Gabriel Magalhães e Marquinhos em patamar mais estável dentro da hierarquia, a luta entre os demais zagueiros se torna uma disputa por complemento de elenco — mas não por isso menos relevante. Pelo contrário: em listas de Copa, são justamente essas vagas finais que costumam concentrar as avaliações mais minuciosas.

Bremer entra nessa corrida com vantagens importantes. Tem experiência de Mundial, vivência europeia de alto nível e um repertório defensivo já bastante consolidado. Não precisa ser apresentado ao ambiente, nem convencer por projeção; precisa mostrar que voltou ao nível suficiente para ser confiável de novo.

— Temos em conta as convocações de alguns jogadores que não conheço, como Ibañez, Bremer, Rayan, Danilo e Gabriel Sara. Para termos a última oportunidade de conhecê-los e fazer uma lista final com uma ideia mais clara — disse Ancelotti, que optou por não convocar ninguém para o lugar de Gabriel Magalhães (lesionado).

Nesse tabuleiro, Danilo, Léo Pereira e Ibañez ajudam a dimensionar o tamanho da concorrência. Danilo é presença recorrente nas listas de Ancelotti e oferece um ativo valorizado em torneios curtos: versatilidade para compor diferentes funções da linha defensiva, além da experiência acumulada no ambiente da Seleção.

Em excelente fase já há algumas temporadas, Léo Pereira surge como novidade e tem a seu favor o fato de ser canhoto — característica rara entre os zagueiros já convocados por Ancelotti, ainda mais com o corte de Magalhães na lista atual. Já Ibañez aparece como um nome menos óbvio, quase uma surpresa nesta reta final, mas respaldado por regularidade no futebol saudita.

Bremer, por sua vez, entra nessa disputa com um diferencial mais específico: oferece um perfil de zagueiro de enfrentamento e imposição física, tem experiência em Copa do Mundo e está acostumado a contextos de alta exigência.

E é aí que o retorno dele ganha contornos de grande chance. Não porque Gabriel Magalhães tenha deixado uma vaga em aberto entre os intocáveis, mas porque o Brasil ainda parece definir quem acompanhará seus dois pilares defensivos no Mundial. Bremer volta à cena exatamente quando essa discussão está mais viva.

Se aproveitar a Data Fifa para mostrar que recuperou consistência, explosão e confiança, poderá se firmar como uma solução segura para completar a lista.

Todos os zagueiros já convocados na era Ancelotti

  • Marquinhos
  • Gabriel Magalhães
  • Fabrício Bruno
  • Lucas Beraldo
  • Éder Militão (usado mais como lateral-direito)
  • Léo Ortiz
  • Alexsandro
  • Bremer
  • Léo Pereira
  • Roger Ibañez
  • Danilo

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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