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Como relação e ensinamentos do pai podem indicar um possível Botafogo de Davide Ancelotti

Falas recentes de Davide e Carlo Ancelotti mostram ideais convergentes e algumas diferenças entre visão de jogo de pai e filho

O Botafogo acertou, na noite do último domingo (6), a contratação de Davide Ancelotti para o cargo de treinador. Auxiliar técnico do pai Carlo Ancelotti há quase 10 anos, Davide terá a primeira oportunidade comandando uma equipe profissional na carreira.

Sem experiência no cargo, é difícil projetar como pode ser o time do Botafogo de Davide Ancelotti. Mas em uma entrevista para o “Marca”, da Espanha, o italiano de 35 anos indicou como enxerga o futebol e como deve fazer os seus times jogarem. Além disso, uma recente fala do pai e “mentor” Carlo Ancelotti também ajuda a entender como é o trabalho da dupla e como o filho atuava nos bastidores.

Davide começou a trabalhar com o pai na temporada 2011/12, quando virou preparador físico do PSG. Desde então, segue Carlo Ancelotti. Em 2016/17, no Bayern de Munique, passou a ser auxiliar técnico.

— Meu pai me ensinou a ser flexível, a saber me adaptar, ter ideias e jeitos diferentes de vencer. É importa que uma equipe saiba controlar as diferentes fases do jogo — afirmou Davide Ancelotti ao “Marca”.

— Cada um tem suas preferências, e eu tenho uma predileção por um futebol um pouco mais vertical, mais atrevido. Mas, se tiver que resumir minha ideia de futebol, diria que o importante é saber fazer muitas coisas em um nível muito alto — completou o auxiliar técnico.

PSG como modelo e ideia parecida com Carlo Ancelotti

Na mesma entrevista, Davide Ancelotti citou o atual time do PSG como o melhor exemplo do que ele disse sobre ser importante “fazer muitas coisas em alto nível”.

— A equipe mais em forma hoje é o PSG, e sabe fazer muitas coisas: manter a bola, ser vertical, pressionar alto, defender dentro da área… Se você ver a partida que fizeram contra o Liverpool (nas oitavas da Champions League), demonstraram muita habilidade defendendo em um bloco baixo. No futebol de hoje tem que saber fazer tudo. O que eu priorizo é que meus jogadores saibam fazer de tudo e que controlem da melhor maneira de acordo com suas características — disse Davide Ancelotti.

Coincidência ou não, a fala de Davide vai ao encontro de uma das principais respostas de Carlo Ancelotti na sua apresentação na seleção brasileira. Na primeira convocação do técnico italiano, ele falou sobre o modelo de jogo do time e indicou uma equipe que saiba se adaptar de acordo com o que o jogo pede.

— Propositivo ou reativo? É interessante. Eu acho que, no futebol, não pode se fazer uma única leitura. Tem que ser futebol propositivo em alguns jogos e reativos em outros. Eu não gosto de time que eu treine tenha uma identidade, significa que você só é capaz de fazer uma coisa. Se quer ter sucesso, precisa fazer muitas coisas bem. Propositivo, reativo, pressionar… Existem muitas coisas para ter sucesso. Por isso, quando me dizem, “o seu time não tem uma identidade clara”… Eu não quero uma identidade clara — disse Carlo Ancelotti em maio.

Davide trabalhava parte tática com o pai (Foto: Imago)
Davide trabalhava parte tática com o pai (Foto: Imago)

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Como é a relação entre Davide e Carlo Ancelotti?

De acordo com diferente fontes da imprensa europeia, Davide Ancelotti era um dos responsáveis pela parte tática dos times de Carlo Ancelotti, principalmente nessa análise de qual seria o melhor modelo para encarar o adversário da vez.

Certamente aconteceram mais vezes em que não concordamos. Acredito que isso é que se espera de mim como assistente e o que ele precisa. Ele é um treinador muito experiente, com muitas certezas, e precisa de um entorno que o desafie. Eu, no início da carreira, com 35 anos, talvez tenha mais dúvidas do que ele e precise de um ambiente que me dê mais conselhos, que me dê mais certezas. Ele precisa de gente que não está sempre de acordo. Mas sempre com respeito e tendo em mente que a decisão final é sempre dele — disse Davide Ancelotti.

Em uma de suas últimas entrevistas coletivas como técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti ressaltou que, pela relação entre os dois, Davide era o auxiliar que o dizia o que os outros não teriam coragem para falar.

— É uma parte importante da minha comissão técnica. É claro que por termos uma relação especial, de pai e filho, tenho muita confiança nele, como tenho de toda minha comissão. Ele me diz coisas que outros da comissão não se atrevem a dizer — afirmou Ancelotti.

Acertado com o Botafogo, Davide Ancelotti vai desembarcar no Rio de Janeiro nos próximos dias. No entanto, por questões burocráticas, o italiano ainda não deve comandar a equipe no próximo sábado (12), contra o Vasco, no Mané Garrincha, no retorno do Campeonato Brasileiro. O auxiliar permanente Cláudio Caçapa deve ficar na beira do campo.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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