Brasil

Bom Senso pretende lançar candidato à presidência da CBF nas próximas eleições

O Bom Senso não está mais satisfeito em apenas demonstrar seu descontentamento com os rumos do futebol brasileiro e em fazer reuniões com dirigentes e políticos em busca de mudanças no esporte. Quer colocar a mão na massa e fazer ele próprio as melhorias que julga necessárias para o bom funcionamento do futebol no país. Segundo Alex, um dos principais porta-vozes do movimento de jogadores e ex-jogadores, dentro de dois ou três anos o Bom Senso deverá lançar seu candidato às eleições da entidade que administra o futebol brasileiro. Antes disso, no entanto, o ídolo de Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro aponta os passos necessários para modificações imediatas.

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Durante entrevista a Cosme Rímoli, do R7, Alex foi perguntado sobre a atuação do Bom Senso e sobre a perda de holofote do movimentos nos últimos tempos. Após ser muito falado e ter protagonizado diversas cenas de protesto, o grupo esteve relativamente longe das manchetes, voltando a ser falado mais recentemente, durante a última rodada do Brasileirão, em protesto simultâneo pela saída de Marco Polo Del Nero da presidência da CBF após seu indiciamento pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Alex garantiu que o Bom Senso não deu fim à sua representação. Que, possivelmente, acontecerá com ainda mais força nos próximos anos.

“O plano é lançar alguém como candidato à presidência da CBF na próxima eleição. Em 2017 ou 2018. Mas a gente briga com esse sistema. Com esse efeito dominó que chegou à cúpula da CBF nos dá esperança que tudo mude. Até o sistema de eleição”, projetou Alex. “Nós não sumimos, não paramos de trabalhar nos bastidores. Por exemplo, a MP (Medida Provisória) que passou e não é ainda a solução do futebol brasileiro, o Bom Senso participa efetivamente dessa situação. Eu mesmo tive encontro em Brasília, na CBF, na Globo. Sentamos com o Aloizio Mercadante (ministro da Educação), com a Dilma. Na época, o pessoal tentava marcar com o Eduardo Cunha, mas não houve o encontro”, lembrou.

Alex também ressaltou a importância de se ressaltar o movimento, em vez de voltar a ele as críticas pelas coisas que não são feitas no futebol do país. Afinal, o poder vislumbrado pelo ex-jogador em uma possível eleição daqui a alguns anos ainda não chegou. “As pessoas precisam reconhecer que, na história do futebol brasileiro, não houve um momento como esse, com a participação dos jogadores. Mas o Bom Senso não executa, não tem o poder de execução. Vivemos em um sistema politico complicadíssimo”, argumentou.

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A busca pessoal de poder e prestígio em detrimento dos interesses do esporte em geral foram apontados pelo ex-meia como um dos grandes problemas por trás da administração do futebol brasileiro, e o comentarista da ESPN até deu um exemplo recente para ilustrar seu pensamento: “Neste domingo, os jogadores fizeram protesto de novo, pedindo a saída do Marco Polo Del Nero. O Corinthians não fez. Provavelmente por culpa do Andrés Sanchez. Reza a lenda que o Andrés quer ser presidente da CBF. Perguntei para as pessoas e ouvi que o Andrés não pode nem ouvir falar o nome do Bom Senso. Aí se torna pequeno, pessoal. Se ele nos enxerga como concorrência não é o mais importante. O que é maior é quebrar esse sistema de votação”.

A curto prazo, Alex vê como cenário ideal a intervenção governamental sobre a CBF. Não acredita que a Fifa levaria a cabo uma punição ao futebol brasileiro por infringir uma de suas principais regulamentações, que proíbe interferência do Estado no órgão que gere o futebol. “O governo não muda o sistema porque a CBF diz que a Fifa vai punir o futebol brasileiro. Só que o Brasil não é a Nigéria. Não vão nos suspender. Eu defendo uma intervenção do governo, para quebrar esse sistema”, opinou.

Se algum dia tivermos Alex ou o Bom Senso entre os administradores do futebol brasileiro, dá para imaginar que algumas das ideias do craque possam ser adotadas, e o comentarista já as tem claras agora. “O ideal é o inglês. A CBF cuida da Seleção, e os clubes montam a liga de quatro divisões, com os estaduais dando acesso para essas divisões. O ideal seria dissociar os clubes das federações e da CBF. Porque, para mim, as federações não passam de um cartório de notas. Só emite nota nas federações. Quando as federações deveriam fomentar o futebol no interior, nos times pequenos.”

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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