Belmonte pediu demissão do São Paulo? Entenda a disputa com Casares
Mesmo após protestos da torcida e rumores de uma possível saída, diretor continua no cargo
Antes da derrota do São Paulo por 1 a 0 para o Ceará, nesta segunda-feira (29), rumores surgiram que de Carlos Belmonte deixaria o cargo de dirigente de futebol.
No entanto, Belmonte não decidiu sair do cargo, mesmo após a Independente, principal organizada do clube, liderar um protesto em que pediu a renúncia tanto de Belmonte, quanto do presidente Julio Casares.
Os torcedores espalham cartazes pelas cercanias do MorumBIS e chegaram a levar caixões para simbolizar o pedido para que os dois dirigentes deixassem os cargos.

Por que Belmonte poderia deixar o cargo?
Belmonte não concorda com as negociações costuradas por Casares para a criação de um fundo de investimentos para as categorias de base do clube.
O São Paulo pretende captar R$ 250 milhões de investidores, dos quais R$ 200 serão aplicados em Cotia e os outros R$ 50 milhões para reduzir a dívida do clube. Em troca, os investidores ficarão com 30% do lucro com a venda de jogadores formados no clube.
O projeto foi aprovado pelo Conselho de Administração e agora será analisado pelo Conselho Deliberativo. O tema gera polêmica justamente e dissidências justamente pela cessão do percentual dos garotos aos investidores.
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Possível saída de Belmonte deixariam claro racha e daria dois sabores a Casares
Os rumores da saída de Belmonte fazem parte de um racha entre ele e Julio Casares, que veio à tona em meados de agosto, graças a uma mensagem enviada por engano em um grupo errado no WhatsApp (entenda mais abaixo).
Ali, ficou claro que o São Paulo estava dividido entre o CT da Barra Funda (departamento de futebol) e o MorumBIS (presidência e setores administrativos).
Para Casares, uma saída de Belmonte seria conveniente para aplacar qualquer fissura dentro de sua diretoria até o final do mandato, além de servir também como resposta ao protesto da torcida. Ao mesmo tempo, o diretor poderia aquecer o cenário político do clube ao se desligar da atual gestão.
Como uma possível saída de Belmonte mudaria o cenário político do São Paulo?
A atual gestão do São Paulo contava com seis grupos aliados de Julio Casares e formam a situação na política do clube. Sem Belmonte, a situação perderia um importante aliado para o processo eleitoral.
O principal destes grupos é o Participação, de Casares e que tem cerca de 20% das cadeiras do Conselho Deliberativo.
Belmonte é o líder do segundo maior grupo da situação, o Legião, que tem 15% do Conselho. Mesma parcela do Movimento São Paulo, liderado pelo diretor da base Douglas Schwartzmann e por Antônio Donizeti Gonçalves, o “Dedé”. Belmonte e Schwartzmann são favoritos para concorrer à presidência.
Os outros três grupos têm presença menor no Conselho, mas garantem uma maioria confortável à situação. São eles: o Força São Paulo, do presidente do Conselho Deliberativo, Olton Ayres, o Sempre Tricolor, liderado pelo diretor-adjunto de futebol Fernando Bracalle, o Chapecó, e o Vanguarda, de Harry Massis Júnior, atual vice-presidente do clube.
Racha foi exposto após mensagem por engano
A relação estremecida entre Belmonte e Casares ficou evidente após um simples erro em uma mensagem de WhatsApp.
O episódio ocorreu minutos após o empate em 2 a 2 com o Sport, em agosto. O diretor de comunicação José Eduardo Martins enviou a seguinte mensagem em um canal que é reservado para comunicados oficiais da assessoria de imprensa do clube aos jornalistas: “Vou vazar que o Boca queria emprestar de graça o Henrique e o presidente segurou.”
A mensagem era destinada a outro grupo e foi enviada por engano, antes de ser deletada, segundos mais tarde. Mas não em tempo de evitar prints que circularam e viralizaram nas redes sociais.
O termo “Boca” é um apelido em tom pejorativo para se referia Carlos Belmonte, e o restante do texto indica que Henrique Carmo só não foi emprestado ao PSV, da Holanda, por intervenção de Julio Casares. O atacante acabou negociado com o CSKA.
Martins alega que a mensagem não passou de uma brincadeira enviada por engano. Depois do episódio, ele se desculpou com Belmonte. Mesmo com a revolta do diretor de futebol, Julio Casares bancou a permanência do responsável pela comunicação do clube.



