São Paulo amplia crise com novo tropeço que dá razão ao protesto contra diretoria
Em noite de manifestação da torcida, Tricolor volta a jogar muito pouco e perde por 1 a 0 para o Ceará no MorumBIS
O São Paulo chegou ao MorumBIS nesta segunda-feira (29) sob o cenário caótico de um protesto orquestrado pela Independente, a principal organizada do clube, contra a diretoria — especialmente o presidente Julio Casares e o diretor de futebol Carlos Belmonte.
A revolta do torcedor é um reflexo direto da eliminação na Libertadores, na última quinta-feira (25), com derrota para a LDU. E acredite: por mais que parecesse impossível, a situação do Tricolor só piora.
Pois o São Paulo voltou a perder diante de seu torcedor. A quarta derrota seguida da equipe em 2025 veio no 1 a 0 para o Ceará, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, após mais uma atuação abaixo da média.

Crespo abre mão até de esquema tático, mas São Paulo afunda
A verdade é que o São Paulo que já havia jogado muito pouco na derrota para a LDU jogou menos ainda no tropeço diante do Ceará.
A equipe que vinha de boas exibições sob o comando de Hernán Crespo não conseguiu se recuperar do baque da eliminação na Libertadores. Os dois últimos jogos, em especial, deixam evidente a falta que faz um centroavante de referência, após tantas lesões no setor.
O São Paulo foi inoperante no primeiro tempo. Acertou o travessão em uma finalização de Rodriguinho em sobra de cobrança de falta. E foi só.
No segundo tempo, Crespo chegou a abrir mão do esquema com três zagueiros, a partir da entrada de Lucas Moura. A troca não só não surtiu efeito, como ainda prejudicou o sistema defensivo. O gol de Pedro Henrique saiu em uma falha da defesa.

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Com direito a caixões, torcida protesta contra a diretoria
Os principais alvos do protesto convocado pela Independente, a principal torcida organizada do clube, foram o presidente Julio Casares e o diretor de futebol Carlos Belmonte.
Mas a verdade é que os cerca de cem torcedores que se aglomeraram em frente ao portão 1 do MorumBIS dirigiram sua revolta a praticamente todos os setores do clube: desde a diretoria, ao departamento médico, aos jogadores. Apenas a comissão técnica de Hernán Crespo foi preservada.
Os torcedores colaram cartazes pedindo as renúncias de Casares e Belmonte e chegaram a levar caixões de madeira para protestar contra os dirigentes.
As faixas também fizeram duras críticas à situação financeira, com os dizeres “dívidas aumentando, receita diminuindo” e ao departamento médico (“Temos o pior DM, não recupera ninguém”).
O ônibus da delegação foi recebido sob protestos, com gritos de time “amarelão”. O protesto ocorreu de forma pacífica.
No ato, a torcida pediu a renúncia do presidente e do diretor de futebol de seus respectivos cargos. Em postes nos arredores do Morumbis, foram colados cartazes com dizeres de “fora Casares” e “fora Belmonte”.
Os diretores adjuntos Nelson Ferreira e Fernando Bracalle, o Chapecó, e o executivo Rui Costa também receberam críticas da torcida.

Presidente pede desculpas nas redes sociais
Após o protesto, o presidente Julio Casares usou as redes sociais para pedir desculpas aos torcedores pela eliminação na Libertadores. Trata-se de algo raro. O mandatário costuma sumir do ambiente virtual em momentos de derrotas ou de baixa.
> O pedido de desculpas de Casares
Caros torcedores,
Primeiro, quero me desculpar com cada um de vocês pelas frustrações e dores que uma eliminação, ou mesmo uma derrota em qualquer situação, causa em cada um dos mais de 20 milhões de tricolores espalhados pelo mundo. Como todos sabem, vivemos um período de sacrifícios para implantar uma reestruturação financeira e deixarmos o Tricolor mais saudável economicamente. Este é um processo difícil, mas absolutamente necessário para o Clube.
Neste percurso, vamos enfrentar diversos obstáculos e frustrações consequentes desta caminhada vital para o futuro do São Paulo. Nosso time seguirá competindo com toda nossa força, mas sabemos de todas as dificuldades. Por isso, todas as manifestações neste momento são válidas e importantes. Desde que com civilidade, todos têm direito de expor a sua opinião e as críticas construtivas nos ajudam na hora de encontrarmos o caminho correto, que quase nunca é o mais simples.
Além disso, futebol é momento, e é claro que o torcedor está chateado com a eliminação. Estou certo, porém, que nosso elenco e a comissão técnica estão imbuídos para nos mantermos competitivos e vou me dedicar integralmente para ajudá-los a alcançarmos nossos objetivos. Este é um período delicado de nossa história, mas que iremos superar com muito trabalho. Não há caminho fácil ou rápido, mas há a certeza que do outro lado dessa travessia o São Paulo sairá mais forte.



