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Duelo nas trincheiras: O papel decisivo de Maicon e Robinho na final da Copa do Brasil

Uma semana depois de sentir a sua maior dor, o futebol brasileiro tenta seguir em frente. Nesta quarta, Grêmio e Atlético Mineiro disputam o segundo jogo decisivo da Copa do Brasil. O trauma deixado pela tragédia talvez influencie o psicológico dos jogadores, muitos deles ex-companheiros das vítimas da Chapecoense. Apesar disso, o jogo em Porto Alegre exigirá o máximo de concentração. Por mais que a vantagem tricolor seja cômoda, o Galo virá com mais ímpeto para tentar a vitória por dois gols de vantagem, que garante ao menos a disputa por pênaltis. E, nesta batalha estratégica, Maicon e Robinho serão peças-chave.

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Na história das finais da Copa do Brasil, apenas uma vez um time conseguiu reverter diferença de dois gols. Foi em 2008, mas em contexto diferente. O gol de Enílton no primeiro jogo contra o Corinthians, na derrota por 3 a 1, teve muito mais valia pelo fato de que o gol fora ainda valia como critério de desempate. Na Ilha do Retiro, o triunfo por 2 a 0 já foi suficiente para proclamar os rubro-negros campeões –  contando, além do mais, com sua torcida para fazer a diferença. Calor este que o Atlético não terá a seu favor na Arena do Grêmio.

Diante do panorama, o Galo precisará do máximo de sua organização ofensiva. A busca desenfreada pelo ataque no Mineirão não adiantou quase nada, diante da bem postada defesa do Grêmio. O primeiro passo para o técnico interino Diogo Giacomini será recompor o meio de campo, sem deixar a defesa tão exposta. Neste ponto, a entrada de Rafael Carioca se sugere como ótima opção. Além disso, os atleticanos também dependerão da sua capacidade de criar o jogo. E ninguém melhor para isso do que Robinho.

O atacante vem compensando os seus altos salários e se mostrando um trunfo e tanto ao longo de 2016. É o cara que não sente a responsabilidade e tem uma gama de recursos invejável para decidir as partidas. Aparece, sim, para definir, e assim pinta como o principal goleador do clube em 2016. Mas não se limita a isso, especialmente pela qualidade em vir buscar o jogo e abrir espaços para os companheiros. Sua inventividade, até para aproveitar a passagem dos laterais, é o ponto central aos mineiros na noite. E ninguém melhor do que o camisa 7 para se combinar com Lucas Pratto, em excelente momento. O entrosamento de ambos e o acréscimo de Luan pela ponta direita, voltando de lesão, serão as maiores preocupações gremistas.

Do outro lado, o que o Grêmio mais precisa é de controle. O Tricolor necessita ser o senhor do tempo em sua casa, para não correr riscos e garantir o pentacampeonato na Copa do Brasil. Neste sentido, o centro de gravidade do time de Renato Gaúcho continua sendo Maicon. O volante já havia feito uma enorme partida em BH, protagonista do excelente resultado garantido pelos gaúchos. Não apenas ajudou na proteção à defesa liderada por Geromel, diante do ímpeto do atleticano, mas também ditou o ritmo do setor ofensivo de sua equipe, em ótimas trocas de passes.

Obviamente, Maicon não estará sozinho nessa. Também depende da proteção exercida por Walace ao seu lado, do empenho de Éverton e Ramiro para fechar as portas aos laterais e da inteligência de Luan, recompondo o meio e oferecendo o primeiro combate. De qualquer maneira, é o capitão quem centraliza a organização tricolor e ajuda a explorar a velocidade de seus companheiros, ao lado do maestro Douglas. Vértice do clube desde a sua contratação, e que agora está tão próximo a ser eternizado como o responsável por erguer a taça.

Ao Grêmio, mais importante até do que jogar bem é a sabedoria de enfrentar a situação e neutralizar um adversário com tanto potencial no ataque. Ao Atlético, resta saber aproveitar melhor esta força, o que a pressa exagerada no Mineirão não permitiu. Apesar do panorama bastante favorável aos gremistas, a chance de outro grande jogo, pelo menos no ponto de vista tático, é grande. Em campo, há dois grandes cérebros capazes disso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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