Brasil

Balanço do primeiro turno

O Brasileirão já “pegou”. Depois de algumas rodadas dividindo espaço com outras competições, a Série A já tomou conta do calendário. E, quando parecia que a coisa estava esquentando… já estamos na metade do campeonato. Assim, é um momento oportuno para analisar o que ocorreu nas 19 primeiras rodadas – mesmo considerando que há dois jogos ainda por realizar – e projetar o que pode acontecer nas 19 últimas.

Para cada time, separamos seus melhores e piores momentos (no caso, melhor e pior posição na classificação). A nota do turno e os destaques positivos e negativos tomam como parâmetro não apenas o desempenho em campo, mas também a expectativa que se tinha em torno dos personagens e do clube em si no início do Brasileirão.

Palmeiras – 37 pontos

Melhor posição: 1º (desde a 15ª rodada)
Pior posição: 11º (3ª e 4ª rodadas)
Destaque positivo: Diego Souza
Destaque negativo: Marcão
Objetivo realista: título
Nota do turno: 8,5

Nenhum clube passou tanto, em algum momento deste Brasileiro, a sensação que seria o candidato mais forte ao título do que o Palmeiras. A série de resultados positivos nas rodadas finais do primeiro turno deixaram a impressão para muitos de que o Alviverde estava sólido. Mas, nos últimos três jogos (empates com Grêmio, Atlético Mineiro e Botafogo), essa imagem se enfraqueceu um pouco. O time é bom, mas ainda tem elenco vulnerável em alguns setores. Pior, tem dependido demais da inspiração de Marcos e Diego Souza (e de Pierre). Muricy é um técnico competente e pode montar um time que distribua melhor as responsabilidades. Se conseguir isso, vai ser difícil segurar o Alviverde.

Goiás – 35

Melhor posição: 2º (17ª e 19ª rodadas)
Pior posição: 14º (3ª rodada)
Destaque positivo: Júlio César
Destaque negativo: Vítor
Objetivo realista: Libertadores
Nota do turno: 9

Poucos times no Brasil contam com laterais tão decisivos no ataque como o Goiás. Tanto que Vítor só fica como destaque negativo pelo fato de ter conseguido jogar pouco e, por isso, não ajudou o time tanto quanto poderia. O Goiás tem um ataque forte (que pode ficar ainda melhor com a chegada de Fernandão), tornou o meio-campo mais experiente com Léo Lima e tem uma defesa que vem jogando bem. Apesar da boa arrancada a partitr da segunda metade do turno, falta elenco para brigar pelo título. Mas, se souber manter o equilíbrio (e tiver mais apoio da torcida), pode brigar pela Libertadores.

Internacional – 33**

Melhor posição: 1º (2ª a 5ª e 9ª rodadas)
Pior posição: 4º (1ª, 14ª e 16ª a 18ª rodadas)
Destaque positivo: Sandro
Destaque negativo: D’Alessandro
Objetivo realista: título
Nota do turno: 7,5

No papel, talvez tenha o melhor time do Brasil. Conta com uma equipe titular forte e jovens competentes no banco. O maior exemplo é Andrezinho, que tem sido um dos melhores jogadores do campeonato como substituto de um decepcionante D’Alessandro. Sandro, em sua primeira temporada como titular absoluto, é outro caso. No entanto, o Inter não tem conseguido esquivar-se de suas fragilidades. Sem Nilmar, o ataque se tornou menos oportunista e experiente. Além disso, a equipe oscila demais, falhando sobretudo nos jogos importantes. Desse modo, o Colorado não consegue arrancar no campeonato. Esse comportamento custou uma vaga na Libertadores em 2008. Pode custar o título em 2009.

São Paulo – 33

Melhor posição: 4º (19ª rodada)
Pior posição: 17º (1ª rodada)
Destaque positivo: Ricardo Gomes
Destaque negativo: Jean Rolt
Objetivo realista: título
Nota do turno: 8

Terminar o primeiro turno em quarto (talvez quinto, dependendo do resultado de Internacional x Atlético Mineiro) não é algo fora do comum para um time como o São Paulo. Mas, considerando a bagunça em que o time estava no começo do campeonato, o desempenho é mais que positivo. Ricardo Gomes conseguiu, em pouco tempo, reorganizar a equipe, fazer o elenco reencontrar o foco e jogar um futebol competitivo e seguro. Como se trata do atual tricampeão brasileiro, esse crescimento já chama a atenção. Mas também não dá para cravar que o tetra chegará. É preciso ver que ritmo os são-paulinos terão no campeonato quando a atual fase, quase encantada, acabar.

Atlético Mineiro – 32*

Melhor posição: 1º (6ª a 8ª e 10ª a 14ª rodadas)
Pior posição: 8º (1ª rodada)
Destaque positivo: Diego Tardelli
Destaque negativo: Renan Oliveira
Objetivo realista: Libertadores
Nota do turno: 8

O fato de ter sido o time que mais tempo ficou na liderança deixou os atleticanos com apetite. Mas já ficou evidente as limitações do Atlético. O time titular é bom, sobretudo pelo modo como acelera o jogo quando há espaço para isso. O problema é quando precisa de paciência para furar retrancas. Pior que isso é a falta de um banco de reservas mais forte. Até é possível manter esse ritmo de competição e chegar às últimas rodadas com chance de título, mas a perspectiva mais realista e entrar na luta por um lugar na Libertadores.

Avaí – 30

Melhor posição: 6º (17ª a 19ª rodadas)
Pior posição: 20º (6ª, 9ª e 10ª rodadas)
Destaque positivo: Silas
Destaque negativo: Evando
Objetivo realista: Sul-Americana
Nota do turno: 9,5

A surpresa mais positiva do campeonato até o momento. Depois de uma primeira metade de turno terrível, em que não dava sinais de que sobreviveria mais um ano na Série A, o time catarinense deu início a uma incrível série de nove partidas sem derrota. No momento, os avaianos até estão com pontuação para brigar pela Libertadores, mas é evidente que a equipe é limitada e, em algumas semanas, se estabilizará em uma região confortável da tabela.

Grêmio – 28

Melhor posição: 6º (10ª e 16ª rodadas)
Pior posição: 14º (2ª e 8ª rodadas)
Destaque positivo: Victor
Destaque negativo: Perea
Objetivo realista: Libertadores
Nota do turno: 5,5

Todo mundo já viu ou ouviu esse comentário sobre o Grêmio de 2009: vai muito bem em casa, mas tem a pior campanha fora. Isso fica claro pelos números, e evidenciam a falta de ataque do Tricolor. Nunca faltou gente para ficar na frente: Maxi López, Herrera, Jonas e Perea. O problema é que nenhum deles é um artilheiro por vocação (ainda que Maxi López tenha uma produtividade aceitável na competição até o momento). Em casa, quando o Grêmio cresce e consegue acuar o adversário, os gols acabam saindo. Mas, fora de casa, quando têm poucas oportunidades à disposição, é preciso reduzir o desperdício. Assim, um eventual sucesso gremista no torneio está diretamente ligado à criação de um sistema mais confiável para o ataque funcionar.

Corinthians – 28

Melhor posição: 4º (13ª rodada)
Pior posição: 17º (1ª e 2ª rodadas)
Destaque positivo: Felipe
Destaque negativo: Morais
Objetivo realista: 4 primeiros (o time já está na Libertadores)
Nota do turno: 5,5

Melhor time do Brasil no primeiro semestre, o Corinthians tem sofrido com a união dos problemas financeiros dos clubes brasileiros com azar e falta de planejamento. Os problemas se refletem na venda de jogadores como André Santos, Cristian e Douglas para o Oriente Médio (o Fenerbahçe fica na parte asiática da Turquia, que faz parte do Oriente Médio, hehehe). O azar está na série de contusões que vitimou jogadores como Ronaldo, Alessandro, William, Souza e Marcelo Oliveira. E a falta de planejamento está na dispensa de reservas úteis, como Otacílio Neto. Assim, o time ficou bastante desfigurado em agosto, perdendo qualquer traço da equipe que tinha no jogo coletivo sua principal virtude. Se os contundidos voltarem logo e os reforços entrarem bem, o Alvinegro melhorará a ponto de ganhar algumas posições na tabela. Mas o título já parece pouco viável.

Barueri – 28

Melhor posição: 4º (8ª rodada)
Pior posição: 16º (4ª e 5ª rodadas)
Destaque positivo: Fernandinho
Destaque negativo: Basílio
Objetivo realista: Sul-Americana
Nota do turno: 7,5

Um sucesso difícil de explicar. O Barueri não tem um grande elenco, atrasa salários e não conta com um trabalho de longo prazo. No final das contas, o que sustenta o time é o fato de jogar sem pressão e de ter encontrado alguns jogadores úteis para fazer uma campanha decente no Brasileirão (casos de Renê, Fernandinho, Val Baiano e Pedrão). Para se manter em uma situação confortável, os baruerienses precisarão resolver os problemas financeiros. Caso contrário, uma queda repentina não seria fora de cogitação.

Flamengo – 27

Melhor posição: 6º (4ª, 7ª e 9ª rodadas)
Pior posição: 19º (1ª e 2ª rodadas)
Destaque positivo: Willians
Destaque negativo: Zé Roberto
Objetivo realista: Libertadores
Nota do turno: 5,5

O Flamengo pode considerar a Libertadores como objetivo viável porque tem time para isso. Bruno é instável, mas garante alguns pontos importantes. Adriano ainda é um atacante acima da média do Brasileirão. O meio-campo não tem criatividade, mas é competente em suas funções defensivas. Se o Flamengo encontrar um jeito de jogar com o elenco que tem à disposição, vai crescer no campeonato. O problema é que, até agora, isso na ocorreu e o time se arrasta na competição.

Vitória – 25

Melhor posição: 1º (1ª e 2ª rodadas)
Pior posição: 11º (19ª rodada)
Destaque positivo: Apodi
Destaque negativo: Bida
Objetivo realista: Sul-Americana
Nota do turno: 6,5

Era uma das melhores surpresas do campeonato, mas perdeu espaço (o que era natural pelo elenco rubro-negro) e acabou gerando pânico na sua diretoria. Agora, dá para dizer que o Leão é uma incógnita. O Vitória teve um excelente início de campeonato ao usar um time de esquema tático raro no Brasil (3-3-3-1) e muita velocidade. Quando a empolgação inicial diminuiu, o técnico Paulo César Carpegiani foi demitido. Vagner Mancini é um bom substituto, mas é possível que o clube baiano patine um pouco no início do returno. Ter um fim de campeonato tranquilo, sem sustos, já seria uma conquista.

Santos – 25*

Melhor posição: 3º (4ª rodada)
Pior posição: 13º (12ª rodada)
Destaque positivo: Madson
Destaque negativo: Wagner Diniz
Objetivo realista: Sul-Americana
Nota do turno: 5

Com todo o respeito aos santistas, mas o Santos passou quase despercebido no Brasileirão. Nas primeiras rodadas, obteve bons resultados, frequentou as primeiras posições e foi um dos últimos times a perder a invencibilidade. No entanto, o Peixe não demorou a se instalar no meio da tabela, e lá tem permanecido desde então, sem dar sinais de que brigará pela ponta, nem de que brigará com o rebaixamento. E o elenco é razoável (ainda que heterogêneo e até algo inchado em alguns setores).

Atlético Paranaense – 24

Melhor posição: 13º (10ª, 18ª e 19ª rodadas)
Pior posição: 20º (3ª, 5ª e 7ª rodadas)
Destaque positivo: Antônio Lopes
Destaque negativo: Rafael Moura
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 5,5

O que não faz uma sequência de vitórias em um campeonato equilibrado… O Atlético Paranaense conta com um elenco torto e mal planejado, mas encontrou em Paulo Baier uma figura de referência e embalou com a chegada de Antônio Lopes. Assim, conseguiu uma sobra para trabalhar com um mínimo de tranqüilidade nas próximas semanas. Mas o Furacão não pode perder de vista que o time é fraco e que escapar do rebaixamento já seria bom.

Cruzeiro – 21*

Melhor posição: 1º (1ª rodada)
Pior posição: 18º (12ª rodada)
Destaque positivo: Fábio
Destaque negativo: Thiago Ribeiro
Objetivo realista: Sul-Americana
Nota do turno: 4

A Raposa deve ter um semestre de pura reflexão. Se mantiver um trabalho minimamente focado, fugirá em breve da briga contra o rebaixamento. No entanto, já perdeu terreno demais para projetar um retorno à Libertadores já em 2010. O que não é bom. O time parece sentir essa falta de um objetivo claro e se arrasta no campeonato, fazendo uma campanha muito abaixo do que poderia. O fato de Ramires e Wagner terem sido vendidos reforça para o resto do elenco a sensação de que a própria direção já desistiu de conquistar algo em 2009.

Botafogo – 20*

Melhor posição: 10º (1ª rodada)
Pior posição: 20º (8ª rodada)
Destaque positivo: Juninho
Destaque negativo: Renan
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 4,5

O time até que é bem arrumado. O problema é que, tecnicamente, o Botafogo é bastante limitado. Com frequentes erros individuais (e até insubordinação, como no pênalti perdido por André Lima contra o Atlético Paranaense, quando o cobrador deveria ser Lúcio Flávio), o Alvinegro acaba deixando pontos pelo caminho e não consegue se livrar da briga contra o rebaixamento. A troca de Ney Franco por Estevam Soares não soa das mais acertadas.

Coritiba – 19

Melhor posição: 11º (12ª rodada)
Pior posição: 20º (2ª e 4ª rodadas)
Destaque positivo: Marcelinho Paraíba
Destaque negativo: Pereira
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 4

O Coxa passou 19 rodadas procurando um padrão de jogo, e ainda não encontrou. A equipe do Alto da Glória até tem força ofensiva, mas compensa negativamente com uma defesa assustadoramente vulnerável. Para piorar, seus principais jogadores (inclusive Marcelinho Paraíba) alternam grandes atuações com partidas absolutamente apagadas. Não fossem alguns momentos brilhantes de Marcelinho, o Coritiba poderia estar em uma situação mais delicada na tabela. Mas também é verdade que, se a equipe encontrar um mínimo de estabilidade, pode se livrar do rebaixamento com relativa facilidade.

Santo André – 18

Melhor posição: 3º (2ª rodada)
Pior posição: 17º (19ª rodada)
Destaque positivo: Fernando
Destaque negativo: Rodrigo Fabri
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 3,5

Um time que tem como pilares jogadores como Marcelinho Carioca, Gustavo Nery e Rodrigo Fabri precisa estar embalado. Foi o Santo André da primeira metade do turno. Quando a equipe entra em má fase, é preciso buscar motivação para reagir. E buscar motivação em jogadores que claramente não têm mais ambições na carreira é difícil… Isso justifica a queda do Ramalhão nas rodadas finais, e explica o porquê de a diretoria andreense já buscar reforços que podem usar o time do ABC para se projetar. Casos do zagueiro Cris e do atacante Malaquias. Pode dar certo, mas, no momento, o Ramalhão está com pinta de Série B.

Náutico – 18

Melhor posição: 2º (3ª rodada)
Pior posição: 20º (11ª a 15ª rodadas)
Destaque positivo: Carlinhos Bala
Destaque negativo: Acosta
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 3,5

O time é muito limitado tecnicamente e, pior, nem tem conseguido usar a pressão de sua torcida para conquistar muitos pontos nos Aflitos. Além disso, a diretoria havia apostado em jogadores que tinham boa história no Timbu, como Sidny, Acosta e Kuki. Nenhum deu certo e deixou o planejamento alvirrubro ainda mais bagunçado. Nas últimas rodadas, a equipe deu sinal de vida, mas precisa melhorar muito se tiver pretensões efetivas de não retornar à Segundona.

Fluminense – 15

Melhor posição: 4º (1ª rodada)
Pior posição: 20ª (16ª rodada)
Destaque positivo: Kieza
Destaque negativo: Fred
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 1,5

Um caos completo. Diretoria e patrocinador confusos, trocas constantes de técnicos, jogadores desanimados com a falta de perspectiva. Conca não vem bem, Fred é uma decepção completa, assim como Leandro Amaral, Fábio Santos e Thiago Neves (esse último, já na Arábia Saudita). O Fluminense é uma caricatura da equipe que, há pouco mais de um ano, foi vice-campeã da América do Sul. Lembra muito o Tricolor que foi rebaixado em 1996 e 97. Pelo clima nas Laranjeiras, a salvação pode estar em garotos como Maicon, Tartá e Adeílson.

Sport – 13

Melhor posição: 10º (1ª rodada)
Pior posição: 20º (desde 17ª rodada)
Destaque positivo: Fabiano
Destaque negativo: Émerson Leão
Objetivo realista: escapar do rebaixamento
Nota do turno: 1

Campanha tenebrosa. O Sport montou uma equipe capaz de ficar no meio da tabela no Brasileirão, mas não digeriu bem a eliminação na Libertadores e os conflitos internos que se seguiram. Ainda que Nelsinho Baptista e Paulo Baier tenham saído, a harmonia rubro-negra se perdeu. A equipe não tem padrão de jogo, nomes que vinham bem (como Ciro, Magrão e Sandro Goiano) caíram de rendimento e os reforços não funcionaram. A defesa é o ponto mais crítico, com média de quase dois gols sofridos por partida. Como já está ficando para trás mesmo na luta contra o rebaixamento, parece difícil ver uma saída para o Leão.

Obs.: os asteriscos se referem ao número de jogos a menos de algumas equipes

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Equipe Trivela

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