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‘Bola na área sem ninguém (da defesa) pra cabecear’: Atlético-MG sofre com problema crônico

A música do Skank se encaixa no Atlético, que sofre muito com as bolas na área, muitas vezes sem ninguém para cabecear (e afastar)

O Atlético-MG começou 2024 com derrota, perdendo na estreia do Campeonato Mineiro para o Patrocinense por 2 a 1, de virada. Os dois gols que o Galo sofreu para sair derrotado de campo foram em um estilo que assombrou o clube em 2023: a bola na área, que como diz a famosa música do Skank, “É uma Partida de Futebol” (com clipe gravado em jogos do Alvinegro, inclusive), não tem ninguém para cabecear. Nesse caso, ninguém da defesa atleticana, pois do ataque adversário sempre tem. No último ano, segundo levantamento da Trivela, quase 50% dos gols que o time atleticano sofreu foram nesse estilo, o que mostra um problema crônico que Felipão ainda não conseguiu resolver.

O Atlético terminou 2023 com uma das melhores defesas do Brasil, a melhor do Campeonato Brasileiro, por exemplo. Mesmo assim, teve um ano marcado defensivamente pelo sofrimento com jogadas de bolas levantadas na área. Ao todo, dos 53 gols sofridos, 23 foram nesse estilo, o que dá 43,3% dos gols, segundo levantamento da Trivela, que analisou não só gols lógicos de bola aérea, como cruzamento + cabeçada = gol, mas sim todos os gols em que a bola foi levantada na área atleticana. Veja abaixo a relação dos gols:

COMPETIÇÃO JOGO TIPOS DE BOLA NA ÁREA
Campeonato Mineiro Atlético 2×1 Caldense Cabeçada após cruzamento de falta
Campeonato Mineiro 2×1 Patrocinense Cruzamento da lateral e gol contra de Réver
Campeonato Mineiro 1×1 América Escanteio e gol de cabeça
Copa Libertadores 1×1 Millonarios Escanteio e gol de cabeça
Copa Libertadores 1×1 Libertad Cruzamento da lateral e gol de cabeça
Copa do Brasil 2×1 Brasil de Pelotas Escanteio e gol de cabeça
Copa do Brasil 1×1 Brasil de Pelotas Cruzamento de falta, desvio de cabeça e chute
Copa do Brasil 0x2 Corinthians Gol de peito após cruzamento
Campeonato Brasileiro 1×2 Vasco Cabeçada após cruzamento de falta
Campeonato Brasileiro 1×2 Vasco Lateral na área mal cortado e gol na sobra
Campeonato Brasileiro 0x2 Botafogo Cruzamento rasteiro
Campeonato Brasileiro 0x2 Botafogo Cruzamento mal cortado e gol na sobra
Campeonato Brasileiro 1×1 Palmeiras Cabeçada após cruzamento na linha de fundo
Campeonato Brasileiro 1×2 Fortaleza Cruzamento rasteiro mal cortado que resulta em gol de cabeça
Campeonato Brasileiro 1×2 Fortaleza Cruzamento de falta, desvio de cabeça e chute
Campeonato Brasileiro 2×2 América-MG Cruzamento da lateral e gol de cabeça
Campeonato Brasileiro 2×2 América-MG Cruzamento alto, seguido de cruzamento rasteiro e gol de letra
Campeonato Brasileiro 0x1 Grêmio Escanteio e gol de cabeça
Campeonato Brasileiro 0x1 Vasco Cruzamento da lateral, Everson salva o gol de cabeça, mas sofre no rebote
Campeonato Brasileiro 1×2 Coritiba Cruzamento da lateral e gol de cabeça
Campeonato Brasileiro 0x1 Cruzeiro Cruzamento da lateral e gol contra de Jemerson
Campeonato Brasileiro 1×1 Corinthians Cabeçada após cruzamento de falta
Campeonato Brasileiro 1×4 Bahia Cruzamento da lateral e chute para o gol

Com pouco mais de duas semanas de pré-temporada em 2024, Felipão não conseguiu corrigir esse problema e viu o Atlético estrear com derrota sofrendo com a bola aérea. No primeiro gol sofrido, o atacante apareceu livre entre o lateral (Saravia) e o zagueiro (Lemos). No segundo, nas costas da defesa (Arana), também livre de marcação, mostrando assim que o problema é crônico.

Com esse problema aparecendo de novo na estreia da temporada, a torcida do Atlético cobrou por reforços na zaga nas redes sociais. No entanto, o problema do Galo, nesse caso, não parece ser de peças, mas sim de posicionamento. Com tantos gols de bola na área, o time passa a ideia de que, mesmo se a defesa tivesse hoje os dois melhores zagueiros do mundo, os gols continuaram saindo e o problema aparecendo. A questão nesse caso é o posicionamento e a falta de atenção nos lances, pois independente dos nomes em campo, o problema aparece.

Felipão conseguiu melhorar sim o sistema defensivo do Atlético (que já não era ruim antes dele), mas precisa solucionar o problema das bolas na área, que sempre levam perigo ao time. Fora que, pelo que dá pra ver pelo quadro acima, o Galo também sofre com rebotes e sobras, o que mostra mais ainda ser erro de posicionamento, pois não tem ninguém pra marcar a primeira e nem a segunda bola.

Não é só na defesa que o Atlético sofre

O problema de bola na área para o Atlético não é só defensiva, ofensivamente também o clube não consegue aproveitar essas jogadas, o que mostra ser um déficit geral do elenco. Em 2023, o Galo quase não marcou gols de bola parada, por exemplo, não tendo feito nenhum no Brasileirão. Para 2024, a esperança disso mudar está nos pés de Gustavo Scarpa, nova contratação e especialista em bolas paradas, mas Felipão já deixou claro que isso não depende só dele:

– Não é o Scarpa que vai fazer isso (melhorar bola aérea). São os zagueiros, atacantes, volantes, meias, que vão atacar a bola. Ele vai colocar a bola na área, e temos que ter jogadores com a intenção e qualidade de atacar a bola e colocar para dentro. O Scarpa tem uma batida na bola que é muito importante, e temos que desenvolver o trabalho para que os nossos jogadores tenham essa qualidade (de atacar a bola). Não mostramos isso ano passado. Vamos ver se melhoramos bastante nesta temporada — afirmou Felipão.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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