Brasil

Atlético-MG encara a realidade com a SAF e traça metas mais conservadoras para 2024

Focado em uma recuperação financeira, mas ao mesmo tempo tentando se manter competitivo, o Atlético traçou metas que condizem mais com sua realidade

O Atlético-MG SAF já está trabalhando ativamente desde 1º de novembro, quando todos os trâmites foram finalizados. Como clube-empresa, o Galo, pela primeira vez, entendeu a sua realidade e traçou metas bem mais modestas para o próximo ano, que será o primeiro do triênio de recuperação do clube.

Nos últimos anos, mesmo sem os mesmos investimentos e orçamentos de rivais como Flamengo e Palmeiras, o Atlético tentou se enfiar no meio dos mais poderosos clubes do país, e conseguiu, com título Brasileiro e da Copa do Brasil em 2021. No entanto, nos últimos dois anos, o Galo voltou para a sua realidade e não conseguiu disputar títulos, mesmo assim havia traçado metas mais ambiciosas e falava em ser campeão de algo grande novo.

Com a SAF, a realidade parece que bateu à porta, e o clube entendeu que vai precisar se reestruturar primeiro para conseguir disputar no topo, com quem tem mais investimentos. Por isso, as metas do Atlético para 2024 são menores das apresentadas em 2022 e 2023, como revelou o CEO Bruno Muzzi em coletiva na tarde desta terça (14).

 

O Atlético ter colocado metas mais “simples” para o próximo ano mostra que o clube entende onde está hoje. É um time que entra para brigar, vai estar no bolo dos que podem ser campeões. Mas não é um time que entra como favorito. Nessa linha, o torcedor se preocupa, por exemplo, com o investimento no time, entendendo que, já que as metas são baixas, não vai haver um aporte no futebol para elevar o nível do time. O presidente Sergio Coelho e o CEO do clube garantem que o time seguirá competitivo.

– Um investidor só vai ganhar dinheiro com a SAF se tiver um time protagonista. Ele não ganha dinheiro com o time na Série B ou na luta contra o rebaixamento. São receitas (patrocinadores, jogos na TV, etc) que vem só se o time tiver bem – disse o presidente Sérgio Coelho, que teve a fala completada por Muzzi:

– A receita cresce com o time performando. Só ver o Atlético antes e depois de 2020. Tínhamos receita na casa de R$ 200 milhões, depois, com os investimentos, elas subiram para R$ 400/450 milhões, e estamos projetando ainda R$ 500 milhões. Independentemente dos títulos de 2021, eu pude vender cadeiras, camarotes, patrocínios, valorização da camisa. Então, um time performando, ele puxa receitas de fato.

O torcedor tem o direito de se preocupar com essa questão, mas também precisa entender a realidade do clube. Pela primeira vez o Atlético está sendo transparente com relação ao que acha que pode fazer, o que é até bom para o torcedor não se iludir à toa. Não adianta a torcida querer que o Galo fale em ir longe nas competições se, internamente, eles sabem que, apesar de possível, é algo difícil com a realidade do clube hoje.

Além disso, vale lembrar que essas são metas orçamentárias, que geralmente são colocadas mais baixas do que as esportivas para ter um orçamento mais real. Ou seja, não quer dizer que, se o Atlético chegar nas oitavas da Libertadores, ele já estará satisfeito. O Galo seguirá buscando se colocar cada vez melhor, mas, dessa vez, entendendo suas limitações, que não necessariamente o impede de conquistar um título.

É uma SAF de reestruturação do Atlético. Precisamos ter uma folha do futebol controlada, com limites. Investimentos também. Não é uma SAF que o dinheiro chega para ser usado totalmente em contratações. Não é isso que irá acontecer entre 2024 e 2026. Mas o Atlético seguirá competitivo – disse Muzzi

Promessa importante para o futebol

Dentro dessa ideia, o Atlético planeja fazer algo diferente para o futebol do clube. A intenção, segundo Muzzi e o presidente Sergio Coelho, é de que todo o dinheiro que sair do futebol, volte para o futebol. Ou seja, se um jogador for vendido por R$ 10 milhões, todo esse dinheiro será reinvestido no futebol, na compra de um jogador para repor essa saída, por exemplo.

– Temos que reverter cento e tantos anos de história. Não queremos usar, de maneira nenhuma, venda de atletas para poder pagar folha salarial e custos recorrentes do Atlético – disse o CEO atleticano.

Para definir como essa e outras questões do futebol do Atlético vão caminhar, haverá um Comitê de Gestão do Futebol, que contará com a presença do presidente Sergio Coelho, o diretor de futebol Rodrigo Caetano, o CEO Bruno Muzzi, e os investidores da SAF: Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador. Esses seis vão debater sempre sobre contratações, vendas, renovações e outras questões do futebol. Muzzi indicou que o papel dele nesse meio será de controlar os gastos. Acima desse comitê, haverá ainda um Conselho de Administração, como a Trivela adiantou há duas semanas.

Segundo o presidente Sérgio Coelho, o orçamento para o futebol do Atlético em 2024 será de R$ 400 milhões para compra de jogadores, salários, luvas, comissões, viagens, entre outras coisas. A folha salarial do clube, que é de R$ 212 milhões, deve ser pouco ou nada alterada.

– O investimento no futebol, em 2024, será igual ao de 2023. Nós não estamos perdendo recursos para o futebol. Possível ser até maior, somando todas as rubricas – diz Sérgio Coelho.

O “novo” presidente do Atlético

O mandato de Sérgio Coelho termina em dezembro e as eleições para um novo presidente devem ocorrer no início do próximo mês. A intenção dos investidores que compraram o clube era que o atual presidente se reelegesse. No entanto, Sergio Coelho tinha um pé atrás sobre isso, queria ficar no clube, mas sem um cargo específico, já que recusou também ser o CEO do futebol, cargo que agora nem existirá mais.

Apesar de relutar, Sergio foi convencido a se candidatar e se reeleger para seguir na administração da instituição e, consequentemente, também na SAF, já que o cargo de presidente da direito a uma cadeira no Conselho de Administração, por exemplo. Sergio Coelho pretende manter como vice o Dr. José Murilo Procópio, que foi cotado para ser o presidente caso Sergio declinasse, mas que recusou. José Murilo ainda não definiu se vai aceitar seguir como VP do Galo.

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Os nortes do Atlético em 2024

  • Fluxo de caixa operacional positivo
  • Reestruturação do endividamento
  • Implementação do plano de otimização de custos
  • Maximização dos resultados da Arena MRV
  • Implantação do novo planejamento estratégico
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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