Brasil

‘Hoje, o talento sozinho não ganha’: O recado sincero de Ancelotti aos jogadores da Seleção

Treinador participa de evento da CBF em São Paulo para discutir o futuro da gestão do futebol brasileiro

Carlo Ancelotti cumpriu rotina como treinador da seleção brasileira ao participar nesta quarta-feira (26) do Summit CBF Academy, evento promovido pela CBF em São Paulo. O técnico foi um dos palestrantes do encontro idealizado pela entidade para discutir a gestão do futebol e o futuro do mercado da bola.

Em mais um evento como representante da CBF, o italiano desta vez não passou pelo constrangimento de ter de ouvir falas xenófobas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira, como ocorreu no início do mês, durante 2º Fórum Brasileiro de Treinadores de Futebol.

Bem à vontade, Ancelotti pôde falar sobre o que pensa para a Seleção na Copa do Mundo de 2026, justamente no dia em que completa seis meses no cargo. Em seu português bem pausado e ainda em desenvolvimento, o técnico fez um diagnóstico sincero do Brasil para o Mundial.

Ancelotti: “Talento sozinho não ganha”

Ancelotti fez uma espécie de balanço de seu período à frente da seleção brasileira. De imediato, ele confirmou uma impressão que já tinha de antes: há muito talento à disposição no futebol brasileiro.

Mas o diagnóstico veio seguido de um alerta. A qualidade técnica sozinha não é capaz de conduzir o Brasil ao hexa em 2026.

— Hoje cumprem seis meses desde que eu cheguei aqui, eu não vi nada novo do que eu pensava. Primeiro, muito talento Construir talento não é possível. Eu não posso treinar para construir talento. Eu posso treinar para sustentar o talento, ajudar a ter o conhecimento tático. Porque hoje o talento só não ganha. O talento é um aspecto muito importante para ganhar o jogo, mas o talento só não ganha. A verdade é que nos anos 70, o Pelé podia ganhar o Mundial sozinho. O que eu quero dizer é que agora o talento sozinho não ganha, então o nosso trabalho é sustentar esse talento com tudo o que podemos fazer — disse o treinador. 

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira (Foto: Imago)

Em sua análise, a seleção brasileira já evoluiu bastante desde sua chegada e já tem o entendimento das questões técnicas que almeja para a equipe no Mundial. Resta ajustar alguns momentos de jogo em que a atitude não foi considerada a ideal pela comissão técnica.

Mas Ancelotti fez questão de ressaltar também que o talento é, sim, necessário para que uma equipe conquiste títulos. Inclusive, ele deixou um recado velado aos principais jogadores da seleção brasileira.

— Eu não vi equipes que não têm talento ganhar. Mas precisamos construir uma estrutura. O talento tem que estar a serviço da equipe. Eu quero na convocação jogadores que querem ser os melhores do mundo. Eu quero chamar jogadores que querem ganhar a Copa do Mundo. Essa é a diferença entre um grande jogador e um líder em campo. O líder põe seu talento a serviço da equipe — afirma Ancelotti.

- - Continua após o recado - -

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“O aspecto psicológico é muito importante”

A pouco mais de seis meses da Copa do Mundo, Ancelotti também admite que é preciso melhorar o preparo psicológico dos jogadores da Seleção para lidar com a pressão de representar o Brasil no Mundial.

— (É preciso) Estruturar bem a equipe, estruturar bem a CBF, meter seriedade, profissionalismo, competência em todas as questões. A estrutura, o aspecto técnico, obviamente, a tática do jogo, então, melhorar o conhecimento e a competência dos treinadores, melhorar a preparação física, melhorar o aspecto mental do jogador, porque agora o jogador tem muito, sobretudo os jovens, têm muita responsabilidade, isso sim. E eu acho que também o aspecto psicológico é muito, muito importante — afirma o treinador.

Os próximos jogos da Seleção

  • Brasil x França — Data Fifa de março — (sem data e horário definidos)
  • Brasil x Croácia — Data Fifa de março — (sem data e horário definidos)
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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