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Davide Ancelotti revela segredos do pai na gestão do elenco: ‘Nisso ele sempre foi muito bom’

Ex-técnico do Botafogo aborda como é tratamento de Carlo Ancelotti com as estrelas dos elencos que comanda

O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, é conhecido por gerir vestiários como poucos na história do futebol. Sua aproximação com os jogadores deixou admiradores por clubes na Espanha, Itália, Alemanha e mais países pelos quais ele passou. Seu filho, Davide, contou ao “DAZN” alguns dos segredos do pai nesse quesito.

O caçula de Carletto, parte da comissão dele em trabalhos no PSG, Real Madrid, Bayern de Munique, Napoli e Everton, destacou como o pai faz para os craques das equipes entenderem sua importância para o aspecto coletivo do grupo.

— Quando um jogador é uma estrela, ele está sozinho. Nisso sempre acredito que meu pai foi muito bom, em se aproximar especialmente da estrela. Porque o craque entende qual é o papel dele dentro da equipe. A verdadeira estrela é alguém que precisa dar aos outros, que melhora os outros e que carrega muita responsabilidade, não apenas do lado de fora, mas também dentro do time. Todo mundo lá dentro espera que ele resolva o jogo.

Davide, que também chegou a auxiliar Ancelotti em seus primeiros jogos na Seleção no meio do ano passado e deve estar na comissão da Copa do Mundo de 2026, destacou o quanto ele tentava “copiar” o pai no início de sua trajetória, mas que agora busca deixar sua marca. No último ano, ele trabalhou no Botafogo entre julho e dezembro e agora integra a comissão técnica do Brasil.

— É verdade que somos parecidos no caráter. No começo, eu tendia a imitá-lo um pouco, porque ele é o meu exemplo, e também tive que aprender que sou diferente, que não sou igual a ele e que não tenho a aura que ele teve. Meu pai ganhou cinco Champions League — assumiu.

Ancelotti com a taça da Champions League
Ancelotti com a taça da Champions League (Foto: IMAGO / osnapix)

Davide Ancelotti destaca Vinicius Júnior

Na mesma entrevista, o ex-comandante do Botafogo elogiou Vinicius Júnior, com quem trabalhou entre 2021 e 2025 no Real Madrid. “Vini faz gols, dribla, dá assistências… Como jogador, eu não acho que se possa discutir Vinicius”, exaltou, na sequência abordando como questões extracampo atrapalham análises sobre o brasileiro.

— De fora, ele gera debate por causa do seu temperamento, mas não acho que isso deva fazer perder o foco sobre o quão decisivo e desequilibrante ele é. No fim, os times montam seus planos de jogo pensando nele.

Vini Júnior brilhou no Real Madrid na era Ancelotti — pai e filho — e espera-se que ele consiga mostrar todo o seu alto nível com a seleção brasileira, o que ainda não aconteceu. Sem Neymar, o atacante é a principal cara da equipe e é quem traz a maior expectativa para a Copa do Mundo.

Outra questão dos Merengues que Davide Ancelotti abordou na entrevista foi a complicada passagem de Xabi Alonso pelo Santiago Bernabéu. O jovem técnico substituiu Carletto, mas acabou demitido apenas alguns meses depois.

Do italiano ao espanhol, a gestão de grupo tão diferente é a que pesa mais na comparação dos trabalhos. Ancelotti soube comandar o vestiário com inteligência, gerindo diferentes egos. Já Alonso não conseguiu convencer os jogadores a “comprarem” seu trabalho e perdeu a confiança do elenco.

Para Davide Ancelotti, o futuro do ex-Bayer Leverkusen será enorme e uma saída conturbada não muda isso.

— Os treinadores mudam. Xabi é um treinador jovem que vai ter uma carreira extraordinária e, certamente, isso não vai afetá-lo. São coisas que acontecem. Eu, que vivo isso no dia a dia sendo treinador, entendo. Talvez, de fora, pareça um choque um pouco maior. Mas, no final, a demissão faz parte da nossa vida e é preciso aceitá-la.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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