A terceira morte do craque Adriano. E o homem?
Aos 30 anos, Adriano, o herói da Copa América de 2004, foi demitido do Flamengo após 76 dias de poucos treinos e muitas faltas. O motivo final foi a foto de sua presença em uma festa do “bonde das pretas” na noite carioca, após pedir dispensa do treino. Como uma mulher que desconfia e tem quase certeza da traição, o Flamengo só reagiu quando viu a prova do crime. O batom na cueca.
Foi a terceira demissão de Adriano nos últimos anos. Antes, houve a Roma e o Corinthians. Aliás, só foi para o Corinthians depois de sofrer uma recusa do São Paulo. E só foi porque Andrés queria dar o troco a Juvenal, que havia trazido Luís Fabiano. Aceitou, então, o pedido de Ronaldo.
Parece definitivo o fim da carreira futebolística – pelo menos em alto nível – do atacante canhoto, forte e técnico, que poderia estar jogando ainda em altó nível no futebol europeu. Adriano promete voltar em 2013, mas quem vai contratá-lo, mesmo sabendo que o custo por tê-lo tem diminuído nos últimos tempos? Só consigo imaginar o Atlético-MG, que acertou – e muito – com Ronaldinho Gaúcho ou o Inter, que tem errado – e muito – com seu elenco de muitas estrelas e pouco resultado.
Adriano vive em estado de negação. Tenta culpar Dorival Jr. por não escalá-lo. Eu considero Dorival um treinador superavaliado, com poucos títulos, e que não tem personalidade para conviver com estrelas. Brigou com Neymar e Ganso, no Santos. Mandou Ricardinho embora do Galo. Mas, não há como culpá-lo. Como escalar que não vai a treinos? Quem está sempre acima dos três dígitos na balança?
Nem a torcida do Flamengo apoia Adriano. Antes de demiti-lo, Zinho falou com chefes de organizadas, que deram aval para a saída do ex-ídolo. Aliás, que coisa ridícula essa de procurar opinião de torcedor organizado, não? O cara ganha bem e, em vez, de agir, vai perguntar o que torcedor pensa sobre assunto tão importante.
A revista ESPN está chegando às bancas com uma entrevista perdida de Garrincha. Um ano e meio antes de morrer, ele dizia estar longe das bebidas e sonhava em ser treinador. É a mesma negação de Adriano. Seus amigos mais chegados deveriam – se é que já não o fizeram – dedicar seus esforços para salvar o ser humano e não em arrumar um novo clube para o ex-jogador.
PS – A ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo – está premiando os melhores do ano. A votação é aberta ao público. Peço seu voto para a revista espn e para o meu blog. Abaixo, o link