A denúncia anônima que motivou investigação sobre suposta infiltração do PCC no Corinthians
E-mail enviado a promotor do MP indicou que membro da facção é o proprietário de imóveis alugados a jogadores do Timão
A investigação do Ministério Público de São Paulo que apura o envolvimento do Corinthians com o Primeiro Comando da Capital (PCC) partiu de uma denúncia anônima encaminhada ao promotor Cássio Roberto Conserino, que apura possíveis gastos irregulares durante as gestões de Andrés Sánchez, Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo, últimos três ex-presidentes corintianos.
A Trivela apurou que as suspeitas foram enviadas ao promotor através de um e-mail que não identificou o remetente.
A reportagem também soube que no conteúdo foi mencionado o possível envolvimento entre o Timão com José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, que é apontado como um dos principais articuladores financeiros do PCC.
A relação foi feita por conta da locação de um apartamento no bairro Jardim Anália Franco, Zona Leste de São Paulo, cuja suposta propriedade é de Alemão e nos últimos dois anos foi alocado a três jogadores com passagens pelo Corinthians – dois deles seguem no clube atualmente.
A denúncia também aponta a presença de um ex-dirigente corintiano no local durante as visitas antes da conclusão do negócio com o primeiro atleta. José Carlos Gonçalves também estava presente na ocasião.
Também foi mencionado que os procedimentos de acesso ao condomínio fogem do rotineiro em períodos em que há operações policiais de combate a grupos e pessoas ligadas ao PCC.
Denúncia anônima foi crucial para abertura das investigações no Corinthians
A Trivela apurou que o e-mail anônimo foi enviado na última quarta-feira (10) a Cássio Roberto Conserino.
A denúncia foi fundamental para o promotor abrir uma nova linha de investigação sobre irregularidades financeiras no Corinthians entre 2018 e maio de 2025, período que abarca as gestões de Andrés, Duílio e Augusto Melo.
A reportagem soube que o MP/SP entendia ser necessário o recebimento de alguma denúncia ou evidência mais robusta para iniciar a apuração mesmo após o depoimento concedido em 14 de agosto por Romeu Tuma Júnior em que o presidente do Conselho Deliberativo do Timão afirmou ao órgão que “o crime organizado se infiltrou” no clube.
A partir do momento em que recebeu o e-mail anônimo, Cássio Roberto Conserino adicionou uma linha de investigação que ainda não vinha trabalhando e a mais próxima entre a relação entre as supostas irregularidades financeiras nas últimas gestões do Corinthians e o PCC.

A Trivela também apurou que o promotor mantém contato e trabalha em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), que também é vinculado ao Ministério Público.
O Gaeco acompanha desde o início as investigações do caso “Vai de Bet”, que levou o ex-presidente corintiano Augusto Melo, e outros dois ex-dirigentes do clube, Marcelo Mariano e Sérgio Moura, a serem denunciados pelos crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.
Na denúncia em questão, é mencionado que os valores de comissionamento relacionados a intermediação do contrato de patrocínio máster entre a casa de apostas e o Corinthians chegou até a UJ Football Talent Intermediações Ltda, empresa de agenciamento de atletas que é investigada por suposto envolvimento com a facção criminosa.
Em delação premiada homologada pela Justiça em abril de 2024, o doleiro Antonio Vinicius Lopes Gritzbach apontou a UJ Football Talent como instrumento do PCC para lavar dinheiro através do futebol.
Segundo Gritzbach, a empresa é operada informalmente por Danilo Lima, conhecido como Tripa, apontado como integrante da facção criminosa.
Antonio Vinicius Lopes Gritzbach foi assassinado no dia 8 de novembro de 2024 no terminal dois do Aeroporto Internacional de Guarulhos antes de uma viagem a Maceió.
De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a motivação do assinado foi justamente a delação de Gritzbach sobre o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no PCC e que também envolvia a participação de policiais.



