Brasil

Nova gestora da 777 vai deixar futebol e planeja vender SAF do Vasco; entenda

Em coletiva, Pedrinho revelou que teve uma reunião com a A-CAP, empresa que agora controla os ativos da 777 Partners

A história da 777 Partners no futebol parece ter chegado ao fim. Nesta sexta-feira (5), Pedrinho, presidente do Vasco e atual controlador da SAF do clube, revelou que teve uma reunião com a A-CAP, principal credora da empresa americana e que seria a nova controladora dos ativos da ex-dona da SAF vascaína.

Na reunião, de acordo com Pedrinho, ele ainda foi informado que a A-CAP não pretende seguir com os investimentos no futebol. Assim, o Vasco e a empresa irão definir o futuro da SAF do Vasco, com a provável venda para um novo investidor.

Com isso, Pedrinho voltou a defender a sua atitude tomada em maio, quando, por uma liminar na Justiça, a Associação retomou controle da SAF do Vasco. Segundo a decisão, a 777 Partners não havia cumprido partes do acordo de compra da SAF.

– Fui informado de que a 777 não é mais controladora do futebol, de nenhum time de futebol. Eles, através do Josh e sua diretoria, foram destituídos do controle do futebol. Isso prova para muitas pessoas que bateram na liminar que nós estávamos corretos. Nós salvamos o Vasco de uma massa falida, que isso fique claro. Como nós já havíamos previsto isso, conseguimos nos estruturar para que não acontecesse o pior – afirmou Pedrinho.

Pedrinho também deu detalhes sobre a reunião com a A-CAP. Segundo o presidente do Vasco, as partes se reuniram pessoalmente e tiveram uma boa conversa.

– Eles (A-CAP) vieram ao Brasil, tivemos uma reunião muito cordial. Eles não têm interesse em tocar o futebol, obviamente a relação ficou muito melhor. Eles vieram de Chicago, tivemos reunião de duas horas e meia, três horas. Para, obviamente juntos, buscarmos um novo investidor. Para quem dizia que a ação causaria uma instabilidade jurídica, pelo contrário. Ela trouxe uma estabilidade. O clube foi tratado com irresponsabilidade financeira, queremos passar ao mercado interno e externo que o Vasco hoje tem estabilidade para tocar o futebol – disse Pedrinho.

Além do Vasco, a 777 Partners é dona do Genoa, da Itália, do Hertha Berlin, da Alemanha, do Red Star, da França, do Standard de Liège, da Bélgica e do Melbourn Victory, da Austrália. Há também tem uma pequena participação no Sevilla, da Espanha.

Pedrinho espera acordo amigável com a A-CAP

De acordo com processos nos Estados Unidos e na Inglaterra, inclusive com acusações de fraude, a 777 Partners tem uma dívida bilionária com A-CAP, empresa de seguros com base nos EUA. A A-CAP, por exemplo, foi uma das responsáveis por emprestar o dinheiro que a 777 usou para fazer aportes no Everton, da Inglaterra.

Agora, com a A-CAP controlando os ativos da 777, Pedrinho espera um bom acordo para poder revender as ações da SAF do Vasco.

– Primeiro ponto foi passar o cenário financeiro para A-CAP, alguns descumprimentos do ex-sócio. Além da realidade financeira que entregamos para eles, e eles vão avaliar em duas semanas, acho, somos muito justos. Se nós quiséssemos uma relação ruim, nós deixaríamos tocar, porque a gente sabe que por todo o cenário, descumprimento, o rombo financeiro… Não existiria mais nada para fazer. A gente estaria muito tranquilo, mas a gente não quer isso. A gente quer um acordo amigável, no qual não haja nenhum prejuízo financeiro para a A-CAP, que era a maior credora da 777 – disse Pedrinho.

Pedrinho, inclusive, já teve conversas com possíveis investidores que podem comprar a SAF do Vasco.

– Temos conversas com alguns investidores, mas a gente tem que ter muita calma nesse momento. Meu primeiro objetivo é o que falei, já temos uma estrutura financeira para cumprir com todas as despesas até o fim de 2024, tentar ser certeiro na janela, de forma muito responsável. Potencializar os nossos atletas, que já vimos que podem dar muito mais, para sermos competitivos até o fim do ano. E aí, sim, com outra cara para a próxima temporada, a gente botar muito mais do que a gente imagina e pensa sobre planejamento esportivo. É um ano muito atípico. Nenhum presidente passou por esse processo. Sair de alguns princípios e valores esportivos, ter flexibilidade para entender o momento faz parte de uma gestão. Ter a humildade de mudar de rota. É isso que a gente está fazendo pelo semestre que a gente tem, que é muito atípico de qualquer realidade esportiva no Brasil – finalizou Pedrinho.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
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