Brasil

2010 – O ano que já começou

Vencer a Argentina fora de casa é sempre bom. Não pela rivalidade ou pela eventual crise que isso pode provocar nos platinos, mas simplesmente porque bater a Albiceleste em seu campo é atestado de competência em qualquer condição. E isso o Brasil deu no último sábado, ao fazer 3 a 1 nos argentinos em Rosário – e ainda garantir vaga na Copa do Mundo de 2010.

Não há dúvidas que Dunga, em três anos no comando da Seleção, aprendeu a ser técnico. Ainda há deficiências ou dúvidas a respeito de parte de seu trabalho (isso não é crítica, apenas uma constatação natural: ele nem poderia ser um treinador perfeito com tão pouco tempo de carreira), mas o time tem um padrão de jogo e confia demais nele. A ponto de se sujeitar a permitir ao adversário que tome a iniciativa, somente para ter mais espaço a contra-ataques letais.

Sinal de que, agora, o Brasil precisa apenas apertar o botão automático até junho do ano que vem? Não mesmo. Com um lugar no Mundial, a Seleção não precisa mais se preocupar em fazer conta, em priorizar o imediatismo de pontuar, pontuar, pontuar. É momento de já pensar na África do Sul. Ou melhor, em estar com a equipe realmente pronta para a Copa. Um luxo que nem Parreira e seu “quadrado mágico” – que alguns achavam que poderia ser a melhor Seleção da história em 2006 – pôde se dar.

Do time titular, as principais dúvidas são em uma posição do meio-campo (Elano ou Ramires?), do ataque (Robinho parece acomodado) e a lateral-esquerda (ainda que Dunga parece estar gostando de André Santos, que não convence, mas deu uma melhorada). Ou seja, até que a situação está bem resolvida. O problema é o banco de reservas. É nítido como a Seleção não tem “elenco” ainda. Para alguns setores, faltam substitutos confiáveis ou que deem opções táticas à equipe.

Dentro de certos limites do razoável, é um bom momento para se fazer experiências. Claro, não faz sentido convocar jogadores que nem a Velhinha de Taubaté acredita terem nível para ir à Copa. Mas, entre uma lista de nomes realista, é relevante fazer testes como colocar um atacante diferente para ver se o Brasil se adapta a outra estratégia ofensiva, buscar outro meia de armação para dar uma cadência diferente ao time ou tentar trabalhar com uma dupla de ataque (porque, na prática, Robinho é meia-atacante).

Com Eliminatórias longas e Copas das Confederações, já houve oportunidade suficiente para todo mundo conhecer o estilo de jogo do Brasil de Dunga. Até agora, ele foi eficiente. Mas, para o Mundial, seria bom ter “planos B e C” para surpreender. Não se pode dar a chance aos adversários de descobrirem como anular a Seleção.

Candidatura reafirmada

Depois da derrota para o Corinthians no Beira-Rio, o colunista passou a ver o Internacional como um candidato de menos força na luta pelo título. Uma equipe que quer ser campeã em um torneio de pontos corridos não pode perder partidas daquele modo. O time foi passivo, aceitando o empate (o gol da derrota veio no final) como algo normal.

Pois bem, algumas semanas se passaram e parece que o Colorado entendeu que precisava mudar sua postura. Nas duas últimas rodadas, o time de Tite venceu e convenceu. Mais que os placares folgados – 4 a 0 no Goiás, 3 a 0 no Atlético Mineiro e 2 a 0 no Avaí em Florianópolis –, o campeão gaúcho mostrou espírito de quem quer lutar pelo título.

A principal virtude do Inter é ter um meio-campo forte, que dá suporte a um ataque veloz e talentoso. Quando a marcação “encaixa”, os colorados conseguem empurrar o adversário e imprimir um futebol intenso. Além, claro, de ser um caminho para buscar o gol, é um modo de afastar o adversário de sua defesa, setor mais débil da equipe pelos zagueiros lentos e goleiro apenas cumpridor.

Com essas características, o bom futebol do Inter depende muito de os jogadores estarem “ligados”, de entrarem em campo determinados a manter o tal ritmo acelerado. Quando o jogo é cadenciado, a equipe gaúcha permite ao adversário dominar as ações. Pior, o Colorado não foi montado para praticar um futebol mais pesado, com paciência no meio-campo e uso de força no ataque.

Se as vitórias nas três últimas rodadas – todas contra clubes que lutam por vaga na Libertadores – não forem apenas um brilho isolado, o Internacional realmente é candidato ao título brasileiro. Só não pode relaxar em tal condição. Pois, pelo estilo de jogo, a acomodação é mais nociva aos colorados que a seus concorrentes diretos (Palmeiras e São Paulo).

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Equipe Trivela

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